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A Europa e as nossas contas: "E se o holandês voador se mete nisto?"

19 out, 2016 - 20:27

​António Vitorino e Pedro Santana Lopes antecipam na Renascença o olhar de Bruxelas sobre o Orçamento português para 2017.
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Fora da Caixa (19/10/2016)
Fora da Caixa (19/10/2016)

Pedro Santana Lopes acredita que as dúvidas de Bruxelas sobre as contas portuguesas só se resolvem "de uma vez só" com uma "cavalgada política eficaz e rápida" por parte de António Costa.

O antigo primeiro-ministro lembra que o olhar de Bruxelas que está previsto nos tratados "não é uma mera conta aritmética, um algoritmo, ou seja o que for", numa referência à expressão usada pelo ministro das Finanças, Mário Centeno, sobre a grelha de análise da Comissão Europeia sobre o Orçamento do Estado para 2017.

O interlocutor em Bruxelas é um factor relevante. "A questão é se o holandês voador se mete nisto, não é? É um holandês embirrento", graceja Santana Lopes numa referência ao presidente do Eurogrupo, Jeroen Dijsselbloem.

No programa "Fora da Caixa" da Renascença, onde debate temas europeus com António Vitorino, Pedro Santana Lopes expressa curiosidade em relação à estratégia do Governo para reduzir o défice público em 2017.

"Com a devida vénia, eu tenho não vou dizer nem fascínio, nem admiração, mas algum deleite a ver tudo isto. Como é que numa economia que não cresce, em que não há investimento, em que a despesa quer se queira quer não aumenta com as reposições, o défice baixa desta maneira?", questiona o social-democrata.

Vai haver "ranger de dentes"

O peso da opinião alemã faz-se sentir de uma forma ou de outra, reconhece António Vitorino. "A Comissão está cheia de alemães. Não precisa de ir a Berlim", anota o socialista com humor.

O antigo comissário europeu acredita que a discussão com Bruxelas seja mais fácil que no orçamento anterior. "[Pode haver] menos drama, mas estas coisas sem um bocadinho de pimenta não têm piada nenhuma, não é? Portanto, vai haver ranger de dentes", diz Vitorino.

Na interpretação do comentador da Renascença, Mário Centeno quer apenas vincar que Bruxelas "não tem que se pronunciar pelas opções que são tomadas para chegar ao resultado final, desde que o este esteja em linha com os objectivos. Do ponto de vista formal, esta proposta de Orçamento português cumpre esses objectivos, quer no que diz respeito ao défice nominal, quer em relação ao célebre défice estrutural expurgado dos efeitos cíclicos da economia".

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