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Falar Claro

Morais Sarmento e Vera Jardim aceitam "nacionalização temporária" do Novo Banco

11 jan, 2017 - 09:11 • José Pedro Frazão

Os comentadores do Falar Claro admitem que o Estado tome conta do ex-BES por alguns anos, para benefício dos contribuintes e da própria banca nacional. Morais Sarmento deixa ainda uma farpa à forma como surgem notícias sobre o processo de venda do banco.

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Morais Sarmento e Vera Jardim aceitam "nacionalização temporária" do Novo Banco.
Morais Sarmento e Vera Jardim aceitam "nacionalização temporária" do Novo Banco.

Uma "nacionalização temporária" pode ser a solução de curto prazo para o Novo Banco. O cenário não é excluído pelo Governo e seguramente não é descartado pelos comentadores do Falar Claro, programa de debate político da Renascença.

"Quando se fala em nacionalização, temos sempre as nacionalizações à antiga, para que o aparelho produtivo ficasse nas mãos do Estado. Não é disso que estamos a falar. Estamos a falar de uma nacionalização para resolver um problema que pode durar dois ou três anos", afirma o socialista Vera Jardim.

Já Nuno Morais Sarmento lembra que essa solução já tinha sido aventada por Vítor Bento, quando o economista liderou brevemente o Novo Banco.

"Nesse quadro de uma nacionalização temporária para protecção do banco, estabilização do sistema financeiro e garantia dos contribuintes, é uma solução que não deve ser afastada", considera o militante do PSD.

A dificuldade em encontrar boas propostas para o Novo Banco é a base do cenário de nacionalização. Vera Jardim observa que a situação do banco não permite a atracção de "verdadeiros compradores", que não são aqueles que " compram para dividir o banco aos bocadinhos, vender e ir à vida dentro de dois ou três anos".

O caminho da Caixa

A nacionalização surge como cenário possível para Vera Jardim "na ausência de propostas estruturadas, boas para os contribuintes mas sobretudo para o sistema financeiro português". No entanto, o histórico socialista alerta para possíveis obstáculos em Bruxelas e Frankfurt, na Comissão Europeia e no Banco Central Europeu.

O antigo ministro do PS espera que, neste cenário, o Estado faça "um pouco como fez na Caixa Geral de Depósitos", numa referência à nomeação de administradores "que não são políticos retirados a tratar de bancos", formando uma "gestão profissionalizada" que abra caminho à venda do banco "daqui a dois ou três anos".

Marques Mendes e o Novo Banco

Os avanços e recuos do processo são comentados por Nuno Morais Sarmento em jeito de crítica que vai do regulador ao comentador, de Carlos Costa a Marques Mendes, passando por Mário Centeno.

"O Estado tem que fazer a avaliação das propostas que lhe são apresentadas e depois num único momento comunica se aceita ou não aceita. E não aceitando, [decidir] se vai para nacionalização ou não. Não podemos ter um processo destes nas mãos de comentadores, conversadores, pensadores, o que seja. A responsabilidade é do Banco de Portugal, que dirige este processo, mas com acompanhamento de perto na falta de liderança e no deslizar para a asneira do Ministro das Finanças", completa Nuno Morais Sarmento.

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  • João Marcelino
    11 jan, 2017 Viseu 11:58
    Uma empresa, quando não tem viabilidade, encerra. É a lei do mercado. Estão à espera de quê para liquidar de vez o Novo Banco?
  • patacao
    11 jan, 2017 lisboa 11:20
    A nacionalização e de excluir em absoluto seria uma traiçao ideológica a liberdade a concorrência como bem publico ao sistema vigente e um precedente com consequências previsíveis para a confiança dos contribuintes