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Madeira. Incêndios fazem mil deslocados, três mortos e dois feridos

10 ago, 2016 - 00:15

Relatos descrevem cenário "dantesco". Algumas pessoas abandonaram as suas casas no centro do Funchal, levando malas e animais. Há uma pessoa desaparecida.
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Três pessoas morreram no Funchal, na sequência dos incêndios que desde segunda-feira à tarde assolam a ilha da Madeira, adianta fonte do Governo Regional da Madeira, esta quarta-feira de manhã.

As mortes ocorreram na zona da Pena (freguesia de Santa Luzia), na travessa Silvestre Quintino de Freitas, sendo moradores de duas das residências atingidas pelo fogo. Uma das vítimas mortais é uma idosa acamada que se encontrava numa das habitações afectadas. Há também duas pessoas feridas com gravidade.

As últimas informações, divulgadas pela agência Lusa, dão ainda conta de uma pessoa desaparecida.

Além disso, cerca de mil pessoas foram retiradas de casas e hotéis para vários locais do concelho do Funchal, na sequência do fogo que atingiu a zona baixa da cidade, disse o presidente da autarquia.

“Temos cerca de mil deslocados de casas e hotéis, são residentes e turistas. Cerca de 600 estão no Regimento de Guarnição n.º 3 (Exército), 300 estão no estádio dos Barreiros e 50 no centro cívico de São Martinho”, afirmou à agência Lusa Paulo Cafôfo pelas 3h00, quando se encontrava neste último local e já depois de ter passado pelas instalações do Exército.

Assinalando ser “impossível” fazer, neste momento, a contabilidade do número de edifícios que arderam, porque a preocupação está centrada na “intervenção rápida e eficaz” no combate ao incêndio, Paulo Cafôfo confirmou, contudo, que o emblemático hotel Choupana Hills ardeu.

O autarca adiantou que as pessoas estão a ser acompanhadas com apoio psicológico e por voluntários e, “embora desgostosas com o que se está a passar, estão tranquilas”.

O presidente do maior município da Região Autónoma da Madeira acrescentou àquela hora existirem duas situações a gerar “maior preocupação”, o incêndio no núcleo histórico de São Pedro e um reacendimento nas Babosas, no Monte.

No primeiro caso, Paulo Cafôfo esclareceu que “se se mantiverem as condições meteorológicas, serão necessárias mais duas ou três horas de trabalho”, acreditando que “o pior já passou, mas ainda há o combate ao fogo em alguns edifícios, a que se segue a fase de rescaldo”.

Na zona das Babosas, que “já tinha tido problemas, está com reacendimento e estão a ser deslocados meios para o local”.

Para evitar um grande afluxo de pessoas no centro da cidade, o Governo dispensou os funcionários públicos considerados não imprescindíveis de comparecer ao trabalho na quarta-feira de manhã.
Também as consultas externas no hospital Dr. Nélio Mendonça, no Funchal, foram adiadas pelo segundo dia consecutivo.


"Situação periclitante"

O líder do governo regional afirma que o número de casas destruídas pelas chamas "vai subir substancialmente" em relação às 37 que tinham sido registadas até à tarde de terça-feira.

Os incêndios propagaram-se das zonas altas do Funchal para o centro da cidade. Miguel Albuquerque diz que a situação ainda não está controlada e vai ser preciso muito trabalho. "Temos uma situação muito periclitante que necessita de uma grande atenção por parte dos corpos de intervenção."

O governante agradece a ajuda enviada pelo Governo de Lisboa, que enviou três equipas de 110 elementos, e pelos Açores, que contribui com 20 operacionais.

O fogo chegou esta terça-feira ao final da tarde ao centro da cidade e consumiu, pelo menos, vários edifícios devolutos.

Os relatos falam num cenário "dantesco". Algumas pessoas abandonaram as suas casas no centro do Funchal, levando malas e animais. Há cortes de energia na cidade.

As chamas deflagraram nas zonas altas do Funchal, em São Roque, pelas 15h30 de segunda-feira e, na terça-feira à noite, o fogo desceu à baixa do Funchal, havendo ainda incêndios a lavrar noutros concelhos da ilha. Há avultados danos materiais.


