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Entrevista

​Patriarca: "Nem sempre o que a Igreja tem para propor é aquilo que a sociedade quer saber no momento"

10 abr, 2017 - 18:14 • Aura Miguel , José Pedro Frazão , Inês Rocha , Joana Bourgard

D. Manuel Clemente fala da actualidade da Igreja, da actual solução governativa, que o surpreende “positivamente”, e dos populismos que brotam de uma “sociedade desintegrada”.
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Entrevista a D. Manuel Clemente - 10/04/2017 - integra
Entrevista a D. Manuel Clemente - 10/04/2017 - integra

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Há uma “disponibilidade” da juventude para abraçar a vida cristã, patente em movimentos como a Missão País, mas falta cumprir um “enorme desafio” para a Igreja: “a recomposição comunitária da vida cristã”.

Em entrevista com os 80 anos da Renascença como pretexto, o patriarca de Lisboa, D. Manuel Clemente, diz que “nem sempre aquilo que em termos mais profundos e trabalhados a Igreja tem para propor à sociedade é aquilo que a sociedade quer saber no momento”.

Patriarca de Lisboa surpreendido “positivamente” com resultados da actual maioria
O essencial da entrevista

O motivo desta entrevista, em primeiro lugar, são os 80 anos da Renascença. Mas não falando em causa própria, de um modo geral, considera que a Igreja e os temas religiosos são bem compreendidos e tratados pelos média em Portugal?

Pelos média e em geral, há sempre muito que fazer. A religião é algo de intrínseco ao ser humano, tem muitas manifestações, muitas coisas que já cá estavam antes do cristianismo e que continuaram, mesmo com outras roupagens, outras que foram convertidas àquilo que Cristo é e Cristo propõe. Mas essas coisas demoram, por isso, também o entendimento do que é a religião e do que é específico do cristianismo demora em geral. Demora não apenas nos média, mas em todos nós como sociedade e às vezes até como crentes. De modo que essa temática, pela sua dimensão e profundidade, requer sempre isso mesmo, conversão, o que os Evangelhos chamam de metanóia – uma mudança de mentalidade para compreender o que está realmente em questão.

É um desafio que temos todos os tempos, depende também da nossa capacidade de esclarecer e da capacidade de as pessoas ouvirem o tal esclarecimento. Agora, precisa de profissionalismo. E assim como se trata da temática desportiva com profissionais do desporto, assim como se trata das problemáticas económica e política com especialistas, também a temática religiosa requer mais preparação.

Ouvimos a Igreja tomar posição nos média sobre algumas matérias de forma vincada – sobre a eutanásia, o aborto, a educação, com os contratos de associação. Admite que há outros temas que a Igreja poderia também abordar publicamente?

Tentamos melhorar também. Quando falamos destas questões mediáticas não estamos a falar [apenas] dos outros, também estamos a falar de nós. Na Conferência Episcopal, não só naqueles apanhados que fazemos no final de cada plenário, mas também na intervenção mais recorrente do secretário e do porta-voz, tentamos acertar. Nem sempre é fácil acertar a oferta com a procura e não é fácil sempre que os temas que tratamos com mais profundidade e que demoram mais tempo sejam os que surtem mais efeito mediático.

Quer dar um exemplo de um tema que não chega ao fim desse rio?

Por exemplo, um tema que temos tratado nas últimas assembleias plenárias com profundidade, que tem a ver com a temática da vida, no seu princípio e no seu fim, que tem a ver com a catequese, com a família. Mas o que nos perguntam é: o Papa vem ou não a Fátima? Quando chega? Os dossiês mais profundos, que requerem mais esclarecimento, são mais difíceis de tratar face àquilo que é a pergunta mais imediata com que vêm os jornalistas das redacções. Nem sempre aquilo que em termos mais profundos e trabalhados a Igreja tem para propor à sociedade é aquilo que a sociedade quer saber no momento.

“RECOMPOSIÇÃO COMUNITÁRIA DA VIDA CRISTÔ É “ENORME DESAFIO”

Faltam pouquíssimos dias para termos em Portugal o Papa Francisco, que, no entanto, não estará em Lisboa.

Para mim, não foi uma grande admiração porque, sempre que se falou ao Papa, ele respondia: Fátima, eu quero ir a Fátima. Era sempre assim que ele respondia.

Cem anos depois das aparições, o que espera que esta visita traga?

Creio que coincide muito o essencial de Fátima com o essencial do Papa Francisco, em torno da palavra misericórdia. Aquilo que os pastorinhos perceberam e depois contaram, logo ali, naqueles famosos interrogatórios de 17: o Céu está com pena da Terra. E isto tem a ver com a misericórdia. E esta é a intenção do Papa Francisco ao longo do pontificado, tem posto a tónica nisto. Temos um Deus que não é indiferente, há da parte de Deus uma enorme misericórdia em relação à situação das pessoas e dos países.

