A+ / A-

Marcelo desdramatiza distanciamento de Trump face à Europa

02 fev, 2017 - 08:17

Um sistema político mais “plástico” tem evitado populismos em Portugal, segundo o chefe de Estado.
A+ / A-

O Presidente da República relativizou o distanciamento de Donald Trump quanto à Europa, afirmando que existe “uma tradição isolacionista” dos presidentes norte-americanos quando iniciam funções.

“Há uma tradição de muitos presidentes quando começam funções de serem isolacionistas” e depois, com o tempo, “arrepiam caminho”, afirmou Marcelo Rebelo de Sousa num debate do programa Fronteiras XXI “O Populismo tem ideologia?”, uma parceria da Fundação Francisco Manuel dos Santos e da RTP, em Lisboa.

Durante o debate, transmitido pela RTP3, o Presidente pediu que se olhe para a História e “não apenas para a véspera” antes de se formularem juízos sobre a presidência de Trump.

Marcelo acredita que Donald Trump também seguirá esse caminho, afirmando que “há coisas que são incontornáveis”.

O sistema político mais “plástico” português

Marcelo voltou a ser mais professor do que Presidente neste debate e deixou uma “palavra de optimismo”, explicando que Portugal tem evitado o populismo por o sistema político ser "mais plástico”.

Marcelo quis deixar uma palavra de “optimismo, embora não irritante” sobre o tema do debate.

Para o Presidente da República e ex-comentador político, “uma das diferenças” entre Portugal e outros países europeias em que o populismo tem crescido nos últimos anos é que o sistema político português “tem uma plasticidade, uma capacidade de adaptação dos partidos, da realidade política e de algumas instituições para se ajustar".

“Vemos à nossa volta crises em sistemas de partidos em vários países da Europa do Sul, do Centro e menos na Europa do Norte e aqui tem havido plasticidade e capacidade de rejuvenescimento”, afirmou no debate transmitido pela RTP3, em que também participaram a investigadora da Universidade de York Mónica Brito Vieira e o professor universitário João Pereira Coutinho.

Se se perder essa “plasticidade do sistema” e se houver “uma incapacidade de acompanhar os novos tempos”, alertou, então o populismo também chegará a Portugal.

“Embora espere que não chegue nunca, jamais”, concluiu Marcelo, num debate em que João Pereira Coutinho resumiu numa frase uma solução para travar este fenómeno que tem atravessado a Europa e também os Estados Unidos, com a eleição de Donal Trump para presidente: “A única forma de vencer os populismos é ganhar nas urnas”.

Para Marcelo Rebelo de Sousa, há hoje sinais preocupantes na Europa e no Mundo que podem explicar o avanço dos populismos, dado que há “camadas da população” que estão a deixar de ser “deixadas para trás” do processo de desenvolvimento.

Comentários
Tem 1500 caracteres disponíveis
Todos os campos são de preenchimento obrigatório.

Termos e Condições Todos os comentários são mediados, pelo que a sua publicação pode demorar algum tempo. Os comentários enviados devem cumprir os critérios de publicação estabelecidos pela direcção de Informação da Renascença: não violar os princípios fundamentais dos Direitos do Homem; não ofender o bom nome de terceiros; não conter acusações sobre a vida privada de terceiros; não conter linguagem imprópria. Os comentários que desrespeitarem estes pontos não serão publicados.

  • j
    02 fev, 2017 al 09:29
    O Trump está a abrir caminho à autoproteção que os povos ocidentais começam a reclamar , com o excesso de confiança que estes politicos Europeus estão a adar ao cairem no engano de deixarem entrar cá todo o lixo vindo de paises muçulmanos.Força Trump , força Le Pen.