[notícia actualizada às 8h25]

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  • vida difícil
    10 ago, 2016 Santarém 23:02
    Em Outubro já ninguém falará de incêndios e muito menos os políticos e tudo ficará como dantes como sempre tem acontecido, limpeza de terrenos é o que se vê, não existe, vigilância onde até as forças armadas em vez de passarem as tardes deitados na caserna poderiam vigiar as matas, não existe, incendiários são repetentes, justiça não existe, num país ao desleixo e abandonado o que mais se espera?.
  • Julio Santos
    10 ago, 2016 Albufeira 10:38
    Morte a quem provocou os incêndios
  • CUNHA
    10 ago, 2016 BRAGA 10:14
    Porquê o Dr.Miguel Albuquerque não admitiu o que era obvio ao início do dia de ontem - que precisava de ajuda do Continente. Não compreendo.
  • Fausto
    10 ago, 2016 lisboa 09:40
    Poi é...a forma como o fogo se propaga não dá hipótese com incendiários ou não este é o verdadeiro problema da época dos incêndios, a falta de prevenção, a seguir vêm as chuvadas que irão fazer tanto ou mais estragos ainda devido à degradação dos solos e falta de arvores mas não tarda todas as atenções vão virar-se para o futebol e para os planos a e b não vale apena arreliarem-se com isso...
  • Bombeiros da Paz
    10 ago, 2016 Portalegre 09:19
    Caraças. Parece um Apocalipse! Força Madeira.
  • Zé Brasileiro
    10 ago, 2016 Braga 08:25
    Costa pede cuidado á população , mas aos incendiários NÃO PEDE NADA . Cabecinha pensadora ...
  • Joao refugigrado
    10 ago, 2016 França 08:17
    ....por estas e por outras meus amigos....meninos e meninas....não nos podemos deixar dormir e estar sempre de olho no uso dos dinheiros públicos.....de certeza que se houvessem menos disparates e abusos no uso dos dinheiros neste momento mesmo que houvesse incêndio Grande...nunca chegaria a estas proporções porque os meios de combate seriam diferentes na quantidade e na qualidade e também teriam sido investidos muitos mais euros na prevenção e o apoio as vítimas seriam bem mais alargado e eficaz....SE HOUVESSE DINHEIRO.....mas como não há e o dinheiro foi sendo usado em.....casarões com piscinas e afins que nem os próprios donos de tais propriedades tem a noção da indignidade da situação....não desejo mal a ninguém mas espero que pelo menos uma casinha ou duas destas que falei tenham ardido e que os proprietários de lembrem que a próxima vez tem que roubar pouco menos de dinheiro e investir em certas coisas aparentemente inúteis.....desejo Boa sorte a todos mas não contém com um centimo meu de ajuda nem para a madeira e nem para o continente.
  • gaiola
    10 ago, 2016 bragança 07:53
    Temos que ter pena das pessoas que perderam os seus bens no terror destes incêndios que na certeza porem foram causados por mãos criminosas. Aqui as nossas autoridades que fazem a leis sobre as as coimas e as penas a aplicar são culpadas porque para estes criminosos deviam ser mais duros. Hoje são mais punidas as pessoas que ando no seu trabalho com honestidade e que pagam os seus impostos doque estes criminosos que so causam sofrimento a quem levou uma vida de trabalho duro para conseguir alguma coisa. E SE OS NOSSOS POLITICOS CORRUPTOS NAO DESVIASSEM TAMTOS MILHOES DE EUROS NAO PRESISAVAM DE CORTAR TANTO NOS MEIOS DE COMBATE A INCENDIOS O QUE TORNA A VIDA DOA BOMBEIROS MUITO DIFICIL. AJA MAO NESTE PAIS PORQUE ISTO SO VAI PARAR QUANDO ESTIVER TUDO DESTRUIDO POR ESTES CRIMINOSOS DE INCENDIARIOS E POLITICOS CORRUPTOS. BOM TEMPO EM QUE SE RESPEITA O NOME DE PORTUGAL