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Jaime Gama: "Fechar a França não faz sentido economicamente"

21 abr, 2017 - 17:04 • José Pedro Frazão

Jaime Gama, Pedro Magalhães e Joana Carvalho Fernandes discutem as eleições francesas no novo programa Da Capa à Contracapa. Para ouvir este sábado, na Renascença.
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Jaime Gama: "Fechar a França não faz sentido economicamente"

Uma eventual vitória de Marine Le Pen ou de Jean-Luc Mélenchon nas eleições presidenciais francesas representaria fechar a França ao exterior, o que para o ex-presidente da Assembleia da República Jaime Gama não faz sentido do ponto de vista económico. É apenas uma resposta psicológica ao medo.

“Não sei se seria o fim da União Europeia ou mesmo o fim da França. A proposta de fechar a França não faz sentido do ponto económico. A proposta parece ser uma resposta psicológica à insegurança, violência e à instabilidade internacional”, defende Jaime Gama na primeira edição do Da Capa à Contracapa, o novo programa da Renascença feito em parceria com a Fundação Francisco Manuel dos Santos (FFMS) e que vai abordar os grandes temas da actualidade portuguesa e global – para ouvir a partir de dia 22 de Abril, todos os sábados, às 9h30.

Para o presidente do conselho de administração da FFMS, a eleição de domingo, na qual há quatro candidatos muito próximos na disputa de um lugar na provável segunda volta (Macron, Le Pen, François Fillon e Mélenchon), demonstra uma significativa mudança na paisagem política francesa. A maior das alterações, diz, é a perda de representatividade dos socialistas e dos republicanos.

“Há um desajustamento entre o eleitorado em relação às formações políticas tradicionais. Isso é particularmente evidente no caso do Partido Socialista à esquerda e no caso dos Republicanos à direita. Por isso, há factores novos que representam uma excelente oportunidade de afirmação, em que as candidaturas individualizadas projectam um conjunto de programas e ideias que mais facilmente passam para toda a opinião pública”, afirma.

O politólogo Pedro Magalhães, que também participou na edição inaugural do Da Capa à Contracapa , partilha a ideia de que há quatro candidatos muito próximos para a segunda volta. São resultado de um sentimento de necessidade de mudança, que até pode concretizar-se em propostas políticas diferentes.

Magalhães defende que o discurso populista se evidencia tanto em Le Pen como em Mélenchon. “Quando as pessoas nos inquéritos de opinião dizem que os políticos são todos iguais, que é preciso pôr o povo a comandar em vez das elites, num discurso que podemos classificar de populista, a verdade é que é entre o eleitorado de Le Pen e Mélenchon que vemos essas ideias mais prevalecentes e corporizadas”, defende Pedro Magalhães.

O especialista em sondagens diz que actualmente há muito mais temas que estão politizados. No passado, argumenta, tudo se arrumava facilmente em esquerda e direita. Agora, tudo é mais nebuloso.

“Hoje em dia é perfeitamente possível um eleitor situar-se à esquerda do ponto de vista das políticas de redistribuição de rendimentos e claramente à direita do ponto de vista de tudo o que tem a ver com lidar com a diversidade social, seja a imigração ou outro tipo de questões. Isto é terrível para os partidos estabelecidos. Esta diversidade sempre existiu, mas não era politizada”, argumenta.

Fora do espectro partidário, Emmanuel Macron, ex-ministro do governo socialista de François Hollande, merece os elogios de Jaime Gama na forma como trata a questão europeia.

“Macron tem uma proposta europeia muito bem construída. É uma proposta que em parte dá também resposta a muitas aspirações soberanistas, que são tema na campanha. Por outro lado, faz do tema Europa uma forma de reprojectar a França na cena internacional e sobretudo no diálogo franco-alemão”, sublinha o ex-presidente da Assembleia da República.

Sobre o mesmo tema, Pedro Magalhães diz que há muita gente no PS francês a culpar a União Europeia pelas políticas económicas que consideram nefastas. Mas há também uma parte do eleitorado socialista que continua a afirmar-se europeísta e que vê a integração europeia como uma solução.

Macron corporiza essa ideia. “Há uma parte desse eleitorado socialista que continua claramente pró-europeu e que vê no aprofundamento da integração europeia uma possível solução para os problemas de integração económica que temos tido. Macron representa isso. Fillon também, mas isso é menos surpreendente porque está alinhado com a posição tradicional das formações do Partido Popular Europeu”, remata.


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  • Fernando Povoas
    22 abr, 2017 Povoa de Varzim 11:27
    Fico feliz por saber que oDr.Gama está bem de saúde.No resto também deve estar bem.Este grupo econômico onde o patrão é um dos homens mais rico do País costa muito de ter na sua Administração gente do PS, porque será? A esquerda é.que enche os bolsos dos mais ricos, são socialistas dos multi milionários.Que bom ser socialista,comunista e bloquista em PORTUGAL.Há sempre emprego para esta gente na banca,seguros,fornecedores de telecomunicações,água,luz e outros que só facturam o que precisam não o que o consumidor gasta.É preciso muito dinheiro para pagar ordenados que já auferiam quando estavam na politica a 100%.Rico país este para alguns.