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Análise

Visita do Papa ao Egipto permite “antevisão” do cristianismo unido

26 abr, 2017 - 16:00 • Filipe d'Avillez

O encontro no dia 28 de Abril entre os líderes das três maiores comunhões cristãs do mundo é um evento histórico de enorme significado, que remete, até, as preocupações de segurança para segundo plano.

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O duplo atentado que matou dezenas de cristãos no Egipto, no Domingo de Ramos, e a actividade terrorista naquele país fazem com que a segurança seja a principal preocupação da visita que o Papa Francisco empreende ao Egipto, a 28 e 29 de Abril, sexta-feira e sábado próximos.

Francisco viaja no dia 28 de Abril e pernoita no país. Celebra missa com a pequena comunidade católica no dia 29 e, depois, encontra-se com o clero do país, antes de regressar a Roma.

A visita dura pouco mais de 24 horas e o Estado egípcio não está a poupar esforços para garantir a segurança num país onde o fundamentalismo islâmico tem bastante expressão.

Ao contrário de que acontece noutras viagens, o Papa não utilizará, desta vez, um veículo aberto, mas, por outro lado, recusou a ideia de ser transportado num carro blindado, segundo Greg Burke, da Sala de Imprensa do Vaticano.

Do ponto de vista teológico e histórico, porém, as questões de segurança passam para segundo plano quando comparadas com um dos factos mais impressionantes desta viagem. No Cairo, no dia 28, estarão juntos o Papa Francisco, o Papa Tawadros II da Igreja Copta Ortodoxa e o Patriarca Bartolomeu de Constantinopla, ou seja, os líderes das três maiores comunhões cristãs do mundo. É a primeira vez que tal acontece desde os primórdios do cristianismo e é um facto da maior importância ecuménica.

O Papa Francisco é o sucessor de São Pedro e lidera a Igreja Católica, a maior comunhão cristã do mundo. Bartolomeu de Constantinopla é sucessor do apóstolo Santo André e “primus inter pares”, ou “primeiro entre iguais” da comunhão ortodoxa oriental que reúne, sobretudo, as igrejas de países da Europa de Leste e algumas no Médio Oriente e que se separou de Roma no ano 1054. Já Tawadros II - ou Teodoro II, em português - é o sucessor do evangelista São Marcos e “primus inter pares” da comunhão ortodoxa pré-calcedónia, que inclui os cristãos do Egipto, da Etiópia, da Arménia e muitos da Índia e de outros pontos do Médio Oriente, que se separaram de Roma quando rejeitaram as conclusões do Concílio de Calcedónia, no século V. O seu título de Papa não representa qualquer reivindicação de rivalidade com a do Papa católico.

A Igreja Católica representa mais de 1,2 mil milhões de cristãos em todo o mundo; ortodoxos orientais são 270 milhões e os ortodoxos pré-calcedónios são cerca de 86 milhões.

Tem por isso um significado muito especial o facto de os três homens se apresentarem juntos no Cairo e não deixa de ser curioso que o façam a convite da mais alta figura do islão no Egipto, o grão-mufti da Universidade Al-Azhar, Ahmad al-Tayyib.

A universidade é considerada o mais respeitável centro de ensino islâmico de todo o mundo muçulmano e está a organizar uma conferência sobre a paz para tentar apresentar uma face do Islão diferente da que tem feito manchetes ao longo da última década e meia, devido aos movimentos terroristas.

Ao comparecerem juntos, os três líderes cristãos não curam de uma só vez as longas feridas históricas que existem entre as diferentes comunhões, mas permitem a todos os fiéis uma pequena antevisão da unidade que todos professam desejar. Se é certo que não será só de encontros que essa unidade se constrói, também é verdade que todas as comissões de diálogo teológico, que existem há décadas, trabalham em vão caso não seja possível ultrapassar as desconfianças históricas que existem entre fiéis de diferentes igrejas. Ao formar uma frente unida no Cairo os três líderes dão também um sinal importante para o interior das suas próprias igrejas, sobretudo para as correntes de opinião que criticam o ecumenismo.

Visita a acompanhar na Renascença

O Papa Francisco parte de Roma às 9h45 de sexta-feira (esta e todas as horas dadas são de Portugal continental) e tem chegada prevista ao Cairo às 13h. Parte então para o palácio presidencial, onde será recebido pelo presidente al-Sisi e o grão-mufti da Universidade al-Azhar, Ahmed al-Tayeb. Após os tradicionais discursos de boas-vindas, Francisco e al-Tayeb discursam para os participantes da conferência sobre a paz, que decorre na al-Azhar.

Às 15h30 desse mesmo dia Francisco encontra-se com as autoridades locais e com o patriarca da Igreja Ortodoxa Copta, o Papa Tawadros II, havendo lugar a discursos de ambos os líderes religiosos.

A visita prossegue no sábado, com missa às 9h no Cairo para a pequena comunidade católica do país – sendo que a maioria dos 10 milhões de cristãos egípcios são ortodoxos. Segue-se almoço com os bispos do Egipto às 11h15 e às 14h15 um encontro de oração com religiosos e clero egípcio.

Francisco parte do Egipto às 16h de sábado, com chegada prevista a Roma às 19h30.

A Renascença acompanha toda a visita com transmissões ao vivo no site dos principais momentos públicos, comentário e reportagem em antena e análise dos principais eventos e discursos. A vaticanista Aura Miguel estará também no Egipto.


A Renascença com o Papa Francisco no Egipto. Apoio: Santa Casa da Misericórdia de Lisboa

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