O site da Renascença usa cookies. Ao prosseguir, concorda com o seu uso. Leia mais aqui.
A+ / A-

Prisão de Caxias. Guardas em greve contra a falta de segurança

21 mar, 2017 - 00:02

Guardas iniciaram à meia-noite de terça-feira uma greve de 72 horas contra o facto de "nada ter sido feito" na cadeia desde a evasão de três reclusos no mês passado.
A+ / A-
Fuga de Caxias. Portugal comunicou, Espanha não recebeu?
Fuga de Caxias. Portugal comunicou, Espanha não recebeu?

Os guardas do Estabelecimento Prisional de Caxias iniciaram às 00h00 desta terça-feira uma greve de três dias em protesto pela falta de condições de trabalho e de segurança da prisão de onde fugiram três reclusos no dia 19 de fevereiro.

O presidente do Sindicato Nacional do Corpo da Guarda Prisional (SNCGP) referiu à agência Lusa que a greve, que se prolonga até às 24h00 de quinta-feira, visa protestar contra o facto de "nada ter sido feito para melhorar a segurança" da cadeia desde a evasão dos três reclusos, dois chilenos e um português, o último dos quais ainda a monte.

Jorge Alves indicou que continua por cortar o canavial que existe junto à prisão e que poderá ter ter facilitado a fuga dos reclusos, apesar de nos últimos dias terem ido ao local elementos da Proteção Civil. Quanto à deficiência das luzes em redor do estabelecimento prisional, outros dos aspetos de segurança a corrigir e a melhorar, também não está resolvido.

O presidente do SNCGP revelou ainda que o sistema de rádio "não foi ainda implementado" na prisão e que as câmaras de videovigilância, que estão "prometidas e orçamentadas", continuam atrasadas e sem data de instalação.

Resolvida está, porém, a situação da Torre 6, de vigilância, que foi ativada a semana passada, melhorando assim a segurança da cadeia.

Além das questões de segurança, os guardas prisionais de Caxias queixam-se da falta de condições de trabalho e alojamento, devido ao mau estado das camaratas, com humidade e colchões que não são substituídos há 20 e 30 anos.

Jorge Alves reconheceu, contudo, que algumas alterações recentemente introduzidas pelo diretor da cadeia, designadamente nos critérios de visita aos reclusos, foram bem acolhidas pelos guardas, porque o anterior sistema estava em desconformidade com a lei.

A 8 de Março último, o SNCGP realizou uma vigília diante da Direcção-Geral de Reinserção e Serviços Prisionais (DGRSP) em protesto contra as declarações do diretor-geral dos serviços prisionais, Celso Manata, sobre a fuga de reclusos da cadeia de Caxias.

As declarações de Celso Manata ao semanário Expresso, em 25 de fevereiro, causaram mal-estar entre os guardas prisionais porque, conforme Jorge Alves explicou na altura, "só apontava para as hipóteses de a fuga ter sido possível por ter havido corrupção, dolo ou negligência dos guardas" do Estabelecimento Prisional (EP) de Caxias, em Oeiras.

Os três reclusos fugiram através da janela da cela que ocupavam, tendo dois sido capturados em Espanha. O fugitivo português continua fugido das autoridades.

A fuga resultou na instauração de um processo de averiguações, a cargo do Serviço de Auditoria e Inspeção da Direcção-Geral e a PJ também está a investigar o caso.

Nos últimos cinco anos fugiram 52 reclusos das cadeias portuguesas.

Comentários
Tem 1500 caracteres disponíveis
Todos os campos são de preenchimento obrigatório.

Termos e Condições Todos os comentários são mediados, pelo que a sua publicação pode demorar algum tempo. Os comentários enviados devem cumprir os critérios de publicação estabelecidos pela direcção de Informação da Renascença: não violar os princípios fundamentais dos Direitos do Homem; não ofender o bom nome de terceiros; não conter acusações sobre a vida privada de terceiros; não conter linguagem imprópria. Os comentários que desrespeitarem estes pontos não serão publicados.