Mas já mostrou preocupação com o facto de as pessoas não estarem com muita disponibilidade para apreciarem temas considerados urgentes. O estilo do Papa entusiasma muita gente. Que benefícios pode a Igreja portuguesa tirar deste novo estilo? É uma provocação para o modo de ser Igreja hoje?

Certamente. Este estilo próximo do Papa Francisco, esta sua capacidade de se deter diante de cada pessoa, de cada rosto, de ir mesmo à procura deles, de incidir nesses locais que deviam ser mais acompanhados, tiramos um grande incentivo.

Mas não acha que, às vezes, a passada do Papa é mais rápida do que o corpo da Igreja, com tantas estruturas?

O coração anda mais depressa do que o corpo, nós já lá estamos ainda antes de chegarmos [risos]. Lucramos tanto com o Papa anterior, na sua capacidade de esclarecer temas que são tão complexos. Cada Papa traz a sua particularidade e é no conjunto que isto vale. Com Francisco somos muito exortados a essa misericórdia prática de estarmos atentos, de estar lá, de ir lá.

Na visita “ad limina” dos bispos portugueses, em Setembro de 2015, Papa alertou para a “debandada” dos jovens da Igreja. O que é que foi feito para combater isto?

A juventude, em particular a adolescência, é um tempo de debandada daquelas certezas, daquelas práticas. Tudo fica questionado, tudo fica em tumulto. O que é preciso – e o Papa conversou connosco – é que [haja] nas nossas comunidades e, muito em particular, nos meios juvenis e nas famílias um grande acompanhamento para que essa debandada signifique um reencontro mais à frente.

Isso já está a acontecer?

Em grande parte sim. Aqui em Portugal temos coisas que estão cheias de promessa por aquilo que já fazem. O que está acontecer à volta das Missões País [organizadas pela Missão País, um projecto católico de universitários]. Todos os anos são milhares de universitários que passam uma semana entre semestres escolares numa aldeia, numa vila, numa paróquia, em contacto com as populações. Vêm cheios de fôlego cristão porque fizeram uma experiência evangélica, fizeram aquilo que Jesus fazia há dois mil anos. Vêm e formam núcleos católicos de estudantes – neste momento, em Lisboa, já são quase 20 em faculdades e institutos superiores. O que acontece nas Equipas de Jovens de Santa Senhora.... Há uma disponibilidade na juventude de hoje que está aí – só não vê quem não quer.

Mas não há muita prática dominical.

A prática dominical significa que temos aquele ritmo da primeira comunidade cristã de se encontrar no dia da Ressurreição de Cristo. Os primeiros cristãos começaram a encontrar-se sempre nesse dia. O que é que implica? A pertença a uma comunidade. Hoje temos um enorme desafio que é a recomposição comunitária da vida cristã. Muitos destes jovens fazem esta experiência fortíssima, mas depois onde é que aquilo aterra?

A questão dos divorciados recasados gera confusão, depois dos dois últimos sínodos. Como é que se desfaz esta ambiguidade?

Creio que se desfaz esta ambiguidade se as pessoas realmente receberem a “Amoris Laetitia” [exortação apostólica sobre a família, divulgada em 2016, depois do sínodo dos bispos dedicado ao tema]. A “Amoris Laetitia” tem vários capítulos, tendo um eixo fundamental: a proposta familiar cristã, do princípio ao fim. Em cada capítulo, o Papa aborda a família, ou seja, o matrimónio como Jesus Cristo o propõe – insolúvel e fecundo. O Papa até tem o cuidado de dizer: é isto que eu quero.

Mas depois há o famoso capítulo VIII.

O Papa olha para a realidade como nós a olhamos: famílias que começaram tão bem e depois as coisas não continuaram assim, havendo rupturas e novas ligações ao sacramento. No capítulo VIII, o Papa insiste muito no discernimento das situações, algo que já vem de João Paulo II. O Papa aconselha a acompanhar as pessoas porque são pessoas baptizadas, membros da Igreja, nunca deixaram de ser. Há é uma questão de não coincidência sacramental, dado que o sacramento é viver sempre em Cristo. O Papa diz: vamos acompanhar essas pessoas, são membros da Igreja, porque elas próprias vão também progredindo na compreensão das suas vidas, o que foram e são agora. É, então, que diz, numa nota de rodapé, que, durante este acompanhamento de casos particulares, pode haver uma outra participação nos sacramentos. Mas, como estamos a ver, é um longo percurso...

