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Dia negro para cristãos no Egipto. Duplo atentado faz pelo menos 44 mortos

09 abr, 2017 - 09:32

Dois ataques, um na cidade de Tanta e outro em Alexandria, deixaram dezenas de feridos e já constituem o pior atentado contra cristãos coptas dos últimos anos. Papa Francisco tem prevista uma visita ao Egipto, ainda este mês, e já lamentou o atentado, reivindicado pelo Estado Islâmico.

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Momento da explosão na igreja em Alexandria, no Egipto
Momento da explosão na igreja em Alexandria, no Egipto

Pelo menos 44 pessoas morreram e uma mais de 100 ficaram feridas depois de duas explosões em igrejas no Egipto.

A primeira teve lugar na Igreja de São Jorge na cidade de Tanta, no Egipto, no delta do Nilo, a cerca de 100 quilómetros do Cairo e fez pelo menos 25 mortos. Poucas horas depois um bombista suicida fez-se explodir na Catedral de São Marcos, em Alexandria, matando onze pessoas, incluindo três polícias, e ferindo mais de 20. O líder da Igreja Copta, o Papa Tawadros II, estava dentro da Catedral de Alexandria no momento do atentado, mas que escapou ileso, de acordo com o ministro do Interior do Egipto. Segundo pelo menos uma jornalista árabe, foi um polícia que evitou que o bombista suicida conseguisse aceder à Igreja. Esse agente é um dos três que morreu na explosão que se seguiu.

Os ataques foram reivindicados pelo autoproclamado Estado Islâmico.

O Presidente do Egipto Abdel Fattah al-Sisi, que ainda este domingo vai visitar o local dos atentados, já autorizou o envio de militares para o terreno para apoiar a polícia na defesa de instalações vitais.

Os ataques surgem a 19 dias da visita do Papa Francisco a Cairo e no dia em que os coptas se preparam para celebrar o Domingo de Ramos e entrar na Semana Santa. Os Coptas não seguem o calendário gregoriano, mas este ano a data da Páscoa coincide com a da Igreja Católica Romana.

Ainda não há muitos detalhes sobre mais este atentados, mas vêm na sequência de uma onda de perseguição aos cristãos coptas na região do Sinai, onde o Estado Islâmico tem uma presença forte.

O número de mortos dester duplo atentado ultrapassa assim o de um dos ataques mais mortíferos contra a comunidade copta nos últimos anos, em Dezembro de 2016, que fez 25 mortos e dezenas de feridos.

Um vídeo divulgado no Twitter por uma cadeia de comunicação árabe alega mostrar o momento da explosão. A Renascença não consegue confirmar a veracidade do registo que mostra parte de uma celebração copta. A dado momento a imagem apaga-se e ouve-se uma explosão seguida de gritos.

Adel Sidarus, professor egípcio na Universidade de Évora, considera que estes ataques aos cristãos coptas podem “pôr em causa a visita do Papa Francisco” ao Egipto no final do mês de Abril. “O Estado não está capaz de assegurar a segurança dos seus cidadãos em geral e dos cristãos em particular”, disse.

Os “cristãos hão-de ser sempre o elo mais fraco da sociedade islâmica”, acrescenta Adel Sidarus, também ele cristão copta, até porque os radicais islâmicos entendem que os cristãos estarão sempre “aliados ao ocidente”.

Ao longo dos últimos anos as comunidades cristãs no Egipto têm sido frequentemente alvo de atentados e perseguição por parte de fundamentalistas islâmicos. Os coptas, como são conhecidos os cristãos egípcios, são uma minoria naquele país mas ainda assim representam cerca de 10% da população e constituem a maior comunidade cristã de qualquer país do Médio Oriente. A esmagadora maioria dos coptas pertencem à Igreja Copta Ortodoxa, que se separou de Roma no século V. Uma pequena minoria pertence à Igreja Copta Católica, que se encontra em comunhão com Roma.

O Papa Francisco comentou o primeiro atentado, no final da missa de Domingo de Ramos, esta manhã no Vaticano. Francisco fez chegar as suas condolências ao Papa Tawadros, líder da Igreja Copta Ortodoxa, e ao povo egípico e pediu a Deus que "converta o coração das pessoas que disseminam o terror, a violência e a morte bem como o coração dos fabricantes e traficantes de armas". Pouco depois chegaria a notícia do ataque em Alexandria.

