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​FMI faz contas ao trabalho da troika

29 jul, 2016 - 10:39 • Pedro Caeiro

Um dos três membros da troika encomendou um relatório sobre a actuação no caso português e grego e as conclusões não são nada famosas. FMI, BCE e Comissão Europeia falharam a vários níveis na recuperação destas duas economias europeias.

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Revista de Imprensa de temas europeus (29/07/2016)
Revista de Imprensa de temas europeus (29/07/2016)

Manhã marcada nas capas dos jornais nacionais pelo relatório do Fundo Monetário Internacional. O FMI fez um exame de consciência e o jornal “i” diz que este documento faz uma “auto-análise crítica dos programas na Grécia e em Portugal”. No mesmo jornal o título diz mesmo que “a auto-avaliação do FMI arrasa as opções de Vítor Gaspar, que trabalha agora para Fundo Monetário Internacional”.

Já o “Público” refere que a “retoma das exportações em Portugal teve pouco a ver com a troika”, conclui o FMI. De recordar que a troika era composta pelo próprio FMI, mas também pela Comissão Europeia e pelo BCE e o exame encomendado pelo FMI conclui que o sucesso do programa da troika em Portugal “está fortemente em dúvida”, alertando para a falta de atenção que foi dada à banca e lamentando a reestruturação da dívida..

E, por falar em troika, o “Diário de Notícias” dá conta que os “funcionários públicos portugueses não vão ter aumentos em 2017” e acrescenta que o valor que for pago em Dezembro de 2016, depois de recuperados todos os cortes salariais do tempo da troika, será aplicado no ano seguinte.

Aqui ao lado, o “El Pais” destaca na primeira página o facto de “Merkel não ceder ao terrorismo e querer manter a política migratória”. A Chanceler alemã anunciou um plano com 9 pontos para o combate ao terrorismo, e entre eles está uma maior facilidade em expulsar requerentes de asilo que tenham cometido delitos. No entanto, deixou bem claro que quer mesmo levar por diante a política alemã de asilo. O mesmo vem na capa do francês “Figaro”, a dizer que “apesar das críticas internas, Merkel mantém a política para os refugiados”. O mesmo refere o italiano “La Repubblica”.

Ainda o problema do terrorismo tratado no país europeu que mais tem sofrido, com a capa do “Liberation” toda ela dedicada ao tema. Com uma cabeça em que apenas se vê o contorno, o título é uma pergunta: “Devemos mostrar os terroristas?”. A própria imprensa francesa debate se se deve dar notícia de todos os actos terroristas e dar rosto aos autores destes ataques, uma vez que se assiste ao fenómeno de “imitação” e os últimos ataques foram levados a cabo por solitários, muitas vezes com personalidades perturbadas, que querem ficar conhecidos.

Destaque, ainda, por cá, para o relatório divulgado já esta manhã pela Lusa. Um estudo da Comissão Europeia mostra que mais de 15 mil pessoas foram vítimas de tráfico na União Europeia no ano passado. A maioria das vítimas é oriunda da Nigéria, China, Albânia, Vietname e Marrocos. O estudo é divulgado um dia antes de se assinalar o Dia Mundial Contra o Tráfico Humano, uma iniciativa das Nações Unidas para amanhã. A maior parte dos casos de tráfico humano estão relacionados com exploração sexual, mas em Portugal a maioria dos casos é de exploração laboral, sobretudo no sector agrícola.
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