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António Costa: UE “não pode continuar a ignorar” o problema da dívida

05 dez, 2016 - 21:55 • Ricardo Vieira

As regras "devem ser ajustadas" para dar prioridade à economia e combater o empobrecimento. Em entrevista à RTP, assegura que o Governo "cumpriu" com presidente demissionário da Caixa.

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A União Europeia “não pode continuar a ignorar” o problema da dívida, afirma o primeiro-ministro, António Costa, em entrevista à RTP.

António Costa defende que seria "inútil e contraproducente” ser o Governo português a iniciar essa discussão junto dos parceiros europeus.

O primeiro-ministro salienta que o actual contexto político não é favorável à colocação do tema na agenda, o que acontecerá talvez no final do próximo ano depois das eleições na Alemanha.

“Havendo eleições na Alemanha em Outubro de 2017, até lá a União Europeia não discutirá nada relativamente a dívida. Mais tarde do que cedo, a União Europeia não pode continuar a ignorar um problema que afecta o conjunto da zona euro e que deve ter uma resposta europeia integrada. Seria inútil e contraproducente o Governo português iniciar essa discussão", argumenta António Costa

As regras da UE, defende o chefe do Governo, "devem ser ajustadas" para dar prioridade à economia, combater o empobrecimento e resolver o problema do "elevado nível de endividamento que assimetricamente esse foi desenvolvendo na União Europeia".

"As regras devem ser mudadas", sublinha António Costa.

Questionado se a dívida pública portuguesa é impagável, o primeiro-ministro responde que "não" e reconhece uma diferença de opinião em relação aos partidos de esquerda que apoiam o Governo no Parlamento.

A condição para redução de encargos com a divida é uma "boa gestão das contas públicas", através do controlo do défice, e uma "gestão activa da dívida", para "reduzir encargos" que, actualmente, rondam os oito mil milhões de euros por ano.

Governo "cumpriu" com presidente demissionário da Caixa

Sobre a polémica da Caixa Geral de Depósitos (CGD), o primeiro-ministro admitiu que “houve um conjunto de episódios que não foram positivos” e que culminaram com a demissão da administração.

António Costa garante que o Governo não falhou com o presidente demissionário da Caixa Geral de Depósitos (CGD). “Tudo o que foi acordado com António Domingues foi escrupulosamente cumprido pelo Governo”, afirma.

O primeiro-ministro justifica esta sua declaração com a luz verde da Comissão Europeia ao plano de recapitalização da CGD, o respeito pelo compromisso do regime salarial da Caixa compatível com o sistema de mercado e também de que não seria aplicado aos gestores do banco estatal o estatuto do gestor público.

Questionado sobre as razões da demissão de António Domingues, António Costa diz que não é o porta-voz do banqueiro, mas "lamenta e respeita" a decisão de sair da Caixa.

"Temos um novo presidente da Caixa indigitado. Tenho a certeza que Paulo Macedo assegurará uma boa administração da Caixa Geral de Depósitos", afirmou.

Relativamente à recapitalização do banco estatal, avisa que não vai servir para limpar o balanço de empresas em dificuldades. "Quem deve continua a dever e a Caixa continua a ter os meios legais para recuperar os créditos. O Estado não vai pagar pelos devedores. Isso era uma coisa absurda”.

"Nunca senti a minha esfera de competências usurpada pelo Presidente"

Sobre a venda do Novo Banco, diz que o processo está a ser conduzido pelo Banco de Portugal e que o Governo vai depois analisar o que for proposto. "Valores não sei dizer", sublinhou.

António Costa afirma que tem uma "relação institucional e pessoal excelente" com o Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa.

O princípio da separação e interdependência é respeitado. "O Presidente da República cumpre as suas funções e o Governo também", diz Costa. "Nunca senti a minha esfera de competências usurpada pelo Presidente da República. Temos contactos regulares e permanentes para resolver problemas da governação. Era estranho era que não acontecesse. O Presidente tem exercido o seu mandato com toda a correcção."

Sobre a relação com o líder do PSD, António Costa diz que fala com Pedro Passos Coelho "sempre que é necessário", através de "telefone ou SMS", mas noutra parte da entrevista não deixou de lamentar o discurso do PSD, “vazio relativamente às políticas”.

