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Novo referendo à independência na Escócia está em cima da mesa

24 jun, 2016 - 11:02

"A Escócia enfrenta a perspectiva de ser retirada da UE contra a sua vontade. Considero que isso é democraticamente inaceitável", declarou.

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A primeira-ministra escocesa, Nicola Sturgeon, afirmou que um segundo referendo pela independência da Escócia está "em cima da mesa", após a decisão do Reino Unido de sair da União Europeia, no referendo de quinta-feira.

"A opção por um segundo referendo deve estar em cima da mesa e está em cima da mesa", disse, acrescentando que a legislação para uma nova auscultação da população, após o referendo realizado em 2014, será preparada quando o parlamento escocês aprovar a sua realização.

Sturgeon lamentou o resultado do referendo, em que 52% dos britânicos apoiaram a saída do Reino Unido da União Europeia (UE), e assegurou que fará "todos os possíveis" para manter a Escócia no espaço comunitário.

Ao contrário da Inglaterra e de Gales, a Escócia votou maioritariamente a favor da permanência na União, pelo que o Governo autónomo considera que será retirada à força do bloco comunitário.

"Da forma como estão as coisas, a Escócia enfrenta a perspectiva de ser retirada da UE contra a sua vontade. Considero que isso é democraticamente inaceitável", declarou.

A líder independentista assinalou que o 'brexit' supõe "a alteração material de circunstâncias" que o seu Governo requeria para admitir um segundo referendo, pelo que este "deve estar e está em cima da mesa".

Além disso, Sturgeon disse que pedirá ao Governo central que permita ao executivo de Edimburgo estar informado e envolvido em todos os passos da negociação para a saída do Reino Unido da União Europeia, depois de ser formalmente invocado o artigo 50.º do Tratado de Lisboa.

A responsável pedirá também uma reunião com o presidente da Comissão Europeia, Jean-Claude Juncker.

O Governo do Partido Nacionalista Escocês (SNP, na sigla em inglês), liderado então por Alex Salmond, convocou um referendo sobre a independência da região a 18 de setembro de 2014, em que os independentistas foram derrotados com 45% dos votos, contra os 55% que apoiaram a manutenção da unidade do Reino Unido.

Na sua intervenção desta sexta-feira, a primeira-ministra escocesa recordou que nessa consulta a independência foi derrotada em parte porque os partidários da união conseguiram convencer os escoceses de que deixar o Reino Unido significaria que a Escócia ficaria fora da União Europeia, o que acabará agora por acontecer.

"Isto significa que há uma alteração material e significativa das circunstâncias em que a Escócia votou contra a independência em 2014", afirmou.

Por outro lado, Sturgeon defendeu que o voto favorável ao 'brexit' se deveu sobretudo ao descontentamento dos cidadãos com os cortes do Partido Conservador e o abandono do Partido Trabalhista.

[Notícia actualizada às 17h37]

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  • Joana
    25 jun, 2016 Lisboa 12:30
    Força, Escócia! Que o espírito de William Wallace e dos cavaleiros Templários que a ele se juntaram te dê forças para, finalmente, alcançares a independência. E força, minha Irlanda verdejante, tu que és a herdeira da mais pura tradição celta!