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Escravatura moderna atinge 45,8 milhões de pessoas no mundo

31 mai, 2016 - 07:55

Brasil e Portugal são os países lusófonos com menor percentagem de "escravos modernos", segundo o relatório da fundação australiana Walk Free.
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Pelo menos 45,8 milhões de pessoas estão sujeitas a uma qualquer forma de escravatura em todo o mundo. O número é avançado pelo Índice Global de Escravatura 2016, elaborado pela Fundação Walk Free, com sede na Austrália.
Segundo o resumo do índice da fundação, criada em 2012 pelo casal filantropo australiano Andrew e Nicola Forrest, e pela filha de ambos, Grace, o total de casos estimados aumentou desde 2012, quando as projecções indicavam que existiam cerca de 35 milhões e pessoas sujeitas à escravatura.
No resumo, que não avança os números de cada país, é indicado que a Coreia do Norte, Uzbequistão, Camboja e Índia são os Estados com maior índice de prevalência de "escravatura moderna", em cujo "top 11" se incluem também a China, Paquistão, Bangladesh, Rússia, Nigéria, República Democrática do Congo (RDCongo) e Indonésia.
"Muitos destes países produzem com o mais baixo custo bens de consumo para abastecer os mercados da Europa Ocidental, Japão, América do Norte e Austrália", lê-se no documento, que salienta, porém, que vários países ocidentais já começaram a legislar para combater o abuso em indústrias chave, entre eles Portugal.
Além do Reino Unido, pioneiro na legislação de combate à "escravatura moderna", e de Portugal, estão também na primeira linha a Holanda, Estados Unidos, Suécia, Austrália, Croácia, Espanha, Bélgica e Noruega.
A nova legislação, que criou critérios mais precisos na definição e nas políticas de combate a quaisquer formas de escravatura moderna, obriga os governos a identificar os sobreviventes e criar mecanismos de justiça criminal e de coordenação.
Obriga também a aplicar medidas para viabilizar a melhoria de comportamentos e dos sistemas e instituições sociais, bem como garantias de que as grandes empresas e governos evitem comprar mercadorias de países que contam com qualquer forma de escravatura moderna.
Portugal tem 12.800 escravos
Brasil (161.100) e Portugal (12.800) são, entre os nove países lusófonos, os Estados com menor percentagem estimada de "escravos modernos".
Do lado oposto, segundo o índice, os países que menos fazem para alterar a lei estão a Coreia do Norte, Irão, Eritreia, Guiné Equatorial, Hong Kong, República Centro-Africana, Papua Nova Guiné, Guiné-Conacri, RDCongo e Sudão do Sul.
No índice da Fundação Walk Free refere-se, por outro lado, que, mesmo quando o país tem um Produto Interno Bruto (PIB) elevado, casos de Hong Kong, Qatar, Singapura, Kuwait, Japão e Coreia do Sul, a riqueza adquirida não significa que haja um combate efectivo ao fenómeno, pelo que lhes recomenda maior empenhamento na luta.
No extremo oposto, o índice realça que países como Brasil, Filipinas, Geórgia, Jamaica e Albânia estão a efectuar "grandes esforços" para combater o fenómeno, apesar de terem recursos relativamente menores dos que os países ricos.
Como regiões e países em que são estimadas menor prevalência de qualquer forma de escravatura moderna, explica-se no índice, figuram a Europa Ocidental, América do Norte, Austrália e Nova Zelândia, casos em que é crescente o combate ao fenómeno.
Desastres, guerras e tráfico aumentam vulnerabilidades
As guerras, desastres naturais e tráfico de pessoas registados nos últimos anos têm gerado números sem precedentes de deslocados, refugiados e migrantes, tornando-os "vulneráveis" a qualquer forma de escravatura moderna.
"Os estudos regionais destacaram a interdependência entre a destruição ambiental, os desastres naturais e o tráfico de pessoas, o impacto de conflitos em casamentos forçados, a exploração comercial de sexo, crianças soldado, instrução limitada e oportunidades de emprego forçado" constituem as principais razões para o aumento da fragilidade e vulnerabilidade das pessoas, lê-se no documento.
"No Índice 2016, os números sem precedentes de deslocados, refugiados e migrantes registados a partir de 2015, oriundos sobretudo do Médio e Extremo Oriente, aumentou significativamente a vulnerabilidade das pessoas no contexto de escravatura moderna", acrescenta-se no relatório da Fundação Walk Free.
O índice da fundação divide o mundo em seis regiões - Ásia, Europa, Rússia e Eurásia, África subsaariana, Médio Oriente e Norte de África e Américas.
Segundo as estimativas apresentadas no documento, a Ásia, a região mais populosa do mundo, representa quase dois terços do total de pessoas vítimas de escravatura moderna, uma vez que recruta maioritariamente mão-de-obra sem qualquer especialização para as cadeias de produção.



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  • Judite Gonçalves
    31 mai, 2016 Barreiro 10:22
    A culpa de toda esta escravatura, de todo este roubo da dignidade humana tem que ser assumida por todos nós. Não apenas pelos governos, mas pela sociedade em geral e por cada cidadão em particular. Nós sempre andamos à procura de mercadoria barata, sem que nos preocupemos com a origem ou como é que o barato foi conseguido. O que interessa é consumir cada vez mais, e quanto mais barato melhor, não importa, não interessa saber de onde é a origem do produto e quão elevado é o preço do esforço humano. O que interessa é viver bem. O que está lá longe a trabalhar horas a fio com baixas salários, isso não nos interessa na hora de consumir. E como sempre a culpa é do outro.
  • Zé Povinho
    31 mai, 2016 Lisboa 10:06
    Portugal é um dos país onde se pratica a escravatura moderna, pois não faltam patrões montados em carros de centenas de milhares de euros e a pagar salários aos seus empregados abaixo dos 500 euros mensais! Isto é escravatura moderna, exploração da mão-de-obra ao máximo, para terem o máximo de lucro possível.
  • 31 mai, 2016 lisboa 09:14
    a escravatura moderna assenta na globalização, entrega das soberanias dos países a um governo global dominado pela grande finança!! idealizado por Karlergi e posto em pratica pelo clube de bilderberg cujo representante em Portugal é o durão barroso (educador da classe operária ex MRPP) andamos a trabalhar para meia dúzia de usurários donos do mundo.