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​Aconteceu na America. E que ventos virão dali?

09 nov, 2016 - 21:34

No Fora da Caixa, analisamos com António Vitorino e Santana Lopes a vitória de Donald Trump, as razões da derrota de Hillary Clinton e o futuro das relações UE-EUA.
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Fora da Caixa (09/11/2016) - Trump Presidente
Fora da Caixa (09/11/2016) - Trump Presidente

O que pesou mais na vitória de Trump? Segundo António Vitorino, a vitória do republicano prova que, nas eleições, “não valem apenas questões económicas mas também identitárias, da relação com o estrangeiro”.

Quanto ao papel de Barack Obama, que também acaba por sair indirectamente derrotado por ter estado tão envolvido na campanha de Hillary, o ex-comissário europeu admito que “o eleitorado afro-americano tenha ficado desapontado com o que foi cumprido face às expectativas da eleição de Obama”. Vitorino acha que esse eleitorado “pode até nem ter votado Trump, mas terá sobretudo ficado na abstenção” e isso contribuiu para a derrota da democrata. Por seu lado, Santana Lopes acha que “os discursos de Obama de 2008 não tiveram concretização. Por isso alguns votaram Trump. E na Europa também há fenómenos desses. E vêm aí ventos que hão-de chegar também à Europa”.

E quanto a Hillary? António Vitorino lembra que “sempre fomos dizendo no Fora da Caixa que Hillary tinha muitos anticorpos. Muita gente iria escolher Clinton como o mal menor”. “Infelizmente”, afirma o ex-comissário, “os americanos escolheram o mal maior”.

Quanto ao peso que pode ter tido a questão dos emails que o FBI reacendeu já muito perto das eleições, António Vitorino acha que Hillary Clinton “reforçou uma ideia que já existia sobre a sua falta de transparência, o que acabou por fazer crescer o sentimento de desconfiança que pode ter pesado… mas não sei se foi assim tão decisivo”, afirma.

Por seu lado, Santana Lopes não alinha “na tese de que é só demérito de Clinton. Trump teve mérito e esteve sozinho sem o Partido Republicano”. O ex-Primeiro-ministro diz que “as pessoas querem mudar. Os Clinton, como outros políticos, davam uma imagem estafada e de quem usa o povo. Em Trump, mesmo as enormidades que dizia não soavam a falso”.

Quanto ao que podemos esperar da politica externa de Trump, Vitorino lembra que “tentar ser racional hoje sobre um discurso completamente irracional de Trump é muito difícil. Vamos ter que ver quem são as pessoas que o vão rodear, para perceber melhor as linhas que vão ser seguidas”.

Santana Lopes, por seu lado, diz ter achado “caricato o contraste entre a campanha e o discurso de aceitação de vitória. Esperemos que ele recue nas questões sérias más. Sobretudo nas relações com o resto do mundo”. Esta é “uma nova era. Faz-me lembrar a chegada de Reagan ao poder”.

Santana Lopes lembra que conheceu Vladimir Putin quando era Primeiro-ministro. “Conversámos bastante e fiquei com a ideia que ele não é radical. É possível trabalhar com ele, desde que a maneira seja justa para ele. Admito que Trump vai ter caminho facilitado”.

Já quanto às relações com a União Europeia, “Trump vai ser mau para a UE e não estou a ver o TTIP a avançar agora. Ele vai ser proteccionista. Além disso, alguém vai ter que explicar a Trump que a NATO também é importante para os EUA”. Santana acha que o novo Presidente norte-americano “vai recuar mais em questões externas do que em matérias económicas”.

As sondagens enganaram-se… mais uma vez

Já tinha acontecido com o Brexit, agora voltou a acontecer nos Estados Unidos. Pedro Santana Lopes diz que “só quem não faz sondagens é que não sabe em que estado as pessoas estão quando lhes fazem os telefonemas: mais de metade das pessoas insulta quem faz sondagens. As pessoas não enganam o entrevistador de propósito, muitas vezes não sabem bem o que responder e até dão respostas de gentileza”. Para o ex-Primeiro-ministro é preciso reconhecer que “houve de facto voto escondido em 4% a 5% de eleitores americanos”.

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