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Colaborar com muro de Trump é traição, diz arcebispo mexicano

28 mar, 2017 - 20:01 • Filipe d'Avillez

Xenofobia, ódio, mutilação e divisão são alguns dos adjectivos usados pela Igreja mexicana para descrever o muro que Donald Trump quer construir. Mas as maiores críticas são dirigidas aos mexicanos que colaborem.

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Os mexicanos que colaborarem com a construção do muro que Donald Trump quer edificar na fronteira com o México são traidores à pátria, considera o Cardeal Norberto Rivera, arcebispo da Cidade do México.

A posição da igreja mexicana surge nas páginas do semanário “Desde La Fé”, que pertence à arquidiocese e um porta-voz já disse que as posições do jornal reflectem as do arcebispo.

“Trump adjudicou dois mil milhões de dólares para a construção do muro, o qual deve reunir características sólidas de infra-estrutura e de estética suave para esconder, por detrás da pintura e das luzes, o ódio, a mutilação e a divisão”, escreve o jornal.

Logo de seguida lê-se que “o lamentável é que, deste lado da fronteira, haja mexicanos prontos a colaborar com um projecto fanático que aniquila a boa relação e o concerto de duas nações que partilham uma fronteira”.

Nos últimos dias algumas empresas de capital mexicano disponibilizaram-se para participar nas licitações, e oferecer técnica e perícia para encarregar-se de aspectos específicos da construção do muro da ignomínia, fornecendo cimento, materiais, iluminações e pintura. Sob a capa de serem companhias geradoras de empregos, estas empresas procuram obter lucros, sem se preocupar com as consequências, consolidando a sua presença no ramo em que trabalham. Não se trata de dois ou três, mas de mais de 500 empresas”, diz o editorial, concluindo que “para elas, os fins justificam os meios”.

O jornal da arquidiocese critica o Governo pela sua “tibieza” na resposta a estas empresas, apesar de o Governo ter dito que quem colabora com o muro age “contra os seus interesses”, mas o editorial do “Desde la Fé” vai mais longe e diz que associar-se a um projecto que atenta contra a dignidade das pessoas equivale a “dar um tiro no pé”.

Acusando a administração de Trump de xenofobia e de se considerar superior ao México, o editorial termina dizendo claramente que os donos e accionistas de qualquer empresa que colabore com o “muro do fanático Trump” deverão ser considerados “traidores à Pátria”.

A Igreja Católica tem sido crítica dos planos de Donald Trump no que diz respeito ao muro, tanto do lado mexicano como do lado americano da fronteira, mas o Presidente está determinado a prosseguir com os seus planos.

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  • jose
    28 mar, 2017 Lousada 22:15
    O Sr. arcebispo poderia, na sua luta contra os muros, começar por fazer campanha contra o muro que o México construiu na fronteira com a Guatemala.