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Futuro pós-Brexit prevê-se entre a desconfiança e os acordos sensatos

20 mar, 2017 - 23:49 • Inês Alberti

A Renascença perguntou a responsáveis dos dois lados da campanha o que esperam do país daqui a cinco ou dez anos.
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Nove meses depois do referendo em que o Brexit venceu, está marcada a data para o passo que vai concretizar o resultado. A 29 de Março, segundo anunciou esta segunda-feira um porta-voz da primeira-ministra britânica,o Reino Unido vai pedir formalmente a saída da União Europeia.

A Renascença perguntou a responsáveis dos dois lados da campanha o que esperam do país para daqui a cinco ou dez anos.

O director da campanha “Britain Better for Europe” admite que a relação da Grã-Bretanha com a União Europeia se possa tornar desconfortável. “Continuo a ser ‘alguém que quer ficar’. Mas, se sairmos, a maior parte de nós não sabe o que é que isso realmente significa.”

“É muito difícil ver através da bola de cristal”, diz Tim Skeet, que tem alguma esperança em que “as coisas” se componham.

“A nossa relação com a Europa vai ser particularmente desconfortável. Daqui a cinco anos eu gostava de acreditar que de alguma maneira se tivesse conseguido compor as coisas de forma significativa; que tivessem sido criadas algumas alternativas construtivas, úteis, interactivas entre todos os povos da Europa.”

“Porque nós temos interesses comuns”, continua. “Podemos não partilhar a língua e podemos ter algumas diferenças nas nossas culturas. Mas quando nós viajamos pelo mundo, quando já estivemos em tantos lugares exóticos e vemos a riqueza da diversidade do Homem, voltamos para a Europa e sabemos que pertencemos a um grupo com quem partilhamos muito.”

“Devemos compreender melhor de onde é que vimos, o que é que alcançámos e onde é estamos. E não voltarmos ao que éramos no passado”, disse à Renascença o director da campanha “Britain Better for Europe”.

Já do lado do Brexit, Matthew Ellery espera um país com mais participação democrática.

“O que quero é um controlo democrático do meu Governo. Quero que as pessoas comecem a ouvir aquilo que penso. E esta é a altura ideal - não apenas para dizer ‘isto é o que penso acerca de certas coisas que estão a acontecer’ - mas também significa que o poder volta para as pessoas”, acredita este defensor da saída do Reino Unido da União Europeia.

Daqui a cinco ou dez anos Matthew Ellery diz que “gostava de ver o Reino Unido como um país internacional, a comercializar com o mundo, em vez de o fazer apenas com um continente”.

“É muito melhor para o Reino Unido. Seria bom para o nosso PIB se começássemos a comercializar mais; as pessoas do país seriam mais ricas. O que eu gostava de ver e tenho quase a certeza de que vai acontecer, é que os representantes da Câmara dos Comuns vão começar a ouvir todas as pessoas de todos os lados do Reino Unido e permitir-lhe moldar as leis sob as quais elas vivem”, disse à Renascença.

Já quanto à imigração, acredita que o país vai continuar a ser tolerante, mas agrada-lhe que os europeus deixem de ser privilegiados. “Acreditamos numa política não discriminatória.”

“Não consigo ver a lógica de uma política de imigração que favorece uma pessoa pela mera coincidência desta viver na Polónia, por exemplo, sobre uma outra que nasceu por acaso na Índia. Tratar as duas pessoas de maneira igual. Sim, isso pode significar regras mais apertadas para os cidadãos do Reino Unido que querem ir para a Europa, mas isso também significa que o Reino Unido vai ter controlo sobre a política de imigração.”

“Tenho a certeza que quando sairmos na União Europeia, e fizermos um acordo do Brexit, haverá uma política de imigração sensata e um acordo sensato entre o Reino Unido e a União Europeia”, sublinha Matthew Ellery.


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