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150 anos dos missionários espiritanos

“Somos multinacionais. A mudança geográfica é uma das nossas imagens de marca”

08 set, 2016 - 07:11 • Ângela Roque

Os missionários do Espírito Santo estão em festa. Arranca esta quinta-feira o Jubileu que assinala século e meio de presença em Portugal. Conversámos com o Provincial dos Espiritanos sobre a Congregação e as comemorações que vão prolongar-se por mais de um ano.
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Os missionários do Espírito Santo começam a assinalar, esta quinta-feira o Jubileu, os 150 anos de presença em Portugal.Até Novembro de 2017 serão vários os momentos e eventos que irão marcar as celebrações.

Angola continua a ser destino prioritário de missão, mas em Portugal os espiritanos também dão resposta a muitas áreas de “periferia” e de “margem”. A presença da congregação em Portugal teve desde sempre um objectivo claro, como sublinha o Provincial dos Espiritanos, padre Tony Neves: “Formar padres e irmãos portugueses para enviar para Angola. E é verdade que os primeiros 75 anos da nossa missão espiritana portuguesa foram exclusivamente direccionados para aquele país. Só ao fim de 75 anos é que nos virámos para Cabo Verde e só depois das independências das antigas colónias é que abrimos numa vintena de países diferentes nos continentes quase todos.”

Os espiritanos estão em 65 países. Em Portugal, são 130, espalhados por 11 comunidades. “Estamos de norte a sul, do interior ao litoral. A nossa pastoral vocacional está muito direccionada para ajudar a Igreja portuguesa a despertar para a missão e, assim, também podermos ter missionários a enviar”, diz o sacerdote.

Partir está sempre no horizonte mas a missão também se cumpre cá dentro. “Em Portugal, tentamos ser também missionários. Há muitas áreas, não só geográficas, mas sobretudo áreas de periferia e de margem, que precisam do nosso apoio e onde estamos a colaborar", diz Tony Neves, exemplificando: “Temos inserções paroquiais em realidades complicadas, como em Vila Real, Beja ou Algarve. Mas, ao mesmo tempo, temos trabalhos como a Capelania dos Africanos, em Lisboa, que tenta apoiar pastoralmente alguns dos bairros periféricos, mais habitados por africanos de origem. E temos, por exemplo, o nosso centro Padre Alves Correia que, também em Lisboa, acompanha dezenas e dezenas de imigrantes, sobretudo aqueles que não são capazes de singrar na vida. Também tomámos uma opção muito clara a favor do acolhimento dos refugiados. Já acolhemos uma família em Braga, e temos planos para acolher mais uma outra.”

Nas comunidades portuguesas, há sempre missionários de outras nacionalidades porque, explica o padre Tony Neves, “somos multinacionais".

"Estamos em vários países e temos sempre muita permeabilidade, muita mudança geográfica. Temos diversos portugueses que estão a trabalhar fora e temos outros, sobretudo africanos, que estão a estudar ou a trabalhar em Portugal. Isto para nós é uma questão de imagem de marca, porque nós somos uma congregação internacional e as nossas comunidades são todas internacionais. No caso de Portugal, claro, a maioria das comunidades é habitada por missionários portugueses, por uma questão de inserção e de conhecimento da realidade, mas praticamente todas as comunidades têm missionários que vêm de outro sítios, como do Gana, da Republica Centro Africana ou da Nigéria.”

A relação com Angola mantém-se muito estreita. Foi para lá que, este Verão, partiram em missão vários jovens e, desta vez, também adultos: “Houve um grupo de Jovens Sem Fronteiras que esteve na missão de Kalandula, na arquidiocese de Malange, e outro grupo esteve no sul, na missão do Munhino, que é o noviciado espiritano que fica perto da cidade de Lobango. Esse grupo teve características especiais, e foi a primeira vez que o fizemos na história, era um grupo de gente madura, entre os 40 e os 70 anos, que estão ligados aos nossos movimentos laicais como a LIAM (Liga Intensificadora da Acção Missionária) e o Movimento Missionário de Professores. Termos levado um grupo de jovens, mas também um grupo de adultos ajudou a fazer com que todas as grandes gerações da família laical espiritana pudessem fazer uma experiência de missão em Angola.”

Estas missões de Verão são de um mês, mas há outros jovens e adultos que se envolvem por mais tempo, no âmbito do Voluntariado Missionário Espiritano. Em todos os casos tentam ajudar nas áreas onde há mais carências, como a educação e saúde. “Nos nossos projectos missionários, sejam os de um mês, sejam o de longa duração, fazemos sempre apostas muito fortes na saúde, na educação, no desenvolvimento, nos direitos humanos, e na pastoral directa. Pelo menos estas 5 áreas são de especial investimento durante estas missões”, explica Tony Neves.

Ao todo as missões para África mobilizaram este Verão 30 jovens e adultos. Outros cem participaram, por cá, nas quatro semanas missionárias e no intra-rail que se realizou. São experiências que o Provincial dos Espiritanos espera repetir e, se possível, incrementar, no âmbito do Jubileu que hoje começa e durante o qual esperam fazer “uma memória agradecida do passado, viver com paixão o presente, e construir com esperança o futuro”.

As comemorações vão prolongar-se até 5 de Novembro de 2017, durante mais de um ano durante o qual haverá “uma quantidade enorme de eventos e momentos". O padre Tony Neves destaca, do programa previsto, as Jornadas de Espiritualidade Missionária Espiritana, marcadas para Fevereiro, em Fátima, onde a Família Espiritana irá em peregrinação em Julho seguinte. Em Outubro de 2017, haverá um colóquio teológico-missiológico, no seminário da Torre da Aguilha.

A abertura oficial do Jubileu dos Missionários Espiritanos em Portugal vai realizar-se esta quinta-feira, em Barcelos, num dia em que já é habitual a congregação estar em festa com a entrada de novos membros e a celebração de quem assinala 25 ou 50 anos de ordenação.

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