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Nobel da Paz atribuído ao Presidente da Colômbia

07 out, 2016 - 10:00

Acordo de paz assinado com as FARC, pondo fim a 52 anos de conflito armado, é a razão apontada pelo Comité para a atribuição do prémio, que é também um tributo às vítimas.

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Nobel da Paz atribuído ao Presidente da Colômbia
Nobel da Paz atribuído ao Presidente da Colômbia

O prémio Nobel da Paz foi atribuído ao Presidente da Colômbia, Juan Manuel Santos, pelo seu empenho para pôr fim à guerra civil do país que matou, pelo menos, 220 mil pessoas.

O anúncio foi feito esta sexta-feira de manhã pela representante do Comité Nobel norueguês, segundo a qual a distinção quer encorajar todos os que tentam alcançar a paz, a reconciliação e a justiça na Colômbia.

“O prémio deve ainda ser visto como um tributo ao povo colombiano que, apesar de tantas dificuldades e abusos, não deixou de ter esperança numa paz justa, e a todas a partes que contribuíram para o processo de paz. Este tributo dirige-se ainda aos representantes das inúmeras vítimas da guerra civil”, afirmou ainda.

Além de vítimas mortais, o conflito na Colômbia provocou perto de seis milhões de deslocados.

O acordo de paz entre o Governo da Colômbia e as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (FARC) foi assinado a 27 de Setembro, colocando um ponto final em mais de 50 anos de guerra.

No referendo do passado dia 26, porém, o povo rejeitou o acordo em referendo. Juan Manuel Santos reconheceu o resultado, mas apressou-se a garantir que “o cessar-fogo bilateral e definitivo é para prosseguir”. Anunciou ainda que iria conversar com “todas as forças políticas – em particular, aquelas que se manifestaram pelo ‘não’ – para escutá-las, abrir espaços de diálogo e determinar o caminho a seguir”.

O Comité reconhece todos estes esforços do Presidente colombiano e “encoraja-o a prosseguir a sua demanda”.

“O facto de a maioria dos eleitores ter rejeitado o acordo de paz, não significa, necessariamente, que o processo de paz esteja morto. O referendo não foi um voto contra ou a favor da paz. O que o ‘não’ rejeitou não foi o desejo de paz, mas um acordo específico”, afirma.

Nesse sentido, “o Comité Nobel espera que todas as partes envolvidas assumam a sua responsabilidade e participem activa e construtivamente nas próximas conversações de paz”, de maneira a que “o povo colombiano possa recolher os frutos do processo de reconciliação”.

Assinado acordo de paz na Colômbia. É o fim de meio século de guerra
Assinado acordo de paz na Colômbia

O Comité termina o anúncio sublinhando a sua convicção “de que o Presidente Santos, não obstante a vitória do ‘não’ no referendo, conseguiu trazer o sangrento conflito muito perto de uma solução pacífica e lançar o histórico processo de reconciliação e fraternidade nacional”.

“Os seus esforços para promover a paz cumprem, assim, os critérios e o espírito do desígnio de Albert Nobel”, conclui.

No ano passado, o galardão foi atribuído ao Quarteto de Diálogo Nacional na Tunísia, responsável pela defesa da democracia naquele país do norte de África e formado por quatro entidades: um sindicato (UGTT), a Confederação da Indústria, Comércio e Artesanato, a Liga dos Direitos Humanos e a Ordem dos Advogados. Foi a partir de solo tunisino que se iniciaram os movimentos da designada primavera árabe.

Outros candidatos

Na corrida ao Nobel estavam os voluntários das ilhas gregas que ajudaram os refugiados na sua chegada a solo europeu.

Especialistas em tratamento a vítimas de violência sexual, Jeanne Nacatche Banyere e Jeannette Kahindo Bindu têm agido nessa área na República Democrática do Congo, tal como Denis Mukwege, o ginecologista cujo papel neste campo da assistência humanitária se revela também fundamental.

Além destes encontram-se os intervenientes nas negociações do acordo nuclear entre EUA e Irão, mas também Svetlana Gannushkina, figura destacada entre os activistas que se batem pelos Direitos Humanos na Rússia.

Os designados capacetes brancos da Síria, elementos da defesa civil de um país devastado pela guerra há cinco anos e meio, são outros elementos que também constam da relação de preferidos para o galardão. Desde 2013 terão salvo perto de 62 mil pessoas, havendo 145 dos quase três mil que constituem o grupo que perderam a vida na heróica tarefa de ajudar os mais desprotegidos.

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  • Zé mundo cão
    07 out, 2016 Ameixieira de cima 19:16
    MAS QUEM É QUE ACREDITA NUMA COISA DESTAS ? ! paz ! mas alguma vez vai haver paz! Bem, se o prémio fosse dividido por ele e pelo da oposição, a coisa ainda podia durar algum tempo! BEM, UMA COISA É CERTA, JÁ LÁ CANTA UMA PIPA DE MASSA.
  • Cecília
    07 out, 2016 Lisboa 14:33
    Fico feliz porque finalmente a Colômbia vai ter paz, pode não ser de imediato, mas é um promissor indício da mesma. Desejo que haja a reconciliação nacional, que as feridas de ambas as partes possam ir cicatrizando e que surja no coração de todos os colombianos esse desejo de PAZ. A guerra é sempre injusta e faz muitas vítimas inocentes, é o que nos mostra a história, mas também ao longo da história nos é mostrado que quando surge a paz os países se tornam mais felizes.
  • Toninho Marreco
    07 out, 2016 Lisboa - Não Provincia 14:08
    Bem . O Sr. merece o prémio .. Rendeu-se aos comunas que desgraçaram o país - e continuam- durante muitíssimos anos mas de qualquer forma merece um aplauso bastante forte pela intenção .