Algum destes casos particulares já aconteceu na sua diocese?

Que eu tenha acompanhado, não. Aliás, devo dizer que na maioria dos casos que aparecem nesta casa, na Cúria Patriarcal de Lisboa, para serem acompanhados, em muitos casos não houve [validade do matrimónio]. As pessoas casaram, mas ou não tinham disposições ou não sabiam em consciência o que estavam a fazer ou havia impossibilidades físicas ou psicológicas para não ter existido o sacramento.

Agora, o Papa admite que haja alguns casos em que, mesmo não se podendo declarar a nulidade daquele matrimónio, com o andamento da vida, com a impossibilidade de regressar atrás, com a inocência das pessoas sem subjectividade de culpa, embora objectivamente a situação não seja regular, que se possa admitir os sacramentos. Mas, como estamos a ver, é um longo caminho que não é coisa para se resolver sem mais porque, no fundo, o que se quer é a coerência sacramental, vida em Cristo, que tem que ser uma só, e cada acto tem que coincidir com os outros.

A “DISTENSÃO” DO PAÍS AJUDA A RESOLVER PROBLEMAS

Viramos um bocadinho a página. Depois de anos de grande austeridade, o país tem hoje um quadro político onde quem preside distribui afectos, quem se governa diz-se optimista. Observando os sinais deste tempo, sente que houve uma viragem na sociedade portuguesa?

Houve. E explico porquê. Quando foram as últimas eleições, estivemos diante de resultados que deixaram muita gente perplexa – como é que isto agora se vai resolver? Há um partido que é o mais votado, mas que não tem votação suficiente para formar governo, mesmo aliado com o partido com que estava aliado antes – talvez fosse mais natural, atendendo ao que tinha acontecido até aí, que as alianças acontecessem no chamado arco governamental. Mas não foi assim e assim nasceu uma outra coligação, pelo menos no Parlamento, que sustenta o Governo, e as coisas têm andado e têm andado de uma maneira que, nalguns aspectos, é surpreendente e positivamente surpreendente. Baixar o desemprego é bom, diminuir a tensão social, a crispação, é bom; haver resultados, uns são de agora, outros são preparados antes, no campo do ensino, é bom; haver óptimas perspectivas em actividades como o turismo, é bom. Há aqui coisas boas, há alguns sinais de recuperação económica. A diminuição do défice, todas estas coisas são positivas...

Existe um tom mais optimista e menos crispado da sociedade?

Ajuda a resolver os problemas de outra maneira e oxalá que esta descripação também funcione quando há debates parlamentares ou outros, que as pessoas também se ouçam com mais calma, porque tudo diz respeito a todos e ainda há muitas coisas por resolver, complicadas e graves, a sustentabilidade deste processo, o que acontece em termos europeus, como vai ser o futuro da Europa, que é tão determinante para o nosso próprio futuro. Se houver mais distensão, estas coisas são mais fáceis de resolver.

Como é que a Igreja se enquadra nesta mudança de espírito?

Neste caso, a Igreja é todos os católicos presentes na sociedade e na actividade política. Podemos dizer que eles estão muito presentes numa série de sectores. Não é por acaso que no ano passado tivemos nomes católicos da Presidência da República ao secretariado das Nações Unidas. Os católicos situam-se num leque muito alargado e vão respondendo, de acordo com a perspectiva de cada um.

Está satisfeito com o contributo político dos cristãos em Portugal?

Já dei bons exemplos e podemos dar mais. Em todos os sectores da vida política e autárquica, existem óptimos casos de cristãos que levam a sério as suas convicções e que tentam servir as populações.

No terreno, a Igreja tem a percepção que a situação ainda continua muito complicada para muita gente ou há, de facto, uma melhoria?

Com certeza que há muita coisa para resolver até porque há outros factores, como quem perdeu emprego e está numa idade que não é fácil arranjá-lo outra vez, o envelhecimento da população, os prognósticos demográficos também não são grande coisa.

Há um enorme questionamento do presente para o futuro, que é já para o presente porque, com famílias menos numerosas, populações mais envelhecidas, gente no desemprego que não consegue recuperar o emprego dada a sua idade, tudo isto já hoje é uma problemática forte. É um bem que as pessoas estejam cá mais tempo, mas significa que temos de nos organizar de outra maneira. Se vamos cá estar até aos 80, 90, 100, vamos cá estar a fazer o quê, qual é o nosso enquadramento social, como é que nos vamos reorganizar para que essa etapa seja boa e feliz, com os condicionamentos próprios, mas também com as riquezas da sabedoria acumulada e as possibilidades de muita gente fazer finalmente aquilo que nunca pôde fazer antes? Tudo isto é bom, mas exige uma remodelação das expectativas e da vida da sociedade.

