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Renúncias quaresmais em Lisboa renderam 1,5 milhões desde 2011

14 abr, 2017 - 15:42 • Filipe d'Avillez

Notícia do jornal “Público” diz que os donativos da renúncia quaresmal de há seis anos não chegaram à diocese do Mindelo, em Cabo Verde, que seria o principal destinatário das esmolas dos fiéis.

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Desde 2011 os fiéis do Patriarcado de Lisboa já destinaram mais de 1,5 milhões de euros a diversas causas caritativas, com uma média de perto de 260 mil euros angariados por ano através das renúncias quaresmais.

Num documento enviado à Renascença, o Patriarcado detalha para onde foi o total da renúncia quaresmal de cada ano, com excepção para a campanha do ano 2017, que ainda decorre, e a de 2016, que está ainda em fecho de contas.

Esta sexta-feira, o "Público" noticia que os donativos dos fiéis teriam sido desviados, em 2011, dos fins para que foram pedidos.

Aquele jornal cita a “Voz da Verdade” e a agência Ecclesia, com declarações o anterior Patriarca, D. José Policarpo, para concluir que o dinheiro angariado tinha como principal destinatário a diocese do Mindelo, em Cabo Verde. O "Público" diz que aquela diocese não recebeu qualquer verba.

No documento a que a Renascença teve acesso, em 2015 os 250.910,57 euros recolhidos foram divididos entre a Comunidade Vida e Paz, que recebeu 50 mil euros; o Instituto de Beneficência Maria da Conceição Ferrão Pimentel, que recebeu 105 mil euros e a Casa do Gaiato do Tojal, que recebeu 85 mil. Os restantes 10.910,57 euros foram usados para responder a necessidades emergentes. As três instituições referidas pertencem à diocese e prestam assistência a sem-abrigo ou pessoas em situação de vulnerabilidade.

A renúncia quaresmal de 2014 foi entregue na totalidade à instituição Ajuda de Berço. O valor em causa era de 285.950,11 euros, mas o Patriarcado acrescentou pouco mais de 14 mil euros, arredondando para 300 mil euros que assim foram cedidos àquela instituição, que ajuda mães e bebés em situação de risco ou com necessidades financeiras.

A campanha de 2013 tinha por objectivo auxiliar outras dioceses portuguesas que porventura estivessem em situação financeira mais difícil que a de Lisboa. Nesse ano os fiéis contribuíram 233.148,37 euros. Neste caso o montante serviu para abater no valor com que o Patriarcado contribuiu, entre 2010 e 2016 para a formação de alunos de escolas de outras dioceses e que ascende a 646 mil euros. Contudo, o Patriarcado esclarece que nesse ano, por não ter sido possível a celebração de um acordo de cooperação entre o Estado e a Casa do Gaiato, foram também destinados 95 mil euros a esta instituição, para sustentação de 60 rapazes residentes.

Em 2012, no ano seguinte ao resgate financeiro a que o país foi sujeito, angariou-se o maior montante do período compreendido no documento do Patriarcado, com um total de 286.251 euros. Este valor foi entregue na totalidade à Cáritas Diocesana de Lisboa, com o objectivo de contribuir para projectos solidários da instituição.

Por fim, em 2011 os fiéis foram convidados a ajudar a “Igreja de Lisboa e outras Igrejas mais pobres” no mundo e responderam com um apoio de 245.719 euros. Deste valor foram entregues 50 mil euros à diocese de Palai, na Índia, para ajudar na construção de um hospital. Um total de 154.400 euros foram utilizados para contribuir para os custos de formação de seminaristas de África, nomeadamente de Cabo Verde e de São Tomé e Príncipe e 605.600 euros ajudaram a pagar a formação de clero desses mesmos países entre 2013 e 2016. Outros 80.000 foram para a Casa do Gaiato do Tojal, que não tem acordos com a Segurança Social. Como facilmente se vê, o montante das contribuições ultrapassa largamente o valor que veio directamente das renúncias quaresmais, pelo que o Patriarcado teve de recorrer aos seus próprios fundos.

A renúncia quaresmal é uma prática tradicional na Igreja Católica, nas diferentes dioceses. Os fiéis são convidados a colocar o valor com que queiram contribuir num envelope especificamente identificado para o efeito e a deixá-lo com o ofertório das missas. O valor do dinheiro nos envelopes é, assim, contabilizado de forma independente das restantes contribuições.

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  • RG
    15 abr, 2017 Lisboa 07:50
    Como católico, é com pena que reconheço que a Igreja está a milhas de boas práticas de gestão económica e de "investors" relations. Nao duvido da honestidade e seriedade: sei que o dinheiro não foi para nenhum saco azul e foi para onde o Patriarcado ontem disse. Não deixa de ser porém verdade que o dinheiro não foi para onde se disse que iria, que nada se saberia se não tivesse sido o Público a dizer, e que na nota enviada à comunicação social, nem sequer se pede desculpa por isso. A gestão financeira e a relação deste tema com os fiéis tem que ser mais profissional...