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Crónicas da América
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Jared Kushner, genro de Trump é o seu conselheiro mais influente

25 nov, 2016 - 08:21 • José Alberto Lemos, em Nova Iorque

Tudo indica que o presidente eleito já encontrou o seu Rasputin. Jared Kushner manobra nos bastidores, vinga-se de velhos "inimigos" e ninguém decide na equipa sem o seu beneplácito.

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Fixem este nome: Jared Kushner. Não é político, não tem experiência na matéria, tem apenas 35 anos, é judeu ortodoxo, tem um passado liberal, mas tudo indica que vai ter um papel relevante na nova administração americana, que será certamente muito conservadora e onde até há alguns elementos com laivos anti-semitas.

Donde vêm então as características que recomendam Jared Kushner para a administração Trump? De uma circunstância muito particular: é genro do presidente eleito, casado com a filha mais velha, Ivanka, e é a pessoa em cujos conselhos ele mais confia. Mais do que nos dos filhos, ao que parece.

Expôs-se pouco durante a campanha eleitoral. Foi o único membro da família que não discursou na convenção republicana de Cleveland, não dá entrevistas, não faz declarações públicas e a sua personalidade parece mais vocacionada para as movimentações de bastidores. Já na campanha eleitoral lhe foram atribuídas responsabilidades pelo afastamento de uns e recrutamento de outros e, nesta fase em que Trump está a recrutar a sua equipa, Jared terá estado na origem de mudanças importantes na equipa de transição.

Depois do governador de New Jersey, Chris Christie, ser anunciado como o líder dessa equipa, uma tarefa que já lhe estava cometida antes da eleição, surgiu surpreendentemente a notícia de que tinha sido substituído pelo vice-presidente eleito Mike Pence. Várias fontes da campanha atribuíram a Jared a responsabilidade pela mudança e não terá sido a primeira vez que Christie é vítima do genro de Trump, agora seu principal conselheiro.

A "mão" de Jared terá estado por trás dos vários desaires que Christie sofreu desde que se juntou a Trump, ele que foi o primeiro desistente das primárias republicanas a declarar o seu apoio ao magnata. Esteve para ser vice-presidente, esteve para ser ministro da Justiça/procurador-geral (attorney general), esteve para ser chefe da equipa de transição e acabou sem qualquer cargo relevante, apesar da fidelidade demonstrada ao candidato desde o primeiro momento.

Um vingador

Na origem destes "embargos" estará, segundo a imprensa americana, o facto de Christie ter metido na cadeia o pai de Jared por fuga ao fisco, quando era procurador do estado de New Jersey, um cargo que exerceu antes de ser eleito governador. O pai de Jared, Charles Kushner é, tal como Trump, um magnata do imobiliário, mas aparentemente sem a habilidade suficiente para fugir ao fisco sem consequências judiciais, ao contrário do presidente eleito que, confessadamente, aproveitou os alçapões da lei para não pagar impostos durante muitos anos.

Em 2005, Charles Kushner foi condenado por fuga ao fisco e doações ilegais para campanhas eleitorais e Christie, na qualidade de procurador do estado de New Jersey, mandou-o para uma penitenciária federal.

Jared, esse, é que não perdoa a Christie o facto de ter exercido com denodo as funções de procurador e serviu-se da sua influência na campanha para o afastar de qualquer função relevante, bem como aqueles que eram considerados mais fiéis ao governador. Enquanto leitor e admirador do romance "O Conde de Monte Cristo", Jared ver-se-á como o inocente que se vinga daqueles que prejudicaram a sua família.

A sua influência nos bastidores é crescente, o que faz dele hoje a pessoa que Trump mais ouve e cujos conselhos mais segue, ao ponto de ser o único membro da família que o presidente eleito quer a trabalhar com ele na Casa Branca.

Um objectivo que colide com as leis americanas sobre nepotismo, que impedem o presidente de contratar qualquer familiar para a administração. Um problema com que se defrontou Bill Clinton quando nomeou a mulher para chefiar a “task force” para a reforma da saúde. Essa função de Hillary foi então contestada pela oposição republicana com base no argumento de que ela não poderia exercer qualquer cargo na administração. Mas que foi contornado pelo facto de não ser remunerada.

É também esta a fórmula que estará a ser estudada pela equipa de Trump para permitir a Jared ser seu conselheiro pessoal. Por ora, o genro já se afirmou como o homem mais poderoso junto do presidente eleito. Segundo duas fontes da equipa de transição revelaram ao New York Times, os dois homens com os cargos mais importantes na futura Casa Branca, o chefe de gabinete, Reince Priebus, e o responsável pela estratégia política, Stephen Bannon, não levam qualquer proposta a Trump sem o beneplácito de Jared.

A deferência para com o genro foi ao ponto de ter sido adiado o anúncio público destas duas nomeações vitais para a futura Casa Branca por ser sábado. É que Jared é judeu ortodoxo e celebra com rigor o Sabbath que inibe os crentes de qualquer actividade profissional naquele dia da semana.