O Presidente da República português enviou uma mensagem de condolências ao Presidente da República Árabe do Egito, Al-Sisi, no qual condena os "bárbaros ataques".

"Condeno veementemente estes bárbaros ataques bem como todas as manifestações de intolerância religiosa", refere a mensagem de Marcelo Rebelo de Sousa, divulgada no site da Presidência da República na Internet e enviada ao homólogo egípcio a partir de Cabo Verde, onde está o chefe de Estado português se encontra em visita de Estado.

"Neste momento difícil, quero transmitir a Vossa Excelência, em meu nome e em nome do povo português, toda a solidariedade para com o povo egípcio e, de modo particular, com as famílias das vítimas a quem dirigimos, através de Vossa Excelência, os sentimentos do nosso sentido pesar", acrescenta o Presidente da República.

O Governo português também já reagiu a este atentado. "Em meu nome e do governo português, condeno aqui os ataques no Egipto e expresso o nosso profundo pesar pelas vítimas", escreveu António Costa na sua conta no Twitter.

Num comunicado, o Ministério dos Negócios Estrangeiros referiu também que "o Governo Português condena firmemente os atentados que hoje causaram a morte a mais de 20 pessoas e feriram pelo menos 70 que se encontravam reunidas para celebrar o Domingo de Ramos nas igrejas coptas de Mar Gigis, em Tanta, e de São Marcos, em Alexandria, no Egipto".

Altas figuras do mundo cristão, incluindo o arcebispo Angaelos, da Igreja Copta no Reino Unido e o arcebispo de Cantuária, líder espiritual da Igreja Anglicana, também já lamentaram este acontecimento.

Homenagens aos polícias que deram a vida para proteger a Catedral de São Marcos, em Alexandria

[actualizado número de vítimas às 18h23]