Nos últimos anos tem havido na Igreja um esforço de maior transparência nem sempre fácil, como, por exemplo, nas lentas reformas que o Papa tem vindo a desencadear na Santa Sé. A nível diocesano, a Igreja também necessita de ser mais clara, por exemplo nas finanças?

A vida da Igreja é... como é uma em que toda a gente se conhece, tem uma tradição muito familiar, baseia-se na confiança, que, em geral, funciona, nunca progrediu muito na manifestação pública do deve e do haver. Mas, enfim, se formos por aí, não temos nada a esconder.

Há uma tentação de se olhar para a Igreja como se fosse uma empresa ou uma instituição?

Há muita. Até o princípio da nossa conversa começou por aí. Há um certo desconhecimento do que é a realidade eclesial por dentro e quem a olha por fora classifica-a com os mesmos critérios que outro tipo de realidades. Mas, da nossa parte, não há dificuldade nenhuma de progredir para uma maior manifestação do deve e do haver. Estávamos habituados a viver mais familiarmente, isso é verdade.

O que diz às pessoas que por vezes se interrogam sobre o destino dos seus donativos?

Eu falo por mim como crente: se vou a uma comunidade e vejo uma caixa de ofertas, às vezes deixo a minha oferta porque tenho uma base de confiança e não tenho sequer a preocupação de saber onde é que ela vai ser usada. Eu confio.

Quer dizer que há uma crescente falta de confiança em geral das pessoas?

Sim, que depois também se repercute em relação à Igreja. Falando em geral, às vezes, essa desconfiança é justificada, pois há coisas que não correm como deviam ter corrido, como, por exemplo, no sector financeiro, onde as pessoas puseram as suas poupanças. Esta desconfiança, portanto, vai-se alargando e repercute-se em tudo.

Esta desconfiança desvia o essencial da Igreja? O Papa Bento XVI, quando esteve em Portugal, disse que aquelas perseguições da Primeira República purificaram muitas vezes a própria missão.

Devemos ser mesmo a única associação ou sociedade que sempre que se reúne começa por pedir perdão. É o que fazemos na missa: Senhor, tende piedade de nós.

POPULISMOS SÃO “MANIFESTAÇÕES DE SOCIEDADE DESINTEGRADA”

Como vê estas propostas políticas ditas de ruptura, descritas como populistas, que marcam o quotidiano?

Nas sociedades menos integradas, em que as pessoas são deixadas muito a si mesmas, quase como indivíduos sem relação, quase como números na aritmética política, a que só é pedido de vez em quando que se pronunciem, mas que não estão vinculados ao colectivo, ao comunitário, os descontentamentos ficam sem respostas. Então as pessoas ficam mais propensas para que apareça alguém que faça um slogan geral e mobilizador, que vai resolver tudo, mudar tudo, se formos atrás dele. Esses ambientes populistas são manifestações de uma sociedade desintegrada.

A tolerância pelo outro pode ficar ameaçada?

Onde nós não nos conhecemos também não nos reconhecemos. E onde não nos reconhecemos não nos respeitamos.

E por que razão isto não acontece em Portugal?

Porque, apesar de tudo, nós ainda nos conhecemos um bocado [risos]. Não precisamos de muita conversa para começar a localizar [quem é e de onde vem o outro]. É um grande benefício estarmos aqui. Somos a sociedade, em termos de fronteiras, mais definida da Europa. É mais fácil reconhecermo-nos e estarmos mais amparados.

Estamos amparados por quem?

Uns pelos outros. Este ano vamos ter as eleições autárquicas. Há quem diga que são as mais verdadeiras da sociedade porque as pessoas sabem em quem votam. Uma sociedade assim está mais imune aos populismos.

Os cristãos assumem politicamente, muitas vezes, os temas mais fracturantes, inclusive para contestar a fractura. Pensa que ficam para trás temas como a erradicação da pobreza e a degradação das relações de trabalho? São temas que não vêem tanto na agenda de políticos que se dizem católicos.

Mas olhe, repare que o sector da empresa e do trabalho é um dos está a crescer. Tive ocasião de participar em Novembro passado no primeiro congresso de profissionais católicos, aqui no Patriarcado. Alguns são precisamente do campo da gestão e da empresa. A ACEGE [Associação Cristã de Empresários e Gestores] vai de vento em popa em termos de participação e reflexão. Tem agora secções juvenis. Vê-se uma preocupação de ajustar o Evangelho às situações práticas do trabalho e do emprego. Eu próprio sou assistente de um grupo de “Cristo na Empresa” [projecto da ACEGE]. Isto vai germinando, vai lavrando.

