O site da Renascença usa cookies. Ao prosseguir, concorda com o seu uso. Leia mais aqui.
A+ / A-

Esquerda parlamentar demarca-se de resolução do CDS-PP sobre liberdade religiosa

21 abr, 2017 - 14:19

Partidos de esquerda consideram que resolução do CDS fala apenas da perseguição a comunidades cristãs. Medida foi aprovada apenas porque o PS e Bloco se abstiveram.
A+ / A-

A resolução do CDS-PP sobre liberdade religiosa foi aprovada esta no parlamento com o apoio do PSD e com toda a esquerda a demarca-se de uma iniciativa que considerou limitada às questões das comunidades cristãs.

PS, Bloco de Esquerda e PAN optaram pela abstenção, mas o PCP e “Os Verdes” decidiram mesmo votar contra o texto apresentado pelo CDS-PP.

Momentos antes da votação, o debate do projecto de resolução do CDS-PP, que essencialmente pede ao Governo português uma actuação “firme” de condenação das atrocidades cometidas contra comunidades cristãs no Médio Oriente e em África, motivou uma curta mas tensa discussão com a esquerda parlamentar.

A deputada do CDS-PP Ana Rita Bessa abriu o debate, citando o caso de uma família muçulmana morta quando fugia da Birmânia (de maioria budista) para o Bangladesh.

Só que PS, PCP e Bloco de Esquerda consideraram essa intervenção “abrangente” de Ana Rita Bessa diferente face ao real teor da resolução que apresentava em plenário.

Pela parte do PS, o deputado Ascenso Simões, assumidamente católico, disse que a real intenção do CDS-PP foi a de “marcar” a visita do papa Francisco a Portugal, em maio, restringindo os casos de perseguição às comunidades cristãs e, assim, ignorando fenómenos de desrespeito pela liberdade religiosa na China, na Irlanda do Norte ou no Médio Oriente.

“Gostaríamos de estar a aprovar por ampla maioria uma resolução sobre liberdade religiosa. Infelizmente, isso não é possível com o projecto do CDS-PP”, afirmou o dirigente socialista – posição que foi depois seguida pelo deputado do PCP António Filipe e pelo líder parlamentar do Bloco de Esquerda, Pedro Filipe Soares.

“A liberdade religiosa não conhece fronteiras”, advertiu António Filipe, numa alusão ao facto de o projecto do CDS-PP “ser unilateral” ao centrar-se nas zonas do mundo em que os cristãos estão em minoria.

Já Pedro Filipe Soares criticou a resolução do CDS-PP por não incidir “verdadeiramente sobre a liberdade religiosa”, razão pela qual “não merece apoio unânime da Assembleia da República”.

“No projecto do CDS-PP não há qualquer condenação da ‘islamofobia’ e das práticas da extrema-direita europeia. Esquece, ainda, a intolerância face a cidadãos que não querem ter religião nenhuma”, declarou o líder parlamentar do Bloco de Esquerda.

Pela parte do PSD, o deputado Carlos Abreu Amorim manifestou apoio à iniciativa do CDS-PP, defendendo a concepção filosófica de que “a tolerância religiosa é a essência da liberdade política”.

Confrontada com as críticas da esquerda parlamentar, Ana Rita Bessa contra-atacou e acusou a esquerda “de preconceito” e o PS, em particular, de ter pretendido “impor” alterações ao diploma do CDS-PP.

Ainda em defesa da resolução do CDS-PP, Ana Rita Bessa citou posições de responsáveis mundiais da comunidade judaica de condenação das perseguições e crimes contra as comunidades cristãs, assim como posições do dirigente histórico socialista Manuel Alegre em defesa da liberdade.

Comentários
Tem 1500 caracteres disponíveis
Todos os campos são de preenchimento obrigatório.

Termos e Condições Todos os comentários são mediados, pelo que a sua publicação pode demorar algum tempo. Os comentários enviados devem cumprir os critérios de publicação estabelecidos pela direcção de Informação da Renascença: não violar os princípios fundamentais dos Direitos do Homem; não ofender o bom nome de terceiros; não conter acusações sobre a vida privada de terceiros; não conter linguagem imprópria. Os comentários que desrespeitarem estes pontos não serão publicados.

  • Francisco Freitas
    21 abr, 2017 Monchique 23:30
    Até que enfim que alguém tem a ousadia de levar este assunto à Assembleia.. Bem hajam. A meu ver a situação só peca por tardia.
  • António Costa
    21 abr, 2017 Cacém 22:14
    É impossível entrar material e homens de apoio ao Estado Islâmico sem ser pela Turquia. Como o apoio aos vietcong no Vietnam vinham via "pista de Ho Chi Min" do Vietnam do Norte. Como o apoio na Guerra Colonial portuguesa aos guerrilheiros vinham do "outro lado da fronteira". Apoiar a guerrilha islâmica radical anti-Assad e "fingir" que estão a apoiar "democratas e laicos" é que é hipocrisia. Não chegou o 11 de Setembro e o Afeganistão?
  • Artur Moreira
    21 abr, 2017 Vandoma 21:44
    Sr António Costa não seja hipócrita!
  • António Costa
    21 abr, 2017 Cacém 19:14
    Não publicaram o meu comentário na totalidade. Todavia o "sentido" do que foi dito, esta representado "sem cortes", na parte inicial publicada.
  • António Costa
    21 abr, 2017 Cacém 16:49
    É incrível! Só visto! As posições que são tomadas pelos partidos, só visto! A situação do que se passa na Síria, com atentados com dezenas de vitimas, quase diários às populações cristãs e xiitas. Onde os xiitas ainda tem a proteção do Irão. A posição do PCP tem-se pautado pela defesa da politica da Rússia de Putin. Goste o PCP ou não os seus aliados no terreno são os maiores, senão os ÚNICOS defensores da Religião Cristã na Região! O CDS e PSD tem-se pautado, gostem ou não por apoiar o GENOCIDIO de cristãos perpetrados pelos grupos radicais islâmicos apoiados pela CIA/Turquia