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Cavaco Silva receia "ignorância de alguns" líderes europeus

06 fev, 2017 - 15:50

Numa declaração escrita enviada à agência Lusa, a propósito da passagem dos 25 anos da assinatura do Tratado de Maastricht, o ex-Presidente apela à responsabilidade dos líderes europeus de modo a evitar as "consequências dramáticas” de uma ruptura da união monetária.

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O ex-Presidente da República Cavaco Silva apela à responsabilidade dos líderes europeus, admitindo recear, no 25.º aniversário da assinatura do Tratado de Maastricht, a "ignorância de alguns deles" em relação “às consequências dramáticas” de uma ruptura da união monetária.

Numa declaração escrita enviada à agência Lusa, a propósito da passagem dos 25 anos da assinatura do Tratado de Maastricht, Cavaco Silva diz tratar-se de “um dos mais importantes marcos da história da construção europeia”, defendendo que, um quarto de século depois, “as liberdades que são timbre da União devem ser defendidas e proclamadas pelo conjunto das nações europeias, cientes de que a União as faz mais fortes”.

“Espero que os líderes europeus estejam à altura das suas responsabilidades e correspondam, dessa forma, às expectativas dos cidadãos. Receio, no entanto, a ignorância de alguns deles em relação às consequências dramáticas que uma ruptura da união monetária teria na vida dos cidadãos”, sublinha Cavaco Silva, que, a 7 de Fevereiro de 1992, presidiu à cerimónia de assinatura do Tratado de Maastricht na qualidade de presidente do Conselho da União Europeia.

Recordando que, nessa cerimónia, alertou para o facto de o tratado que iria ser assinado representar “o começo de um novo ciclo” e não “uma etapa final”, Cavaco Silva, que em 1992 desempenhava também o cargo de primeiro-ministro, faz uma retrospectiva das negociações “particularmente duras” então levadas a cabo, com “momentos de tensão e de grande incerteza” quanto à possibilidade de se chegar a um acordo.

Mas, lembra, “na Cimeira de Maastricht, a 9 e 10 de Dezembro de 1991, o espírito de solidariedade da construção europeia prevaleceu sobre as divergências”.

“O Tratado da União Europeia, como passou a designar-se, congregou pela primeira vez as vertentes económica, monetária e política. A grande novidade foi a instituição da união monetária, que viria a tornar-se uma realidade na vida dos cidadãos europeus em Janeiro de 1999 com a criação da moeda única. Um passo de gigante do processo de integração europeia. Uma verdadeira revolução”, relata o antigo Presidente da República.

Portugal, conta, conseguiu naquela negociação a criação de um novo fundo de coesão para financiar projectos nas áreas do ambiente e das redes transeuropeias, para além do reforço dos fundos estruturais.

“Num tempo em que a ‘espuma dos dias’ ocupa grande parte da atenção, é difícil recordar a transformação que Portugal sofreu desde a nossa adesão às Comunidades, em 1986”, sublinha.

Considerando que Maastricht foi determinante neste processo, “mesmo que não tenham sido evitadas novas crises, seja por políticas erradas seguidas pelos diferentes Estados, seja por deficiente supervisão por parte das instituições europeias”, Cavaco Silva reconhece, contudo, que “não se avançou devidamente, como estava previsto, na coordenação das políticas económicas dos Estados-Membros”.

“Considero um erro assacar às insuficiências de Maastricht e ao Euro a responsabilidade pela crise com que os países da União Europeia se vêm defrontando nos últimos anos. Como afirmei em 1992, o Tratado não era um fim, mas o começo de um novo ciclo”, escreve o antigo Presidente da República.

Pois, acrescenta, “as dificuldades não terminaram, nem vão terminar” e os “desafios adiante são muitos e as incertezas parecem avolumar-se”, com a crise dos refugiados, a falta de crescimento, o terrorismo, os novos proteccionismos, o Brexit ou as alterações climáticas.

“Mas é importante recordar sempre que a Europa nunca teve tanto tempo de paz e de prosperidade como este que conhecemos nas últimas seis décadas. Cabe por isso aos líderes de hoje permanecerem firmes na defesa dos ideais europeus – os valores de uma sociedade tolerante e humanista, onde cada um possa viver em segurança e respeito mútuo”, defende.

Comentários
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  • 12 fev, 2017 13:43
    Realmente só critico uma coisa com o Cavaco, é não ter posto o Sócrates de lá para fora atempadamente! a Dívida soberana em 1995 era de 50.000 M€, depois de dos vários governos de pessoas "sérias" que se seguiram, hoje é de mais de 200.000 M€! O dinheiro onde está? não mão dos corruptos e dos corruptores. não é preciso mais evidências para perceber quem são. Continuem no "masoquismo" e a votar nos políticos da "política espectáculo do mediatismo"!
  • Toninho Marreco
    06 fev, 2017 Alqualquer Coisa 23:13
    Que sorte a nossa . Os políticos do quadro permanente nem pagando-lhes muito muito muito boas reformas nos largam . Enfim ...
  • Domingos
    06 fev, 2017 Ancora 20:27
    O que se lê por estes comentários demonstra a mais insana ignorância da realidade social e política de Portugal e da Europa. Quando acordarem para a realidade a lembrança do Cavaco, com todas as suas errâncias, verão o poço em que nos encontramos.
  • Cidadão que sofreu
    06 fev, 2017 Loures 18:56
    Como cidadão que sofreu o logro da campanha eleitoral de 2011, depois sofreu as indignidades, prepotência e brutalidade do governo PSD-CDS, secundado pelo seu Ministro sem pasta Cavaco Silva ( de Presidente nada teve), insurjo-me contra este mentiroso, parcial e corrupto ainda ter direito a tempo de antena na comunicação social, em vez de estar onde devia estar, que é preso!
  • Luis
    06 fev, 2017 Lisboa 18:00
    Os lideres Europeus há um ano que deixaram de recear a ignorância de Cavaco. E com eles a maioria dos Portugueses.
  • 06 fev, 2017 17:12
    OLHA QUEM FALA!!!...ESTE NEM SABIA QUE TINHA UMA VIVENDA AO PÉ DO OLIVEIRA E COSTA....NUMA ZONA DE LUXO!!!.
  • Pedro Ribas
    06 fev, 2017 Ovar 17:06
    Pensei que já estavas a hibernar. Tapa-te que faz frio e vai fazer ó-ó. Obrigado!
  • Azedo
    06 fev, 2017 cascais 16:46
    resposta ao barsanulfo "O Aníbal de Boliqueime" como o chamaste é sómente o político mais votado de sempre em Portugal...........
  • Zé das Coves
    06 fev, 2017 Alverca 16:36
    O Sr Aníbal quando era presidente não ligava a estas coisas! estava entretido com as ações do BPN !
  • Barsanulfo
    06 fev, 2017 alcains 16:25
    O anibal de Boliqueime veio dar um "arzinho da sua graça". Fez a prova de vida.Receia "ignorância de alguns" líderes europeus, ele o iluminado, que nunca tem dúvidas ou se engana! ai anibal, anibal... Homem, regressa lá á serra de Boliqueime e deixa-nos em paz, os -cidadões- agradecem.