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Gasóleo profissional. "Continuamos a abastecer em Espanha, onde é mais barato"

07 out, 2016 - 11:49

Os camionistas nacionais já podem abastecer em 55 postos junto à fronteira, mas as empresas de transportes ainda têm de se adaptar à nova realidade.
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Três semanas depois da introdução do gasóleo profissional nos postos fronteiriços, há ainda muitos camionistas que continuam a abastecer em Espanha.

“Abasteci no País Basco, porque é mais barato, independentemente dos descontos, e a nossa empresa não vai prescindir disso”, garante à Renascença Nuno Silva, camionista há mais de uma década e acabado de chegar da República Checa.

O Governo introduziu o gasóleo profissional em 55 postos localizados nos concelhos mais próximos da fronteira. Trata-se de um regime experimental para durar até ao final do ano. Será depois alargado a todo o território nacional.

A maioria dos camionistas que atravessa a fronteira em Vilar Formoso diz que continua a abastecer em Espanha, porque, além de mais barato, as empresas espanholas fazem descontos directos às transportadoras.

Ainda assim, o gerente do posto de combustível da BP junto àquela fronteira diz que já notou o impacto dos descontos, mas aponta algumas falhas. “No domingo, notei que muitos dos camionistas que não paravam aqui começaram a parar, mas noto a falta de um desconto directo”, afirma António Oliveira, 55 anos.

“Os camionistas queixam-se do tempo de espera do reembolso quando metem as facturas às finanças. Era bom que não demorasse tanto tempo”, reforça.

O problema é reconhecido pela Associação Nacional de Transportadores Públicos Rodoviários de Mercadorias (Antram), segundo a qual é cedo para tirar conclusões sobre o resultado da iniciativa do Governo.

“Toda esta questão do processo é pesada e longa. As garantias bancárias, a recuperação do IVA, o desconto em Espanha imediato enquanto aqui demora três meses a ser ressarcido, há uma série de questões e as empresas têm de fazer as suas contas, têm de falar com os seus contabilistas, têm de ver se têm tesouraria suficiente para aguentar três meses sem receber esse dinheiro, porque vão ter um incremento de custo do Estado, têm de perceber se o Estado vai ser bom pagador, a tempo e horas”, enumera Gustavo Paulo Duarte, presidente da Antram.

“As próprias empresas estão a preparar-se para isso. É algo que já esperávamos que não fosse imediato”, garante, acrescentando “que os empresários de transporte deste país estão cada vez mais interessados em perceber como é que conseguem ajustar a sua empresa a esta nova realidade”.

O regime que o Governo quer estender a todo o território em 2017 vai permitir o reembolso parcial do imposto sobre os produtos petrolíferos (ISP), de modo a igualar o preço de venda do gasóleo com Espanha.

O desconto de 13 cêntimos por litro só se aplica ao transporte pesado de mercadorias realizado em camiões com 35 toneladas ou mais e com um limite anual de abastecimento de 30 mil litros de combustível.

Para já, os camionistas param nas áreas de serviço portuguesas, sobretudo, para matar saudades de casa, para “comer um bolinho e beber um café”.

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