"Ele é ouvido e tem a confiança de todo círculo da administração Trump, incluindo do presidente eleito", disse o director da Coligação Judaica Republicana ao NYTimes. A identidade de pontos de vista e forma de funcionamento entre sogro e genro parece ser perfeita, sendo que Jared tem sido sempre o mais optimista da equipa, insuflando ânimo a todos nos momentos mais difíceis da campanha, revelando sempre a maior confiança na vitória.

Um homem de bastidores

A confiança de Trump nas suas capacidades vai ao ponto de estar convencido que Jared pode resolver o conflito israelo-palestiniano. Na conversa que teve esta semana com os responsáveis editoriais do "New York Times", o presidente eleito mostrou-se esperançado em que o genro contribua decisivamente para solucionar o conflito mais duradouro na arena internacional. Enquanto judeu, Jared conhece muita gente influente na região e Trump está convicto que ele conseguirá mobilizar boas vontades em ambos os campos para obter um acordo de paz.

Homem de bastidores, tem sido mais visto ultimamente do que antes da eleição. Acompanhou Trump à Casa Branca aquando do encontro com o presidente Obama e apareceu ao lado de Trump quando ele recebeu o primeiro-ministro japonês, Shinzo Abe. O que suscitou controvérsia. Muita gente perguntou em que qualidade participava ele num encontro entre os dois estadistas, no qual poderão ter sido abordadas questões importantes que requerem garantias de sigilo de Estado, para as quais Jared não está habilitado. Um compromisso que lhe terá de ser exigido/outorgado pela administração caso fique a trabalhar na Casa Branca.

Mas fique ou não fique, a sua influência terá já sido decisiva em algumas escolhas do presidente eleito. Tal como Trump, ele parece preferir a lealdade à competência, às convicções políticas ou às características adequadas para uma função. Até porque é justamente pela lealdade ao presidente eleito e por não ter qualquer outro objectivo que não garantir o sucesso do sogro que a sua acção é mais apreciada e valorizada.

Essa desvalorização dos aspectos políticos explicará o facto de ter defendido a nomeação de Stephen Bannon para estratega da Casa Branca, apesar dos seus laivos de anti-semitismo. Ou de hoje ser o homem forte de uma administração que tem uma agenda muito conservadora quando ele próprio se moveu até agora em círculos liberais.

Foi educado nesse ambiente, contribuiu já para campanhas de democratas e chegou mesmo a organizar festas de angariação de fundos em sua casa para dois democratas: o actual senador de New Jersey e ex-mayor de Newark, Cory Booker, e o procurador de Nova Iorque Eric Schneiderman, que processou a Trump University por fraude. Um caso que o presidente eleito evitou agora que seguisse para tribunal indemnizando os queixosos em 25 milhões de dólares.

Até o sogro se candidatar à Casa Branca, Jared movia-se portanto essencialmente em círculos liberais nova-iorquinos, o padrão habitual para alguém da sua idade, etnia e estatuto social na Big Apple. Agora prepara-se para ser a eminência parda da administração Trump.

Tudo indica, pois, que o presidente eleito já encontrou o seu Rasputin.

Comentários
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  • Caramelo
    25 nov, 2016 Évora 14:45
    É pá, é só jornalecos pro democrata...parece que estamos em Portugal é tudo pró xuxa, quando não é da mesma cor tudo é mau! O Trump ganhou!!! Ou pensam que a América é como Portugal onde quem perde pode governar com muletas? Será azia? afinal a azia afeta a todos!
  • goncalo
    25 nov, 2016 14:35
    parece mais um presidente da junta que o presidente dos EUA , so falta dar trabalho aos afilhados
  • Francisco Rodrigues
    25 nov, 2016 Algés 11:26
    E pronto.. Com milhares de TVs..jornais.... a Europa só dá importância....ao NYT...(fanático pró partido democrata) e à CNN (CLINTON NEWS NETWORK).. Depois, claro, fica tudo espantado com a eleição de TRUMP. Comparado com a MÁFIA CLINTON...( claro, escondida do NYT E CNN...).este Jared é um assessor de aprendiz... E por falar em magnata.... Os grandes financiadores de Hilary quem são ? SOROS ....O MAIOR ESPECULADOR FINANCEIRO DO PLANETA..,, SAUDITAS...EMIRADOS...BAHREIN...KOWEIT....MARROCOS.... E O COMÉRCIO SEXUAL DAS CRIANÇAS Q A FUNDAÇÃO CLINTON FOI RESGATAR AO HAITI...? Obviamente, CENSURA TOTAL NO NYT E CNN. E NA ATTORNEY GENERAL LORETTA LYNCH.....mas do conhecimento dos SERVIÇOS SECRETOS.... mesmo que Hilary, ganhasse, não ia conseguir governar...tantos são os crimes em que ela e o BILL estão enterrados....