Comentários
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  • SC
    07 dez, 2016 Chaves 09:45
    Temos que rever a dívida mas também temos que rever os gastos. Não se pode aumentar cada vez mais a dívida para satisfazer os desejos de alguns irresponsáveis, tornando-nos também irresponsáveis.
  • joao123
    07 dez, 2016 lisboa 06:18
    Ó " ilusão das indias" vá se informar antes de escrever disparates, nós não devemos 250 mil milhões ao FMI... de qualquer maneira Portugal não pagar o que realmente deve aos seus credores ( FMI, banca nacional, BCE, pequenos aforadores nacionais, etc ) só pode dar asneira. O que tem graça é que vamos pagar as PPP's lançadas pelo Sócrates ( com dívida) até 2040 , e viva a festa...
  • Ilusão das indias
    06 dez, 2016 lisboa 18:41
    Neste momento devemos ao FMI 250.000.000.000 mil milhoes de euros! E eu pergunto quando? Mas quando é que Portugal vai pagar esta divída e até quando é que vai durar o ilusionismo eleitoral do Dr Antonio Costa?...
  • O caloteiro das indias
    06 dez, 2016 lisboa 17:06
    O lema do indiano usurpador é este..."Não pagamos!... Não pagamos!... Não pagamos e não pagamos!
  • observando idiotas
    06 dez, 2016 rqtpta 16:53
    O que é que propões então, eborense? Se este governo está a aumentar a dívida ou vai aumentá-la, não é com os trabalhadores, nem com os mais precários. Estes estão condenados neste País, sem respeito pela sua dignidade, mais pobres e com os salários da mesma forma congelados. Nunca mais descongela. Todos os anos é a mesma cantiga. Neste país só se governa para pagar uma dívida impagável e se empobrecer mais quem trabalha. Aliás, nesta europa este país nunca mais nada descongela. É cada vez mais pobreza, mais desemprego, mais dependência da euromerda. Dinheiro é só para pagar gestores, reformas vitalicias de políticos e quejandos, balurdios. Vamos gastando o que não temos? Mas o que é que tu queres que se faça mais, a verdade é que as pessoas passaram, foram obrigadas a gastar mais por esta moeda de merda, que lhes veio aumentar o nível de vida, retirar-lhes poder de compra e empobrecê-los mais. Tá ao bom gosto do bochechas mario soares e de todos os merdosos, mediocres, incompetentes, corruptos e burros que contribuirão para que pertencêssemos a esta europa fascista. Eu nunca comi nada dela, por isso eu quero é que tu te fdas mais esta europadamerda....E tu se não fosses burro não vinhas para aqui falar mal do ant. costa como forma de elogiar o outro partido, pois tanto este como o coelho ainda não tiraram o país da mda....Acho uma graça a vocês, preocupados com a dívida e solidários com os fascistas da europa, mas o país e o o povo parece que para vocês não interessa
  • Antonio
    06 dez, 2016 Lisboa 16:50
    Todos os países vão continuar a aumentar dívida porque alguém ganha com isso vai se dizendo que tem que ser paga como desculpa para aplicar impostos em tudo e mais alguma coisa para além que os partidos ainda usam-na como arma de arremesso político, Serve a todos estas dívidas.
  • Eborense
    06 dez, 2016 Évora 14:52
    A maneira mais airosa que o Sr. Costa e a geringonça têm para resolver o problema da dívida é aumentá-la. Previa o desgoverno do Sr. Costa e da 1ª Ministra Catrina, que no final deste ano, a dívida seria de cerca de 129% do PIB. Está já em mais de 133%. Portanto, vamos gastando o que não temos e logo se vê quem terá que pagar. Serão certamente os mesmos de sempre, embora muitos deles andem eufóricos com a sua geringonça. O pior virá depois.
  • Ora aí está!
    06 dez, 2016 açor 11:19
    Mais uma vez tenho que concordar com o Zé de lisboa, em parte concordo com o comentário "costa demagogo" a verdade é que isto não se trata de defender partidos, o problema é que mudam as moscas mas a o cheiro do monte continua.
  • P/idiotas
    06 dez, 2016 rqtp 11:10
    É impressionante a quantidade de gente idiota que vem para aqui falar em dívida como se esta europa tivesse insenta de culpas e os culpados fossem os trabalhadores e um povo que já vive na miséria, tirando alguns é claro. Até parece que não há mais países que se afundaram nesta u.europeia?! Oh Jt Stos, burro, quem é que tem culpa é o povo, aqueles que empobreceram porque os salários nunca mais subiram e passaram a ser precários com este nível de vida que nunca mais parou de subir com esta moeda de mda e que veio retirar poder de compra aos consumidores? então fazes um empréstimo para o pagares consoante o que tu ganhas, mas depois o nível de vida cresce e passas a gastar mais, sim porque esta moeda assim obriga, passas a ter o salário congelado, logo os teus rendimentos passam a não chegar para pagar a tua dívida. O que vais fazer, matar os teus filhos à fome? Tu, ou vocês que vêm para aqui defender esta u.europeia são uns cegos, ou então são como os cavalos que têm palas nos olhos e olham para um lado. O Zé de Lisboa está cheio de razão. Estou completamente de acordo com ele. Pelo menos que haja alguém que saiba ver as coisas com logica, porque muitos dos que comentam aqui são uma vergonha e ainda vêm para aqui defender aqueles que nos têm entalado. u.europeia da mda. Não sei de que é que eles se podem orgulhar desta europa, quando estão num país que passou a ser dominado, perdeu a sua dignidade e empobreceu de forma desastrosa um povo.
  • COSTA DEMAGOGO
    06 dez, 2016 Lx 11:01
    Pois é, pantomineiro Costa...para pedir estendes a mão para pagar já rosnas.Não há dinheiro não há palhaços kamaradas...Mas pelos vistos existe imenso dinheiro para pagar aos administradores da Caixa.UMA VERGONHA APROVADA PELA ESQUERDA BAFIENTA e IMORAL...E assim, se governa em portugal.