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Professores levam “palavras livres” a reclusos de Vila Real

21 abr, 2017 - 12:13 • Olímpia Mairos

Os reclusos são desafiados a ler, interpretar e, a partir do texto, falarem sobre eles próprios, a sua vida, as emoções e os sentimentos.
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Ajudar a criar um “espaço de liberdade” através da leitura é o objectivo de dois professores da Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro (UTAD), que estão a realizar o projecto “Palavras livres” junto de reclusos da cadeia de Vila Real.

Isabel Alves e José Eduardo Reis são professores de literatura da UTAD e deslocam-se duas vezes por mês ao estabelecimento prisional de Vila Real, para lerem aos reclusos e ajudarem a quebrar as barreiras das grades.

Os reclusos são desafiados a ler, a interpretar e, a partir do texto, falarem sobre eles próprios, a sua vida, as emoções e os sentimentos.

“Na prática, este projecto traduz-se na leitura de textos. Ou seja, nós fazemos a selecção de textos, pedimos aos reclusos para lerem alguns excertos das obras seleccionadas e conversamos um pouco sobre esses textos”, explica a professora Isabel Alves.

Dentro da cadeia, já foram lidos excertos da autobiografia de Nelson Mandela, marcada pela sua resistência como preso político, bem como a experiência do médico Viktor Frankl, sobrevivente de um campo de concentração nazi.

“Os textos que nós escolhemos são eles mesmos um espaço de liberdade para que os reclusos possam olhar para a sua própria vida”, conta a professora Isabel, frisando que as “obras e textos escolhidos pressupõem projectos de vida de seres que, de alguma forma, estiveram reclusos mas que aproveitaram essa reclusão para engendrarem em si sentimentos e emoções de empatia para com o outro”.

Após a leitura, abre-se espaço ao diálogo. E não é difícil “abrir e alimentar o diálogo porque a vida destes homens, atrás das grades, é muitas vezes tensa e até solitária. Por isso, estão sequiosos de falar”, diz a mentora do projecto.

O objectivo é encontrar um “espaço de liberdade” através da leitura e em que os livros são encarados como um espaço criativo, onde o leitor é convidado a ultrapassar barreiras de espaço e tempo.

Segundo a professora Isabel Alves, o que se pretende é uma espécie de “quebra no tempo da reclusão” para que, naquele momento, se encontre um “tempo diferente em que se fala de outras coisas” para além da vida atrás das grades.

O projecto de voluntariado “Palavras livres” prolonga-se até Dezembro e está a ser desenvolvido em parceria com o estabelecimento prisional e com a Associação Música Esperança.

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