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Maior ave de rapina da Europa regressa ao céu de Trás-os-Montes

06 jan, 2017 - 11:38 • Olímpia Mairos

Foram detectados, pelo menos, cinco abutres-pretos, espécie que tem, em Portugal, o estatuto de "criticamente em perigo".
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Tem sido avistado em Montesinho, na área do Douro Internacional, nos vales do Rio Maçãs e do Sabor e na Serra do Gerês, o abutre-preto (Aegypius monachus). A maior ave de rapina da Europa está em situação vulnerável a nível europeu e, no plano nacional, tem estatuto de "criticamente em perigo".

“Podemos confirmar a presença de, pelo menos, cinco indivíduos diferentes no território, podendo até ser mais, tendo em conta que os Campos de Alimentação de Aves Necrófagas (CAANs) em funcionamento distam entre 40 a 100 km entre si”, revela José Pereira, biólogo e técnico da Palombar.

A Palombar, Associação de Conservação da Natureza e do Património Rural, tem contribuído para o regresso da ave ao território português, na medida em que está a gerir quatro Campos de Alimentação de Aves Necrófagas na região, zonas com cerca de um hectare, três na Zona de Protecção Especial dos Rios Sabor e Maçãs no âmbito do Grupo Nordeste, implementados ao abrigo de um projecto em parceria com a EDP, e um na Zona de Protecção Especial do Douro Internacional e Vale do Águeda onde, em 2017, prevê iniciar o funcionamento de mais 2 CAANs no âmbito do projecto Life Rupis.

Nestes campos o fornecimento de alimento é regular, bissemanal nas épocas de maior carência e de maior necessidade trófica (fase de reprodução) e semanal durante o resto do ano.

“Isto permite que haja uma disponibilidade de alimento regular e segura, livre de venenos”, sublinha José Pereira.

O biólogo da Palombar, acredita que estas fontes de alimentação, onde são colocados restos de talhos e de explorações pecuárias, por exemplo, permitem que “as aves andem mais à procura de comida, e por isso têm sido mais fáceis de detectar nas nossas monitorizações.”

O uso excessivo de pesticidas e o aparecimento da encefalopatia espongiforme bovina, são alguns dos motivos que afastaram os abutres da região transmontana.

“Houve um declínio muito acentuado da espécie, seja por questões de diminuição da disponibilidade alimentar, seja pela doença das ‘vacas loucas’, em que existia uma legislação comunitária que obrigava à recolha de todos os espécimes pecuários que morressem no campo, e também pela diminuição das presas”, exemplifica o biólogo José Pereira.

Os casais reprodutores de abutres pretos extinguiram-se em Portugal em meados da década de 70, tendo sido confirmada pela primeira vez em 2010 a nidificação de dois casais no Tejo Internacional, passados quase 40 anos.

Desde então, a população nidificante tem vindo a aumentar e, em 2012, fixou-se um casal reprodutor no Douro Internacional. Este casal nidificou com sucesso por três anos consecutivos (2014/16).

O abutre-preto é uma ave necrófaga, associada a biótopos arborizados e procura alimento principalmente em terrenos abertos de cerealicultura e pastoreio extensivos, mas também em zonas semi-abertas e em florestas de espécies autóctones.

Comentários
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  • VFerreira
    06 jan, 2017 Lisboa 14:58
    Será de boa politica, dar apoio a este tipo de ave que tem interesse para o meio ambiente, todavia o seu aparecimento deve de ser coordenado de forma a poderem criar um bando de aves que se possam manter em via com alguma coordenação!
  • Nuno Gomes
    06 jan, 2017 Cacém 14:01
    Afinal as aves são de rapina ou aves necrófagas? Sempre ouvi dizer que os abutres são aves necrófagas........
  • Luis Santos
    06 jan, 2017 Almada 13:43
    A maior ave de rapina da europa? Não se estão a esquecer do "bufo" do benfica pois não? Esse só não é da Europa porque não deixam, porque por cá vai tudo a eito!
  • JPCouto
    06 jan, 2017 Setubal 13:23
    Temos uma comunicação social que nos desinforma, pois a maior parte das ditas noticias não passam de informações com muito pouco interesse publico, é só para ocupar espaço. Eu que não tenho formação em jornalismo fazia muito melhor! E há algumas ditas noticias que mais parecem anedotas e que não dignificam o jornalismo.