Comentários
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  • Fernando Saraiva
    09 abr, 2017 Porto 23:03
    Sra Isabel. Você assim como outros têm as suas crenças Você pensa que nós somos produto da evolução porque simplesmente voce escolheu acreditar nisso. Eu conheço a teoria da evolução, fiz o percurso da área coentifica da escola secundária. Mas conheço também a proposta do criacionismo, da existencia de um Deus criador que dá mandamentos e leis para nos orientarmos. Leis de moral como não matar, não roubar, honrar pai e mãe, não adulterar, não dar falso testemunho, amar o próximo como a nós mesmos. Acaso haverá maior verdade que esta? Eu escolho acreditar nisto. Escolho acreditar que realmente fomos criados e instruidos pelo Deus de Abrahão, Isaac e Jacó para o bem. Fomos instruidos por Cristo o filho de Deus que nos disse algo fundamental para esta sociedade: fazer aos outros o que gostariamos que nos fizessem a nós. Quanto a interesses não terá também a senhora interesses quando pede às pessoas, no seu discurso, que deixem de acreditar nas suas crenças para acreditarem nas crenças da Sra Isabel? Acredito que todos nós tenhamos interesses. Uma coisa também existe: cada um de nós tem o poder de escolha. E todos nós temos o nosso nivel de ignorancia. Eu admito que sou ignorante em muita coisa e que erro em muita coisa. Tenho desejos de ganancia, de arrogancia e ,prepotencia, achar-me mais sábio e melhor que os outros. Cabe-me a mim procurar seguir o que Cristo ensina (ensinamentos que às vezes são uma "cruz") com esperança de vir a ser melhor pessoa...
  • Francisco Torres
    09 abr, 2017 Viana do Castelo 20:38
    Mais umas mortezinhas de cristãos às mãos de uns maluquinhos, que até são maus muçulmanos, porque o Islão é tudo menos violência. Nós os cristão temos que ter coragem e força para sermos mortos como ovelhas, e rezar, rezar na esperança que não nos matem. O problema é que os muçulmanos seguindo o seu livro Quran, matar infiéis até debaixo da pedras, estão em força na sua senha de subjugação e conquista para constituir o Califado Mundial. E todo com o apoio dos políticos Eurostalinistas europeus e democratas dos Estados Unidos. Vejam como os mídia tratam os últimos ataques, como mortes de inocentes, sempre com o fito de branquear as acções dos muçulmanos!!!!...Uns matam e os outros apoiam!!!
  • O LIVRO DE HISTÓRIA
    09 abr, 2017 BIBLIOTECA 18:58
    Quem foi Maomé. “Nasceu em Meca, de pai gentio e mãe judia. Errando em busca de fortuna, encontrou-se com uma viúva, que o nomeou seu procurador e casou-se com ele. A religião que pregava era uma mistura de paganismo, judaísmo e cristianismo. Ainda que admita um só Deus, não reconhece a Jesus Cristo como filho de Deus, mas como seu profeta. Como dissesse com alarde que era superior a Cristo, instavam com ele para que fizesse milagres como Jesus; porém ele respondia que não tinha sido suscitado por Deus para fazer milagres, mas para restabelecer a verdadeira religião mediante a força. Ditou suas crenças e com elas compilou um livro que chamou Alcorão, isto é, livro por excelência; narrou nele o seguinte milagre, ridículo em sumo grau. Diz no Alcorão: “Sim, aqueles que dizem Deus é o Messias, filho de Maria, são ímpios. Sendo conhecido por homem perturbador, seus concidadãos trataram de dar-lhe morte; retirou-se para Medina com muitos aventureiros que o ajudaram a apoderar-se da cidade. Esta fuga de Maomé se chamou Egira, isto é, perseguição; e desde então começou a era muçulmana, correspondente ao ano 622 de nossa era. O Alcorão está cheio de contradições, repetições e absurdos. Não sabendo Maomé escrever, ajudaram-no em sua obra um judeu e um monge apóstata da Pérsia chamado Sérgio. Como o maometismo favorecesse a libertinagem teve muitos sequazes; e como pouco depois se visse seu autor à frente de um formidável exército de bandidos, com armas introduzi-o no Oriente.
  • carls
    09 abr, 2017 estão 18:30
    quem os apoia que os ature
  • João
    09 abr, 2017 Vila Real 18:19
    Curioso como nunca se ouve falar de cristofobia, mas fala-se permanentemente em islamofobia. Claro que esta última também existe, mas longe da escala da cristofobia, que o politicamente correcto reinante se apressa a atirar para o canto. Para a "isabel2, que pede que "se acabem com as religiões", recordo que os ateus de que tanto deve gostar mataram milhões e fizeram autênticas barbaridades nos últimos cem anos. Querer acabar com as religiões é ser-se tão fanático como os tarados do Daesh, que querem acabar com tudo que não seja a sua noção de islão.
  • Ht
    09 abr, 2017 Lisboa 17:43
    Já há vários anos (mais intensamente na última década) que os Cristãos andam a ser perseguidos e mortos um pouco por todo o mundo,essas notícias é que não são divulgadas.Com a quantidade de radicais islâmicos a aumentar em solo europeu eu diria que isto só vai piorar nos próximos anos...depois fala-se em xenófobia...o termo fobia significa um medo irracional de algo....e aqui não uma questão de medo é uma questão de sobrevivência.
  • Pedro
    09 abr, 2017 Lx 15:13
    Ate quando assistiremos, como se nada fosse e sob permanente ameaca e chantagem do slogan racismo, a aniquilacao, politicamente organizada, da civilizacao occidental crista pela barbarie imunda?
  • VIRIATO
    09 abr, 2017 CONDADO PORTUCALENSE 14:34
    Dia negro para os jornaleiros e para os amantes destas civilização bárbara, que censuram os meus comentários aqui e noutros forums e para os atrasados mentais do politicamente correcto que mais não são do que parasitas deste sistema corrupto e putrefacto. Vou dizer outra vez ...para bem de vocês...traidores, rezem para que estes atentados não cheguem ao meu país...benzam-se bem e vão metendo velinhas em Fátima....TRAIDORES E PARASITAS.
  • Isabel
    09 abr, 2017 Braga 14:32
    De uma vez por todas: não existem deuses, nenhum deles, nem cristão, nem muçulmano, nem judeu. Deus foi a explicação para o que não se compreendia, como quando temos uma dor de barriga e dizemos, se calhar foi disto ou daquilo. Atualmente não tem justificação acreditar em deuses. Somos o resultado da evolução deste planeta e dele fazemos parte como uma arvore, um peixe ou um gato. Acabem com religiões de uma vez por todas. Infelizmente os interesses de meia dúzia sobrepõem-se aos interesses de milhões e não se diz a verdade às pessoas. A ignorância por um lado e a ganância por outro são os maiores males do mundo.
  • machado
    09 abr, 2017 viseu 14:22
    A culpa é toda nossa, ocidentais, cristaos, pois nao sabemos compreendelos e acolher com dignidade e respeito ...é tudo q pedem