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CERN veio a Portugal pedir ajuda para caçar hadrões

02 nov, 2016 - 22:50

É necessário encontrar o equipamento ideal que permita aumentar o número de partículas de Higgs produzidas pelo acelerador de partículas mais potente do mundo. Um projecto que estará concluído em 2026.
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A Organização Europeia para a Pesquisa Nuclear, ou CERN, esteve em Portugal, na 2ª edição do “HiLumi Industry Day”, para encontrar parceiros industriais para o “High Luminosity”, o seu novo projecto que tem em vista o aumento da performance do LHC, o acelerador de partículas mais potente do mundo.

O professor Lucio Rossi, líder do “High Luminosity”, veio a Portugal com o objectivo de encontrar parceiros industriais que queiram participar na reestruturação do acelerador.

Basicamente, é necessário encontrar o equipamento ideal que permita aumentar o número de partículas de Higgs produzidas pelo LHC. Um projecto que estará concluído em 2026.

O professor deu um exemplo da importância deste projecto: “O ‘High Luminosity’ quer dizer que, supondo que o LHC é uma sala que estamos a observar com uma pequena lâmpada de 20 watts e, de repente, acendemos a lâmpada e ela tem 200 watts, dez vezes mais luminosa. Seremos capazes de ver muitas mais coisas e melhores detalhes.”

O “Large Haldron Collider”, em português, o Grande Colisor de Hadrões, é um acelerador de partículas e o maior instrumento científico do planeta. É um túnel subterrâneo construído em círculo, a 100 metros de profundidade, com 27 quilómetros de comprimento, entre a fronteira da Suíça com a França.

O professor Rossi explica o seu funcionamento: “Nós tiramos os protões, o núcleo do átomo de hidrogénio, e depois aceleramo-los à velocidade da luz… e damos a estas partículas muita massa, muita energia, de forma a que, quando elas colidem, criamos condições muito próximas das do Big Bang.”

Em 2012, uma dessas colisões confirmou a existência do Bosão de Higgs, a partícula que explica a origem de toda a matéria. Esta descoberta era um dos objectivos que levou à construção do acelerador de partículas e que deu ao físico Peter Higgs o Prémio Nobel da Física, em 2013.

O CERN está agora debruçado sobre novos desafios, nomeadamente perceber o que é a matéria negra. Segundo o professor, a única coisa que se sabe sobre esta matéria é que ela existe, nada mais; daí ser precisa muita mais luz para desvendar este novo mistério da ciência.

Em parceria com a Fundação para a Ciência e a Tecnologia, a 2ª edição do “HiLumi Industry Day” realizou-se pela primeira vez fora do CERN, na Suíça, e decorreu no passado dia 31 de Outubro, no Centro de Congressos do Instituto Superior Técnico, em Lisboa.


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