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Francisco e Illia, irmãos invocando o amor que supera as divisões

30 set, 2016 - 14:46 • Aura Miguel em Tibilissi, com Filipe d’Avillez

O Papa apelidou o Patriarca da Igreja Ortodoxa da Geórgio de “irmão”, sublinhando os sacrifícios que os cristãos na Geórgia já fizeram pela sua fé.
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O Papa encontrou-se esta sexta-feira com o Patriarca da Igreja Ortodoxa da Geórgia, no primeiro dia da sua visita àquele país do Cáucaso.

Francisco e Illia II abraçaram-se e trocaram palavras de amizade e de apelo à união, neste que foi o segundo evento do Papa desde que chegou à Geórgia, esta manhã.

Depois de ter escutado as palavras do Patriarca Georgiano, cuja voz trémula e a postura faziam lembrar João Paulo II no final do seu pontificado, e um hino composto pelo Patriarca que deixou Francisco emocionado, o Papa começou por sublinhar o facto de a Geórgia ter uma ligação forte ao apóstolo Santo André, que era irmão de São Pedro, e tirou daí ilações. “Assim a Igreja Ortodoxa da Geórgia, enraizada na pregação apostólica e de modo especial na figura do apóstolo André, e a Igreja de Roma, fundada sobre o martírio do apóstolo Pedro, têm a graça de renovar hoje, em nome de Cristo e da sua glória, a beleza da fraternidade apostólica.”

“De facto, Pedro e André eram irmãos: Jesus convidou-os a deixar as redes e tornar-se, juntos, pescadores de homens. Caríssimo Irmão, deixemo-nos de novo olhar pelo Senhor Jesus, deixemo-nos ainda atrair pelo seu convite a pôr de lado tudo o que nos impede de ser, juntos, anunciadores da sua presença.”

Francisco teceu, de seguida, diversas considerações sobre a importância do amor como virtude que ajuda a superar as divisões, citando inclusivamente poetas georgianos e referindo Santa Nino, a menina escrava que converteu a Geórgia e cujo símbolo é uma cruz de madeira de videira, e tornando muito clara a sua amizade pelo país. “Desejo ser amigo sincero desta terra e deste povo querido, que não esquece o bem recebido e cujo tratamento hospitaleiro se alia com um estilo de vida genuinamente esperançoso, mesmo no meio das dificuldades que nunca faltam. Também este carácter positivo se enraíza na fé, que leva os georgianos, à volta da própria mesa, a implorar a paz para todos, lembrando até os inimigos.”

A Geórgia tem uma riquíssima história cristã, mas como tantos outros países da ex-União Soviética sofreu duras perseguições durante o século XX. Das 2455 igrejas existentes no país em 1917, apenas 80 estavam a funcionar durante os anos 80 e estas eram, sobretudo as que estavam sob a influência do regime.

Os tempos presentes também são de divisão na Geórgia, com algumas alas intransigentes a oporem-se a qualquer abertura ecuménica do Patriarca, ameaçando até romper comunhão com ele e levando-o a retirar-se de algumas organizações ecuménicas internacionais.

No seu discurso, Francisco apelou a que as dificuldades e diferenças de opinião não sejam dificuldades mas estímulos na caminhada para a união. “A multidão de Santos, que conta este país, encoraja-nos a colocar o Evangelho em primeiro lugar, evangelizando como no passado, e mais do que no passado, livres das amarras dos preconceitos e abertos à perene novidade de Deus. Que as dificuldades não sejam impedimentos, mas estímulos para nos conhecermos melhor, compartilharmos a seiva vital da fé, intensificarmos a oração de uns pelos outros e colaborarmos com caridade apostólica no testemunho comum, para glória de Deus nos céus e ao serviço da paz na terra.”

Os verdadeiros inimigos, disse Francisco, não são os outros homens, mas o mal. “Com a paz e o perdão, somos chamados a vencer os nossos verdadeiros inimigos, que não são de carne e sangue, mas os espíritos do mal fora e dentro de nós. Esta terra abençoada é rica de heróis valorosos segundo o Evangelho que souberam, como São Jorge, derrotar o mal. Penso em tantos monges e, de modo particular, nos numerosos mártires, cuja vida triunfou ‘com a fé e a paciência’, passou através da prensa do sofrimento, permanecendo unida ao Senhor e assim produziu um fruto pascal, irrigando o solo georgiano com sangue derramado por amor.”

“A sua intercessão dê alívio a tantos cristãos que ainda hoje, no mundo, sofrem perseguições e ultrajes e reforce em nós o desejo bom de vivermos fraternalmente unidos para anunciar o Evangelho da paz”, concluiu Francisco.

A Renascença com o Papa Francisco na Geórgia e no Azerbaijão. Apoio: Santa Casa da Misericórdia de Lisboa

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