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Morreu a deputada inglesa atacada por alegado militante contra a União Europeia

16 jun, 2016 - 14:54

Testemunhas indicam que o autor do crime terá gritado “Grã-Bretanha primeiro”, antes de disparar e esfaquear Jo Cox, deputada do Partido Trabalhista.
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A deputada trabalhista inglesa Jo Cox, de 41 anos, morreu esta quinta-feira depois de ter sido baleada e esfaqueada por um homem que terá gritado “Grã-Bretanha primeiro” antes de a atingir. A notícia do óbito foi avançada pela polícia inglesa.

Um homem entre os 40 e os 50 anos sofreu ferimentos ligeiros.

As autoridades prenderam um suspeito e têm em curso uma investigação para apurar os motivos do crime.

Em conferência de imprensa, o chefe da polícia dissse acreditar que se tratou de um incidente localizado.

Jo Cox estava num encontro com eleitores em Birstall, West Yorkshire, quando se deu o incidente, mas os detalhes são ainda incertos.

Uma das versões é de que a deputada tentou intervir numa discussão entre dois homens quando um deles, de chapéu branco, tirou uma arma e a baleou, ferindo também o outro homem.

O alegado criminoso foi detido. Tem 52 anos. A polícia adianta que não está a procurar mais nenhum suspeito.

Jo Cox chegou ao hospital em estado grave, mas não resistiu aos ferimentos.

A confirmar-se que o criminoso gritou de facto as palavras de ordem "Grã-Bretanha primeiro", o incidente poderá estar ligado ao referendo sobre a permanência na União Europeia. O Partido Trabalhista opõe-se à saída da União Europeia e a deputada tem feito campanha activa contra o "brexit".

Em resposta a este incidente a campanha pró-permanência na União Europeia suspendeu as suas actividades.

Uma "tragédia" e um "dia devastador"

A morte da deputada Jo Cox “é uma tragédia”, afirma o primeiro-ministro britânico, David Cameron.

“Ela era uma deputada empenhada e preocupada. Os meus pensamentos estão com o seu marido Brendan e com os dois filhos”, escreveu Cameron na rede social Twitter.

O antigo primeiro-ministro Gordon Brown fala num “dia devastador e num golpe devastador para a democracia”.

"A Jo acreditava num mundo melhor e lutava por isso todos os dias", afirmou o marido Brendan Cox.

Jo Cox nasceu em 1974, na cidade de Dewsbury, no Norte do país. Foi a primeira da sua família a licenciar-se. Estudou na Universidade de Cambridge e concluiu o curso em 1995.

Antes de ser deputada, trabalhou na campanha eleitoral de Barack Obama, em 2008, e no Parlamento Europeu.

Também ocupou um lugar de destaque na organização não-governamental Oxfam e destacou-se numa campanha de prevenção da mortalidade infantil com Sarah Brown, mulher do antigo primeiro-ministro Gordon Brown.

[Notícia actualizada às 17h45. Jo Cox acabou por morrer]

Comentários
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  • Teorias
    16 jun, 2016 Lisboa 23:02
    Há por aí pessoas que estão mesmo a precisar de assistência; e urgente. Então, segundo algumas mentes iluminadas, isto é obra de fascistas, nazis, pró-EU, já agora ... também da Sra. Merkel, e se virmos bem, do Adolf do bigode também. Oh criaturas! A mentalidade, que claramente não vos passa, de KGB e STASI, tolda-vos o raciocínio. Isto é tanto obra daqueles que acusam, como o foi a morte, com quatro tiros à queima roupa, do principal opositor de Putin. Vocês ainda sonham todos em mandar a malta que não alinha pela cartilha para a Sibéria!
  • vasco
    16 jun, 2016 Viseu 22:28
    Será que para um País fazer ou não parte da União Europeia é necessário tirar a vida a uma pessoa, que ainda por cima era Mãe de duas crianças. Oh! Malfadado mundo para onde caminhas?
  • rosinda
    16 jun, 2016 palmela 20:58
    Que Deus lhe de eterno descanso! E que os homens façam justiça ninguem tem o direito de tirar a vida a uma pessoa desta forma.
  • Joao Gozando
    16 jun, 2016 lx 20:50
    É a vitoria da Grécia. Depois do espectáculo alucinante de prepotência, de arrogância, espírito vingativo, de incompetência que a Europa mostrou contra a Grécia só alguns dos parvos dos Portugueses é que não perceberam quem lidera a europa a seu belo prazer, com que objectivos e que espécie de democracia existe. Ainda hoje me custa acreditar em situações que ocorreram naquele circo romano que não imaginei serem possíveis de assistir hoje em dia numa Europa que se afirma democrática.
  • AB
    16 jun, 2016 Evora 20:35
    Espero que o Costa não meta novamente os pés pelas mãos, como sobre Orlando, e venha para as redes lamentar este "terrível caso de sexismo". Não foi homofobia em Orlando, nem é política neste caso. É gente doida a quem deram armas.
  • Sérgio Sodré
    16 jun, 2016 Carcavelos 20:20
    O "Brexit" estava à beira de vencer... Mas, por outro lado, todos sabemos que só os russos são capazes de tomar certas medidas... Foi, decerto, um louco e um acaso. Como já escreveu outra pessoa "Oxalá a morte desta senhora não tenha sido em vão!!"... e tenha sido um acaso.
  • MCL
    16 jun, 2016 Bucelas 19:13
    Os ingleses bem demonstram ao mundo o que são, agora não querem ser "europeus". Será que eles não precisam de exportar o que querem vender? Se não tivessem o petróleo, acho que já teriam uma ideia diferente. Por outro lado, onde está a democracia deles, matam só porque há pessoas com pensamentos diferentes. Mas enfim é o mundo onde vivemos!
  • Ó maria, lisbon
    16 jun, 2016 lx 18:24
    mais respeito pela vida humana!...e se fosse a sua ou de algum familiar seu, também faria a teoria da conspiração! Ao que este mundo chegou, com certas mentes! Nojento!
  • maria
    16 jun, 2016 lisboa 18:22
    porque o meu comentario não foi publicado? direito de expressão ja foi ou esta para vir?
  • Carlos Costa
    16 jun, 2016 Santarem 18:15
    Oxalá a morte desta senhora não tenha sido em vão!!