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Visto de Bruxelas

​Os avisos de Bruxelas que não param de chegar e o drama dos refugiados que se prolonga

30 mai, 2016 - 11:08 • Pedro Mesquita , André Rodrigues

Às sextas, analisamos os temas que marcaram a semana europeia. Hoje falamos de refugiados em mais um capítulo da reportagem “Encalhados no Quintal da Europa”. Retomamos os avisos a Portugal por causa do défice excessivo. Falamos do “Brexit” e do aviso do G7 ao Reino Unido: a saída da União Europeia pode comprometer de forma decisiva a dinâmica de crescimento económico à escala global. Olhamos ainda a situação na Áustria depois da quase vitória da Extrema-Direita nas Presidenciais.
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2016.05.27 Visto de Bruxelas 13h00
2016.05.27 Visto de Bruxelas 13h00

Começamos pelo impasse dos refugiados que chegam à Grécia depois da fuga aos conflitos nos países de origem. Já lá vão mais de dois meses, desde a entrada em vigor do acordo entre a União Europeia e a Turquia, e os serviços de imigração gregos continuam a ter sérias dificuldades em lidar com a imensa quantidade de pedidos de asilo. A repórter Catarina Santos esteve na ilha grega de Lesbos e dá-nos a conhecer casos concretos de pessoas que aguardam uma resposta, sem saber o que lhes vai acontecer.

Para o antigo comissário europeu António Vitorino, esta realidade dos refugiados que chegam à Europa não se esgota, apesar de tudo, nos dramas e nas histórias pessoais de cada um. António Vitorino fala de uma vaga de refugiados que beneficia das vantagens tecnológicas de ter equipamentos altamente sofisticados. E isso, diz, apanhou de surpresa as autoridades europeias.

Já Pedro Santana Lopes considera que esta reportagem da Renascença é uma demonstração “de como o ser humano se pode dar por feliz com pequenas proezas”. São opiniões para ouvir mais logo, no programa Fora da Caixa, depois das 23h00.

Aviso sério do Eurogrupo: o défice excessivo pode mesmo traduzir-se em sanções

Para o presidente do Eurogrupo, Portugal ainda pode escapar ao castigo se der garantias de que a execução orçamental se mantém dentro dos limites. Joren Dijsselbloem reconhece que a tarefa é complicada mas prefere aguardar pela decisão do executivo comunitário. Mas as regras não são iguais para todos. Se por cá o tema de conversa são as possíveis sanções por défice excessivo, no caso da Alemanha há um excedente externo e comercial que também viola os tratados. E não parece haver igualdade de tratamentos.

Estas declarações do presidente do Eurogrupo foram proferidas à margem de uma reunião de ministros das Finanças da moeda única que aprovou um empréstimo adicional de 10,3 mil milhões de euros à Grécia. Esta sexta-feira, um colunista do jornal grego “Kathimerini” falava de uma imensa incerteza que paira em Atenas. Se o desbloqueio desta verba é uma boa noticia, por outro lado os gregos não sabem quais poderão ser as contrapartidas: mais impostos? Juros elevados? E isto num país onde a prosperidade é coisa de um passado longínquo.

G7 intromete-se no referendo britânico

Destaque esta semana para o aviso que sai da reunião dos líderes das principais economias mundiais a propósito do referendo britânico sobre a União Europeia. Reunidos no Japão, os líderes do G7 foram unânimes na ideia de que um eventual “Brexit” pode ameaçar de forma grave o crescimento mundial.

Os líderes mundiais comprometeram-se com medidas para impulsionar a economia à escala global, mas parecem divididos quanto às ferramentas de estímulo económico. Para Francisco Sarsfield Cabral, estamos perante um G7 com um desfecho cheio de promessas bondosas que, no final, podem não passar de um mero plano de intenções no papel.

Outro ponto a reter deste encontro do G7: União Europeia e Japão querem acelerar as negociações para concretizar o acordo bilateral de livre comércio, se possível ainda este ano. Ora, esta intenção por parte da Europa pode ser uma forma de pressionar os Estados Unidos a serem mais ambiciosos no que diz respeito ao Tratado Transatlântico de Comércio e Investimento que, como todos sabemos, está num impasse.

Vitória Verde “sobre a meta” na Áustria

As eleições Presidenciais na Áustria confirmaram um eleitorado profundamente dividido que, por muito pouco, acabou por não eleger o candidato de uma Extrema-Direita autoritária, anti-europeista e anti-refugiados. O ecologista Alexander Van der Bellen levou a melhor nos votos por correspondência e ultrapassou o nacionalista Norbert Hofer.

Para Francisco Sarsfield Cabral, especialista da Renascença em Assuntos Europeus, não foi desta que a Extrema-Direita austríaca chegou ao poder, mas “este é um sério aviso à União Europeia, até porque – desde a II Guerra Mundial – que não se assistia a uma tão grande implantação ultranacionalista e xenófoba naquele país”.

Se olharmos para a União Europeia, de um modo geral, vemos que há cada vez mais brechas na solidariedade entre Estados, muito por causa da progressiva ascensão dos ideais de Extrema-Direita… e não é só no Centro da Europa. Temos a Extrema-Direita em França, os partidários do “Brexit” no Reino Unido. E, no meio de tudo isto, os países do sul da Europa parecem ser, neste momento, os únicos que apresentam maiorias parlamentares mais próximas do centro. Resta saber até quando é que a Europa resistirá imune a estas ideologias mais extremadas…

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