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Missões universitárias são exemplo para seguir na Europa

27 mar, 2017 - 17:10 • Filipe d'Avillez

Agentes pastorais de toda a Europa encontram-se durante quatro dias em Barcelona para discutir o acompanhamento dos jovens, tema que será também discutido no próximo sínodo dos bispos, em 2017.

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As missões universitárias que se realizam em vários pontos de Portugal são um exemplo positivo a seguir pelo resto dos países europeus, considera o padre Duarte da Cunha, secretário da Confederação das Conferências Episcopais Europeias (CCEE).

“Pedimos a cada conferência episcopal que nos mandasse as melhores experiências que existem e também experiências internacionais, que estejam presentes em vários países. De Portugal recebemos a especificação exactamente das missões universitárias, que tenho a certeza que é uma experiência que tem a originalidade e tem tido uma eficácia que faz pensar”, diz.

“Há muitas experiências muito giras, mas esta coisa concreta da universidade em Portugal, que tem sido um factor para o tema da religião, do sentido da fé e da vida entrar na normalidade da vida universitária, e penso que é muito interessante e espero que haja ocasião, neste simpósio de a explicar e mostrar.”

A CCEE realiza um encontro a partir de terça-feira em que participam os agentes pastorais que mais acompanham os jovens, de todas as idades, com o objectivo de traçar o panorama geral da situação da pastoral juvenil na Europa.

“Todos os anos organizamos encontros com os responsáveis nacionais da Pastoral Universitária, outro encontro da pastoral escolar, outro com os directores da catequese e outro com a pastoral vocacional. A originalidade deste simpósio é que vamos ter ao mesmo tempo pessoas de todos estes campos e ainda da pastoral juvenil, para abordar o tema comum do acompanhamento dos jovens, que todas estas áreas têm em comum: O que é acompanhar, quem acompanha, como é que se acompanha nos tempos de hoje, com os desafios de hoje. É uma experiência nova mas única, não é para se repetir, mas é para aumentar as sinergias”, explica o padre, em declarações à Renascença.

Lembrando que existem grandes diferenças entre os diferentes países europeus, a nível de vivência social, famílias e mesmo a abordagem e a importância das redes sociais, o padre Duarte diz que “tudo isto são desafios que temos de ter em conta, sobretudo quando nos confrontamos com a evangelização, o anúncio de Jesus Cristo, a formação das pessoas com o sentido da vida”.

Entre os vários assuntos a discutir estará também a liberdade de educação, diz o secretário da CCEE, embora também aí haja grandes diferenças pela Europa fora. “É um problema das famílias poderem ter nas escolas uma sintonia com os seus valores, a sua perspectiva de vida, e há vários países onde isso é discutido. Interessantemente em países muito laicizados, como é a Holanda ou a Bélgica, há uma liberdade total, mas às vezes é a própria Igreja que já tem uma proposta muito homologada com as outras, portanto no fundo não basta ser proprietária de uma escola, é preciso haver um ensino que seja original, que seja específico, que tenha a marca da experiência católica”, diz.

“Nos nossos países do Sul da Europa, Portugal, Espanha, Itália e França, este tema da liberdade educativa é muito forte, sobretudo agora que entra também, além do Estado querer cada vez mais homologar e orientar os estudos, ser também veículo de algumas ideologias, como a ideologia do Género, ou do individualismo, que faz com que depois as famílias e a Igreja tenham vontade e urgência de ter uma proposta alternativa, e isso cria também algumas tensões.”

Os trabalhos dos 260 participantes terão por base os textos preparativos do sínodo dos bispos de 2018, que versa precisamente sobre os jovens.
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