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​E se "Os Lusíadas" não tivessem sido escritos por Camões?

23 fev, 2017 - 06:37 • Maria João Costa

Novo livro de Mário Cláudio descobre as várias facetas da vida de Camões.
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“Os Naufrágios de Camões” é o novo livro de Mário Cláudio. O escritor do Porto lança esta quinta-feira no Festival Literário Correntes d'Escritas a obra editada pela Dom Quixote. No livro que fala sobre as várias facetas da vida de Camões há uma interrogação inquietante sobre a autoria de “Os Lusíadas”.

Em entrevista à Renascença, o autor explica que neste livro parte à descoberta de Camões, não só enquanto escritor, mas também como homem.

Mário Cláudio aborda também a questão da autoria de “Os Lusíadas”, defendendo a tese de que não foi Camões a escrever a obra na integra.

Quem é este Camões que descobrimos neste livro?

Este livro é algo que está a meio caminho entre a fantasia literária e o ensaio provocatório. Trata-se de analisar a figura do Camões em três perspectivas diferentes, mas todas elas coincidentes na rejeição da imagem que se tem de Camões como um herói impoluto, transformado em estátua de bronze, cheio de “patine”, com cocó de pombo. Esse é o Camões que nos impingiam quando tínhamos de o ler no Secundário. Camões foi muito mais do que isso. Para além de ter sido genial, teve uma vida genial. Apesar dessa genialidade ter sido muitas vezes pontuada pela perversidade, o desastre, pela má feitoria. Era um valdevinos de maus costumes. Não era um seguidor dos costumes daquela época. Cometeu uma série de tropelias, desde o homicídio até ao insulto. E foi um grande viajante, na maior parte dos casos, um forçado viajante porque foi condenado ao degredo mais do que uma vez. E acabou por ter uma morte quase anónima

Por aquilo que diz, este livro mistura ficção e factos verdadeiros. É uma fronteira ténue?

Aquilo que eu gostava que as pessoas retirassem é que Camões é uma figura mais simpática do que aquilo que nós pensamos porque é de carne e osso e não de bronze. Não é um espantalho. Escreveu cartas, cometeu erros. “Erros meus, má fortuna, amor ardente”... Escrevia aquilo que fazia parte da estética da época.

Terá sido ele a escrever a obra “Os Lusíadas”?

A questão que o livro põe é que o texto final de “Os Lusíadas” não seria, pelo menos na integra, da mão de Camões. Teriam andado ali outras mãos. É uma tese como outra qualquer, mas a verdade é que não podemos esquecer que Camões se aproveitou muito de textos de outras pessoas. Até de poetas clássicos. As pessoas sabem que o primeiro verso de “Os Lusíadas” é uma tradução quase palavra a palavra do primeiro verso da Eneida. Isso fazia parte dos códigos criativos da época.

Neste novo livro há também a presença do escritor Mário Cláudio?

Está sempre. O Camões é visto pelos olhos de um narrador que pode coincidir comigo e de outros narradores, um deles inventado e outro que foi uma figura real, um investigador chamado Richard Burton que foi tradutor de “Os Lusíadas” e da lírica para inglês. Ele foi um grande estudioso da obra de Camões. Via no Camões um mestre. Como ele disse várias vezes, um mestre de vida, mais do que um mestre de escrita.

Comentários
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  • Portuga
    23 fev, 2017 Portugal 11:46
    Qual o interesse? Quem ganha o quê e quanto com a alteração do autor do livro? Resolve alguma coisa?
  • al
    23 fev, 2017 adelaide 10:19
    Estes expertes Portugueses que sao contra Portugal e contra os Portugueses nao se compreende porque continuam a "mamar" na "teta" Portuguesa !! Entao porque nao vao para os outros Paises ??
  • Luis
    23 fev, 2017 Lisboa 08:36
    Para mim os Lusíadas só poderiam ter sido escritos pelo Cavaco. Coitado do Luis quando comparado com o Anibal.