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É no jardim que a sexagenária Gulbenkian faz a festa de anos

11 mai, 2016 - 18:47 • Maria João Costa

É com "Jardim de Verão", que vai da música às artes plásticas, que a Fundação Calouste Gulbenkian assinala 60 anos de vida.
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É com "um mosaico de experiências" que a Fundação Calouste Gulbenkian, em Lisboa, assinala "a idade juvenil de 60 anos". É assim que Rui Vieira Nery apresenta “Jardim de Verão”, programa preparado para comemorar o aniversário.

O musicólogo, autodenominado "mestre de cerimónia" desta programação, que arranca a 23 de Junho e terá parte do seu epicentro no jardim da fundação, diz que as actividades assentam em três pilares: "contemporaneidade", "multiculturalidade" e "interacção".

A 23 de Junho será inaugurada a exposição "Linha do Tempo. As Colecções Gulbenkian. Caminhos Contemporâneos”, que parte do espólio reunido por Gulbenkian e o coloca em diálogo com a arte moderna.

Em simultâneo, o Museu Gulbenkian recebe os "Convidados de Verão". Doze artistas portugueses e estrangeiros foram desafiados a “dialogar” com obras da colecção do fundador. Entre eles estão Rui Chafes, Francisco Tropa, Bela Silva ou Fernanda Fragateiro. Esta última vai ter intervenções escultóricas em vários locais do jardim e exteriores da Gulbenkian.

De Carlos do Carmo ao Mali

O “Jardim de Verão” prevê ainda uma série de concertos no auditório ao ar livre e nos espaços da fundação. A 25 de Junho, o fadista Carlos do Carmo e o músico brasileiro Ivan Lins serão acompanhados pela Orquestra Gulbenkian. Mas as propostas vão mais longe. "Vão da Índia à América, passando por África e Europa", diz Risto Nieminen, responsável pelo departamento de música da Gulbenkian.

Um dos temas desta programação serão as mulheres. Do Mali chega a primeira banda composta exclusivamente por mulheres, Les Amazones d'Afrique, que tocarão no anfiteatro ao ar livre. Um concerto que é também um manifesto pela defesa dos direitos das mulheres, vinda de um país afectado pelo radicalismo islâmico.

Don Giovanni por presos

A 30 de Junho, um grupo de 30 reclusos da prisão de Leiria vai apresentar uma récita da ópera “Don Giovanni”, de Mozart. “Estes reclusos não sabem o que é a Gulbenkian", disse o maestro Paulo Lameiro. O trabalho já dura há dois anos e passa pelo uso de “ritmos afrobeat” e, claro, Mozart.

A programação do “Jardim de Verão” contará ainda com outros espectáculos, alguns de entrada gratuita, como um conjunto de concertos em torno de vários géneros de canções (um deles, dedicado às canções de intervenção, juntará a voz de Mariana Abrunheiro e o piano de Ruben Alves).

Há também programação dedicada à cultura arménia ou leituras para os mais jovens, como a iniciativa "A Felicidade", com o escritor David Machado no roseiral do jardim. O cinema também cabe neste programa: "As Mil e Uma Noites", de Miguel Gomes, será exibido ao ar livre.

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