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Presidente recorda actriz Maria Cabral, "rosto e símbolo" do Novo Cinema português

17 jan, 2017 - 01:01

Protagonista de filmes como "O Cerco" ou "O Recado", primeira longa-metragem de ficção de José Fonseca e Costa, morreu no sábado, aos 75 anos.

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O Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, apresentou esta segunda-feira condolências à família da actriz Maria Cabral, "rosto emblemático" do cinema, que morreu no sábado, aos 75 anos.

"Nenhum outro actor ganhou, com uma obra tão breve, um estatuto tão icónico no cinema português", salientou Marcelo Rebelo de Sousa numa mensagem publicada no site da Presidência da República.

A actriz portuguesa de cinema e teatro Maria Cabral morreu no sábado, em Paris, aos 75 anos, anunciou esta madrugada a Academia Portuguesa de Cinema.

Da carreira da actriz, o Presidente da República lembra "particularmente 'O Cerco', de António da Cunha Telles, filme no qual Maria Cabral ajudou a prolongar a tentativa fugaz, mas decisiva de um 'cinema novo'".

"Foi um rosto emblemático do nosso tempo, deixando-nos a imagem de uma mulher luminosa e irreverente, inquieta e livre", lê-se na mensagem.

Numa entrevista à RTP, aquando da rodagem do filme de Cunha Telles, Maria Cabral explicava que a personagem de "O Cerco", Marta, era "uma senhora que se deixava levar um pouco pelas circunstâncias, dentro de um certo tipo de sociedade, em Lisboa".

O filme data dos últimos anos de ditadura do Estado Novo e centra-se numa jovem mulher, que se afasta do marido, do casamento, da família, e sobre a qual se aperta "o cerco" social.

Além de "O Cerco" (1970), Maria Cabral entrou também em "O Recado" (1972), primeira longa-metragem de ficção de José Fonseca e Costa, que aborda a acção da polícia política, em plena ditadura.

Os dois filmes fizeram de Maria Cabral "o rosto do novo cinema português", no início da década de 1970.

A sua carreira prosseguiu com "Vidas" (1984), de António da Cunha Telles, um reencontro com Portugal do pós-25 de Abril, e "Um Adeus Português" (1986), de João Botelho, uma das primeiras reflexões do passado da Guerra Colonial, em cinema, através da viúva (Maria Cabral) de um soldado morto em combate.

Entre outras produções, Maria Cabral entrou igualmente em "No Man's Land" (1985), do realizador suíço Alan Tanner.

"Maria Cabral foi rosto e símbolo do Novo Cinema Português", disse a Academia Portuguesa de Cinema, através da sua página de Facebook, onde lamentou, "com grande tristeza", a morte da actriz.

Maria da Conceição Gomes Cabral nasceu em Lisboa, em 1941, cresceu em Luanda e regressou ao ponto de partida, mais tarde, para estudar filosofia.

Antes do trabalho no teatro e no cinema, no final da década de 1950, nos primeiros anos da RTP, foi apresentadora de programas infantis.

Após a estreia no cinema, em Portugal, acabaria por se fixar em Paris.

Na pequena entrevista à RTP, perguntam à então jovem actriz de 29 anos "o que fez até agora?": "Até agora, fiz um filho, pouco mais", respondeu, entre sorrisos.

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