Há outro tema que praticamente não faz parte do discurso político, e não só da Igreja, que é o da enclíclica do Papa “Laudato Si”, o ambiente. A Igreja pode fazer mais?

Estamos a preparar na Conferência Episcopal um documento a olhar para o prevenir dos incêndios. Estamos a preparar uma nota para consciencializar as comunidades cristãs da prevenção dos incêndios. E temos aquele que é talvez o maior movimento juvenil em Portugal, o escutismo católico. Estamos a falar de quase 100 mil pessoas em que essa formação ecológica já se faz há muito tempo – não foi preciso esperar pela “Laudato Si”.

Fala muitas vezes com o primeiro-ministro e o Presidente da República?

Não falo muitas vezes, mas acontece – já acontecia no Porto, aqui mais, pela proximidade. Acontece estarmos muitas vezes nas mesmas cerimónias, nos mesmos acontecimentos. Falamos do que temos a falar, de coisas como estas, da ecologia, da sociedade. É natural que quem está nas posições mais centrais da vida do país queira ouvir a opinião de quem tem um serviço...

Também falam das questões mais fracturantes?

Em relação a isso, as nossas posições são muito claras. Muitos dos que estão na vida política concordam com elas. Agora, resolvem-se na sociedade.

Faz parte da história dos 80 anos da Renascença, também como radialista. Tem saudades de fazer rádio?

Tive aqueles 12 anos sem falhar um domingo presente na Renascença... [risos]. Foi muito bom, em especial pelo contacto com as pessoas. Recordo-me que, a certa altura, aquilo estava a ser ouvido por 100 mil pessoas ao domingo de manhã, uma hora um bocadinho inóspita, e recordo-me que 10% [estavam] entre os 18 e os 20 anos. Aquilo tinha muita vitalidade, muita actualidade. Disso tenho pena. Mas enfim: daqui por seis anos faço 75 e, se o Papa da altura me dispensar destas funções, volto à rádio [risos].

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  • Mae
    25 abr, 2017 Sintra 20:13
    Vale mt apena ler e comentar!
  • José deMoura Braga
    10 abr, 2017 Vila do Porto 22:43
    A nossa Igreja portuguesa está muito longe do Evangelho e muito distante do Papa Francisco. O nosso Cardeal tem demonstrado esse afastamento. Jesus Cristo chamou no seu tempo a atenção para os fardos que os fariseus colocavam sobre os outros, e chamou-lhes.. ...... Deus é um Deus de Amor e não um juiz, mas infelizmente temos muitas regras não Evangélicas, o que permite aos "chefes" julgarem em nome de Deus. Jesus Cristo foi muito humilde, não precisou de ostentar "riqueza" para fazer passar a sua mensagem nem nenhum curso Universitário.
  • Joaqum Santos
    10 abr, 2017 Portugal 18:46
    --- Nossa Senhora Mãe da Bondade em 1/11/2015 em S. Marcos da Serra ao vidente Fernando Pires --- "Há um político que se governar o vosso país, irá deixar a vossa nação mais abalada, e deste abalo, irá começar um período muito crítico para Portugal. Muita coisa nova irá acontecer. Homens, mulheres e crianças irão sofrer consequências justas e injustas, provocadas por erros. Em Fátima meus filhos alertei o mundo inteiro do perigo da ideologia comunista, vos avisando que esta se espalharia pelo mundo todo. A Igreja do Meu Filho Jesus, por várias vezes, já condenou o comunismo e o socialismo, de sorte que um católico fiel não pode jamais apoiar qualquer forma de socialismo, marxismo ou comunismo, nomes diferentes para o mesmo mal ou o mesmo veneno. Vou relembrar-vos novamente as minhas palavras em Fátima. Alertai-vos :” Se atenderdes aos meus pedidos a Rússia se converterá e terão Paz. Se o não fizerdes a Rússia espalhará os seus erros pelo mundo, promovendo guerras e perseguições à Igreja. Os bons serão martirizados… Mais uma vez, meus filhos, os meus pedidos não foram atendidos, e o comunismo, o marxismo ou socialismo, se espalhou como uma terrível peste pelo mundo todo. Para se evitar todo este mal meus filhos, é preciso rezar muito o meu Rosário (o terço), fazer penitência, ter devoção ao Sagrado Coração de Jesus Cristo e ao Meu Imaculado Coração." Caso este comentário seja cortado a RR pagará, junto de Deus e dos Portugueses, pela sua atitude.