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José Pereira

"Chicotadas psicológicas". "Se os dirigentes tivessem de pagar despedimentos do seu bolso, não aconteciam tantos"

20 mar, 2017 - 18:16

Presidente da Associação Nacional de Treinadores de Futebol critica postura dos clubes. Primeira Liga desta época já registou 15 mudanças de treinadores. 13 foram despedimentos.
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O presidente da Associação Nacional de Treinadores de Futebol (ANTF) lamenta o elevado número de "chicotadas psicológicas" e aponta o dedo, em Bola Branca, aos dirigentes dos clubes, acusando-os de falta de respeito.

15 mudanças de treinador, na presente temporada na Primeira Liga, duas voluntárias e 13 forçadas. É este o saldo de uma das épocas mais movimentadas nos bancos das equipas do principal escalão do futebol português.

Augusto Inácio é a mais recente vítima dos maus resultados. O Moreirense rescindiu com o técnico após oito jornadas sem vencer e dois meses depois da conquista da Taça da Liga, apressando-se a contratar Petit.

José Pereira, líder da associação nacional da classe, considera que haveria menos "chicotadas" se os dirigentes pagassem do seu próprio bolso as rescisões dos treinadores.

"Estes números reflectem aquilo que é a falta de atenção e de cuidado, para não dizer falta de nível dos próprios dirigentes. Quando convidamos alguém para exercer funções debaixo da nossa orientação devemos ter cuidado de saber quem contratamos, quais são as suas características, o que é que nos podem emprestar em termos de trabalho e, porventura, a maior parte escolheu mal ou de acordo com o que não era a sua pretensão, porque não conhecia tão bem o perfil do treinador", dispara.

E prossegue: "O perfil do treinador às vezes não se adapta ao perfil da equipa, ao perfil dos dirigentes e há que ter algum cuidado que, neste momento, me parece que está a haver pouco, no sentido de ir ao encontro das pessoas de determinadas funções. O futebol é universal mas cada equipa, cada clube tem as suas características específicas e, portanto, há que saber escolher o treinador bem, além de que é uma falta de respeito o clube contratar o treinador e, passado duas ou três semanas, despedi-lo. Se como antigamente, tivessem que pagar do bolso deles estes despedimentos, não aconteciam tantos".

Com a saída de Inácio e entrada de Petit no Moreirense são agora 15 as mudanças de treinador na Primeira Liga. Duas por opção, dos técnicos Lito Vidigal, que foi para o Maccabi Telavive e de Jorge Simão, que saiu do Desportivo de Chaves para ingressar no Sporting de Braga. 13 mudanças ficaram a dever-se aos resultados.

Ora, somente cinco clubes - Benfica, FC Porto, Sporting, Vitória de Guimarães e Vitória de Setúbal – não mudaram de treinador na presente época. Um dado residual que motiva José Pereira a elogiar a estabilidade deste quinteto.

"São clubes com estabilidade, que têm nos seus dirigentes pessoas como muita idoneidade e que provavelmente tiveram o devido cuidado ao escolher os seus treinadores. E, por consequência disso, não têm tido dificuldades que apontem para que haja qualquer tipo de rescisão. Estão satisfeitos com o trabalho desenvolvido porque escolheram de acordo com a competência dos treinadores e de acordo com aquilo que pretendiam para os seus clubes", salienta.

Apesar das várias mudanças de treinador no principal escalão do futebol português, José Pereira rejeita a ideia de uma imagem beliscada dos técnicos portugueses.

"Ainda agora continuamos a ser valorizados em termos internacionais", relembra. "Nos oitavos-de-final e no início, quer da Liga dos Campeões quer da Liga Europa, Portugal era o país mais representado em número de treinadores. E, a nível de selecções, tem cinco ou seis seleccionadores a nível internacional. Portanto, isto atesta bem a qualidade dos treinadores portugueses. Não é esta irresponsabilidade dos dirigentes que pode afectar a competência e a grande categoria dos treinadores portugueses", completa.


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