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Visto de bruxelas

​Futuro das relações UE/EUA

20 jan, 2017 - 13:31

Três temas marcam a semana: a tomada de posse de Donald Trump nos Estados Unidos e o futuro relação da Europa com a nova Administração norte-americana; o Brexit e o anúncio feito por Theresa May da estratégia de Londres para concretizar a saída da União Europeia; e a eleição do novo presidente do Parlamento Europeu, Antonio Tajani.
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Visto de Bruxelas - Três nomes marcam a semana: Trump, May e Tajani - 20/01/2017
Visto de Bruxelas - Três nomes marcam a semana: Trump, May e Tajani - 20/01/2017

A actualidade fica esta sexta-feira marcada pela tomada de posse de Donald Trump. O 45.º Presidente norte-americano presta juramento às cinco da tarde, hora portuguesa. Trump nunca escondeu o seu lado mais controverso, optando por um estilo de comunicação - ao mesmo tempo - polémico e frenético. E entre os muitos alvos escolhidos pelo sucessor de Obama, também a União Europeia acabou por ser uma das visadas: numa recente entrevista aos jornais “Bild” e “The Times”,

Trump classificou a União Europeia como “um instrumento do domínio alemão, que tem o objectivo de bater os Estados Unidos na economia mundial” e antecipou mais saídas de Estados-membros à semelhança do Brexit. Aliás, pode-se de certa forma afirmar que a primeira grande aposta de Trump na fractura europeia foi o seu apoio declarado ao Brexit.

Para o especialista em Assuntos Europeus, Francisco Sarsfield Cabral, “a forma como Trump tem subestimado a Europa, chegando até a ferir o orgulho colectivo dos europeus, pode ajudar a Europa a promover a tal união de que necessita para sobreviver”. Ou seja, a postura de Donald Trump pode ser o pretexto para um sobressalto de consciência na Europa. Mas também “há riscos” se esse “sobressalto” não acontecer.

Entretanto na Europa…

O epicentro da política europeia esta semana foi o Parlamento, em Estrasburgo, com a eleição do novo presidente. Foi preciso uma maratona de mais de 11 horas, quatro voltas, e muitas negociações de bastidores, para eleger o candidato do Partido Popular Europeu, o italiano António Tajani. No discurso em que aceitou o cargo, o novo presidente prometeu representar todos os deputados: “Foi um confronto democrático. Como disse hoje, serei o presidente de todos, respeitarei todos os deputados, todos os grupos”.

Ainda antes da eleição, o eurodeputado Paulo Rangel, ouvido pela Renascença, mostrava-se confiante quanto às qualidades de Antonio Tajani, que venceu o socialista Gianni Pittella, na última volta. Esta eleição foi marcada pelo fim da grande coligação entre PPE e socialistas. Tajani foi eleito graças a uma aliança com os liberais e com os votos do grupo conservador, formando uma maioria de centro direita. Com o fim da grande coligação pró-europeia, resta saber como vai reagir o grupo socialista, já que as três principais instituições são lideradas por membros do PPE. Além disso, o apoio dos socialistas é necessário para formar uma coligação a favor da integração europeia no Parlamento. Sobretudo numa fase conturbada, com dossiers como o Brexit. Esta semana, a primeira-ministra britânica desvendou finalmente os principais objectivos negociais de Londres.

Theresa May reconheceu o receio que o Brexit trouxe sobre a eventual desagregação da UE. Mas sublinha que o sucesso do projecto europeu é de todo o interesse do Reino Unido.

Uma vez consumada a saída da União Europeia, o Reino Unido vai mesmo controlar o número de estrangeiros que entram no país.

Por parte dos parceiros europeus, Angela Merkel saudou a clarificação da posição do Reino Unido.

Portugal queixa-se de Espanha

Ainda a marcar esta semana europeia, a queixa que Portugal apresentou junto da Comissão, por causa da construção do armazém de resíduos nucleares na central espanhola de Almaraz. Portugal quer uma avaliação de impacto ambiental transfronteiriço antes da construção do armazém. À margem de uma reunião dos ministros dos Negócios Estrangeiros dos 28, a secretária de Estado Teresa Ribeiro mostrou-se confiante numa solução, independentemente da queixa portuguesa. Resta agora esperar que a Comissão se pronuncie sobre este diferendo de grande sensibilidade diplomática.

Muitos analistas antecipavam um 'hard Brexit', uma saída limpa. E se é verdade que a primeira-ministra britânica foi aparentemente muito determinada ao anunciar a saída do mercado comum, a rejeição da jurisdição do Tribunal Europeu de Justiça e o controlo da imigração, também não é menos verdade que tenta - no fundo - assegurar aquilo que podemos dizer o melhor dos dois mundos.

Quer um acordo de comércio livre de impostos com a União Europeia, quer manter intactos os direitos dos imigrantes britânicos no espaço comunitário.

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