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ARS abre inquérito a caso da grávida que perdeu bebé depois de longa espera no hospital

17 fev, 2017 - 13:03 • Liliana Carona

Uma mulher em final de gestação perdeu o bebé após ter esperado uma hora e meia no hospital da Guarda para ser vista por um obstetra, mesmo estando a perder sangue.
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A Administração Regional de Saúde de Centro (ARSC) procedeu à instauração de um processo de inquérito ao caso da morte de um bebé, na quinta-feira, no serviço de Urgência do Hospital Dr. Sousa Martins, na Unidade Local de Saúde da Guarda.

A administração hospitalar também já abriu um processo de averiguações para apuramento de responsabilidades na morte da bebé, por alegada falta de assistência.

Segundo a família, a parturiente esteve à espera do médico mais de hora e meia, apesar de estar com perdas de sangue.

No comunicado enviado às redacções, o conselho de administração da Unidade Local de Saúde da Guarda confirma que deu entrada, às 9h30m do dia 16 de Fevereiro de 2017, na Urgência do Serviço de Obstetrícia, uma mulher de 39 anos, com 37 semanas de gravidez.

“A mesma estava com perdas de sangue pouco significativas, tendo de imediato feito registo RCT às 9h34m”, relata o presidente daquele conselho de administração.

“Feita a ecografia fetal, confirmou a morte do feto. A mãe foi encaminhada para o bloco operatório e submetida a uma cesariana”, adianta Carlos Rodrigues.

“Após ter conhecimento da situação, o conselho de administração solicitou de imediato esclarecimentos ao director do departamento de saúde da criança e da mulher e à directora do serviço, que elaboraram já um relatório preliminar com o apuramento dos factos acima relatados. Desta situação foi já dado conhecimento à tutela, tendo sido solicitada a nomeação urgente de instrutores externos à instituição (especialistas de obstetrícia e um jurista), para desenvolvimento de um processo de inquérito. O conselho de administração lamenta o sucedido e presta as condolências à família”, conclui.

A grávida é Cláudia Costa. Casada há dois anos, tinha cesariana marcada para o dia 27, depois de vários tratamentos para engravidar. Era seguida na Covilhã, mas escolheu o hospital da Guarda, pois a mãe e o marido são funcionários naquele hospital.

O caso está entregue ao Ministério Público e a Polícia Judiciária já esteve durante a manhã no hospital. A família fala em negligência médica. Cláudia tem 39 anos.

Comentários
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  • Fátima Perfeito
    19 fev, 2017 Gouveia 01:13
    Nada me espanta com esta notícia, pois recuei na memória alguns anos atrás e reli o que fizeram a uma amiga minha. Agora só falta desaparecerem com todo o histórico dessa senhora, tal como fizeram com o da minha amiga. Ela infelizmente não pode ter mais filhos e o hospital e os responsáveis nada lhes aconteceu.
  • Pinto
    17 fev, 2017 Custoias 21:03
    Vai ficar tudo em aguas de bacalhau, ainda vivemos com a ilusão de que os médicos são deuses intocáveis.
  • Pinto
    17 fev, 2017 Custoias 20:55
    Gonçalo tem 14 anos de idade, nasceu com multi deficiência profunda, no período expulsivo o feto ficou encravado provocando dificuldades respiratórias e falta de oxigenação do sangue. Continuam à espera que se faça justiça. No HPH em Matosinhos uma familiar teve um parto em que após a episiotomia, depois da paciente estar a fazer esforço à muito tempo, e com ajuda de fórceps não conseguiram, tiveram de fazer uma cesariana depois de muito sofrimento. O bebé nasceu com a cabeça oval depois de tanto puxarem e ainda hoje tem problemas nos olhos. Depois de reclamações em tudo quanto é sítio, tudo ficou em águas de bacalhau, é complicado, é como a luta de Davi e Golias, a classe médica é muito protegida e a justiça tem uma balança que pende sempre para os mais fortes.