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Inauguração do eixo central de Lisboa não passa de acção de campanha, diz CDS

22 jan, 2017 - 10:22 • Susana Madureira Martins

As obras no centro de Lisboa chegaram ao fim, mas o CDS diz que é preciso esperar pelo fim da festa para se fazer o verdadeiro balanço.
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É inaugurado este domingo o novo eixo central de Lisboa.

A câmara municipal preparou diversas actividades desportivas e animação de rua para marcar o fim da intervenção ao longo das avenidas da República e Fontes Pereira de Melo.

Mas a oposição critica o programa, que descreve como uma autêntica festa socialista antes das eleições autárquicas.

O vereador do CDS em Lisboa, João Gonçalves Pereira, aponta erros à intervenção no eixo central, muitos deles relacionados com estacionamento, e acusa Fernando Medina de ter feito uma intervenção à pressa com uma intenção clara.

“Parece evidente para todos os lisboetas que isto é uma festa socialista, uma acção de campanha, e os lisboetas já perceberam que vão assistir a várias até às eleições”, afirma.

Gonçalves Pereira diz ainda que “se não fosse a pressão do CDS, através da sua proposta de alteração e da identificação no projecto de Fernando Medina de alguns dos erros que ele tinha”, estes não teriam sido corrigidos, e dá como exemplo a não eliminação de tantos lugares de estacionamento como inicialmente previsto e a redução de ciclovias na Avenida da República para apenas uma em vez de duas.

Quanto ao resultado das obras é preciso esperar algum tempo, diz o vereador do CDS e depois faz-se o balanço.

“O CDS irá apresentar brevemente um conjunto de erros que existem neste mesmo projecto e que, eu acredito, a câmara terá de lançar uma nova empreitada para corrigir. Deixemos que a festa socialista seja feita, depois há outro dia a seguir, que é o dia da vida normal e da circulação no centro da cidade.”

O projecto do Eixo Central, em obras desde maio passado, possibilitou o alargamento dos passeios, a criação de zonas verdes, a repavimentação das faixas de rodagem, o reordenamento do estacionamento e a criação de uma ciclovia bidireccional.

7,5 milhões, mais 50 mil

A intervenção, orçada em 7,5 milhões de euros, gerou a contestação de moradores e comerciantes pelos impactos no tráfego e no estacionamento.

Os festejos deste domingo custaram à Câmara outros 50 mil euros. Das actividades, que se iniciam às 10h00 e decorrem até às 17h00, fazem parte concertos, animação de rua e mega aulas de zumba, de “fitness” e de dança, às quais acresce a montagem de bancas de “street food” (comida de rua) e de artesanato.

Num esclarecimento enviado à agência Lusa, a autarquia indica que “a esmagadora maioria das actividades não representam encargos (...), sendo o resultado de parcerias que a Câmara Municipal estabeleceu com entidades privadas, clubes e associações da cidade de Lisboa, como o Holmes Place, o Supera, o Ginásio Clube Português e a Associação de Xadrez de Lisboa”.

No que toca à “montagem das estruturas físicas de som e electricidade, recorre-se de forma significativa a meios próprios da Câmara”, acrescenta o município.

Quanto ao custo global da iniciativa, ronda os 50 mil euros, sendo que “o grosso da despesa são os custos com a publicidade na imprensa, 19.543 euros”.

No local das festividades, Fernando Medina não deixou de se mostrar satisfeito com a conclusão das obras e descarta as críticas. "Quando não há muita substância para criticar, faz-se uma crítica dessa natureza. Esta é uma obra que está no programa do Governo da cidade, começou dentro do prazo previsto, acabou dentro do prazo previsto. Esta foi uma obra que correu bem e que é hoje devolvida às pessoas".

[Notícia actualizada às 14h17]

Comentários
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  • Pedro Godinho
    23 jan, 2017 lisboa 17:33
    Vou frequentemente à CML tratar de assuntos e o habitual é os funcionários dizerem que não há dinheiro nem para comprar toner para as impressores, e que o Presidente gasta rios de dinheiro em obras de encher o olho. É o país que temos.
  • Martins
    23 jan, 2017 LX 16:03
    O que choca é ver milhões de euros terem sido gastos em obras para turista ver, enquanto em inúmeras zonas da cidade não é feita manutenção alguma aos pisos, aos passeios, aos jardins e parques, etc. Para o sr. Medina estas obras servem um propósito único: comprar votos com dinheiros que poderiam ter sido aplicados em obras que realmente eram necessárias.
  • Rogério Bento
    23 jan, 2017 Lisboa 15:50
    Acho que a sra.tem razão, pois já coloquei vários problemas, que não são só meus, à câmara, e nem resposta. É que não se vive só de passeatas e ruas lindas. Também há ruas feias, mau ambiente, e eles estão -se borrifando.
  • Manuel
    22 jan, 2017 Lisboa 21:49
    Está melhor a av. Fontes Pereira de Melo? Indubitavelmente que sim! Parabéns à Câmara Municipal de Lisboa! Todavia para mim é claro que a av. Fontes Pereira de Melo continua a ser uma AE urbana com três vias para cada sentido. Retiraram espaço à lataria estacionada, mas não retiraram espaço ao espaço que a lataria usa para locomoção, que naquela zona representa mais de 2/3 de todo o espaço público. Já aos críticos e energúmenos da mesma elite, aos residentes que protestam e similares homúnculos, recomendo que se mudem para Brazavile ou Mogadishu, consta que por lá não há quaisquer restrições à circulação automóvel. Entretanto perceberão que o excesso de automóveis é incompatível com a "civilização".
  • Ela
    22 jan, 2017 Lisboa 21:09
    Ora, seja pelo amor de Deus! Como se os políticos não tentassem todos as mesmas estratégias! Lisboa está mais bonita e a obra foi útil. E é isso que importa. Quando as pessoas deixarem de avaliar as coisas pelos óculos da respectiva cor partidária, serão os seus comentários bem vindos. O que é certo é que Lisboa vai continuar em mãos socialistas, seguramente. E será com o contributo do meu voto.
  • Tadeu Rilvas
    22 jan, 2017 Alcântara - LX 15:15
    Oh queque do CDS, apanha um tuck-tuck e some-te pá!
  • André
    22 jan, 2017 Lisboa 14:54
    O Dr. ficou chateado de ter estado 2 horas e meia sentado na esplanada de um café da Avenida da Liberdade, logo após ter ido ao Deutsche Bank próximo tratar de algum assunto, no passado mês de Setembro. O CDS tinha mais de 320000 confirmações no facebook que estariam no Marquês a buzinar, o problema é que nas horas que lá esteve à espera para se apresentar como assistente do Dr Carlos Barbosa, só apareceram os membros do ACP e os jornalistas. As buzinadelas que eram feitas, era contra andarem a atravessar as passadeiras a passo de caracol. Também é giro que uma das principais promessas da candidata do CDS é criar 34000 lugares de estacionamento na baixa no primeiro ano da sua vitória na câmara. Só podem ser meras coincidências... e os 3 vereadores do PSD também lá passaram a tarde, sendo que desapareceram quando uma jornalista da SIC os reconheceu e foi pedir comentários ao fracasso do protesto.
  • Antonio
    22 jan, 2017 algures 14:36
    Se não fazem são maus autarcas, se fazem é aproveitamento eleitoral, afinal como ficamos?
  • Interior
    22 jan, 2017 Pombal 14:34
    Lisboa come tudo e os outros comem...
  • joao123
    22 jan, 2017 lisboa 14:22
    Sr Victor o " brutal aumento das rendas" foi para fazer face ao " brutal aumento do IMI " , pense nisso...