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França proíbe anúncio sobre trissomia 21 para não ofender mulheres que abortaram

25 nov, 2016 - 15:28

O anúncio mostra várias crianças e jovens com síndrome de Down a explicar a uma futura mãe porque é que são felizes.

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O Governo francês proibiu um anúncio em que várias crianças com trissomia 21 explicam a uma futura mãe que não deve temer pelo facto de o seu filho, ainda por nascer, ter sido diagnosticado com essa deficiência.

No vídeo, chamado “Querida futura mãe”, as crianças e jovens falam de tudo o que o seu filho vai poder fazer e alcançar, avisando que por vezes será difícil, mas que isso se aplica a todas as mães de todos os filhos.

O curto filme foi feito em 2014 e recentemente foi adaptado a um anúncio para poder passar na televisão francesa, mas o Conselho Superior de Audiovisual naquele país chumbou-o, dizendo que não se enquadrava nos critérios de serviço público, invocando o argumento de que as imagens de crianças com trissomia 21 sorridentes e felizes poderia “perturbar as consciências de mulheres que tinham tomado, legalmente, outras escolhas de vida pessoais”.

O aumento de diagnósticos pré-natais leva a que em alguns países nove em cada dez bebés com trissomia 21 sejam abortados, apesar de as melhorias médicas permitirem aos portadores desta deficiência levar vidas cada vez mais longas e autónomas.

A decisão foi posteriormente confirmada pelo Conselho de Estado francês, chocando as organizações que se dedicam a apoiar as famílias de portadores de trissomia. Em declarações à Catholic News Agency, Michelle Sie Whitten, presidente da Fundação Global de Síndrome de Down, classificou-a como “absurda”, “chocante” e “ofensiva” e de contrariar o direito à liberdade de expressão.

Comentários
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  • susana
    29 dez, 2016 Lisboa 19:54
    JORGE...SUBESCREVO
  • Henrique Soares dos
    07 dez, 2016 Lisboa 15:14
    Não existe liberdade de expressão em França, ponto final. Existe censura em França, ponto final, parágrafo. Por parte do estado francês, na pessoa dos censores governo e tribunais. Miserável governo e tribunais.
  • Ruben
    27 nov, 2016 Costa 21:14
    O anúncio foi proibido porque poderia "perturbar as consciências de mulheres que tinham tomado, legalmente, outras escolhas de vida pessoais"? Isso é uma grandessísima treta. É importante que as pessoas saibam que o aborto de crianças com trissomia 21 é desnecessário porque essas crianças podem levar vidas felizes e normais hoje em dia. Um primo meu tem síndrome de Down e ele é dos miúdos mais felizes que eu já vi. O facto das mulheres que escolheram o aborto neste caso se sentirem mal por verem este anúncio não tem importância nenhuma face à mensagem que este anúncio quer transmitir. Afinal de contas, não é que vidas delas fiquem arruinadas se virem este anúncio. É absolutamente ridículo proibírem o anúncio por esse motivo.
  • Teresa Ferrer Passos
    26 nov, 2016 Lisboa 10:41
    A liberdade de expressão de pensamento, neste caso das mães que aceitam um filho com esta doença, é fortemente atingida. Será que só uns têm direito à liberdade de expressão de pensamento? Então, este direito não é para toda a sociedade? Este pode ser o princípio da ponta de um iceberg...
  • António
    25 nov, 2016 Lisboa 21:38
    Vergonhoso! Nem uma criança com trissomia 21 tem direito a ser feliz e a expressar isso. É a censura dos tempos actuais.
  • Jorge
    25 nov, 2016 Lisboa 16:16
    Uma mulher que toma a decisão de interromper a sua gravidez nunca o faz de ânimo leve. Por isso não julgo (nem me atreveria a fazer tal) as pessoas que optam por seguir esse caminho, pois como ensinou Madre Teresa de Calcutá "Se tu julgas as pessoas é porque as não amas". Mas nunca me passaria pela cabeça proibir este anúncio invocando um fundamento desta natureza. Qualquer mulher que confrontada com a notícia que o seu filho sofrerá de trissomia 21 e ainda assim leva a gravidez até ao fim tem de merecer o apoio e o respeito de todos nós. E, o mesmo, para qualquer mulher que se veja confrontada com a necessidade de interromper a sua gravidez quando confrontada com esta mesma realidade, pois presumo que não o fará de ânimo leve e as feridas acabam por perdurar sempre para ela, infelizmente. São dois caminhos distintos, onde a opção de cada um não colide com a do outro nem pretenderá, certamente, colidir com o que outra pessoa escolheu. A proibição do anúncio choca-me por se aproveitar da dor de quem teve de abortar ao dar precisamente como fundamento (um absurdo) deste acto um falso respeito pelas pessoas que tiveram de optar por isso.
  • Rodrigo
    25 nov, 2016 porto 15:46
    Feminismo... Cada vez mais ridiculo...