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Visto de Bruxelas

​Dos Estados Unidos ao Árctico, com passagem pela Polónia

29 abr, 2016 - 14:04

No programa de hoje, concentramo-nos nos tópicos essenciais da semana que agora termina e que trouxe Barack Obama à Europa, olhamos também para um novo quadro de turbulência financeira a envolver a Grécia e para a discussão, em Estrasburgo, sobre o acordo União Europeia/Turquia sobre migração, entre outros temas.
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Visto de Bruxelas (29/04/2016)
Visto de Bruxelas (29/04/2016)

Obama na Europa com agenda própria e alheia

O Presidente dos EUA uniu, na sua viagem, a Alemanha ao Reino Unido. Por si só este facto ganha particular simbolismo, num momento em que tanto se fala do chamado “Brexit”. Mas Obama deixou muitos mais recados à Europa. Em Hannover, o Presidente dos EUA insistiu que o mundo precisa de uma Europa unida. O mote foram as negociações – retomadas esta semana entre os dois mercados - para um acordo de livre comércio para uma parceria transatlântica.

Obama fez questão de deixar uma marca essencial, no seu discurso: A Europa do livre comércio não pode duvidar de si própria e dos progressos que fez nas últimas décadas. No coração da Europa – como lhe chamou – o Presidente norte-americano disse que “os EUA e todo o mundo, precisam de uma Europa unida, democrática, forte e próspera”.

Quanto à parceria transatlântica entre os EUA e a Europa, tanto no domínio comercial como do investimento, que ecos podem resultar desta viagem? “É um tema sensível, particularmente para os alemães” que são a principal economia europeia e uma das mais importantes do mundo, sublinha Francisco Sarsfield Cabral.

Crise de refugiados continua

Falar da Europa – por estes dias – é também falar dos milhares de refugiados que continuam a procurar-nos para escapar à violência nos seus países. Fogem à guerra mas encontram a incerteza num continente que se diz solidário. Entre os países que mais entraves têm levantado ao acolhimento de refugiados está a Polónia. Esta semana o presidente Andrzej Duda visitou Portugal e, após uma audiência, em Belém, com o Presidente Marcelo Rebelo de Sousa fixou duas ideias-chave: defendeu o reforço das fronteiras do sul da Europa e prometeu que Varsóvia não irá atropelar o acordo de Schengen sobre a livre circulação de pessoas no espaço comunitário.

Já em Estrasburgo, e ainda a propósito do mesmo tema, esta semana fica marcada pelo debate, no Parlamento Europeu, sobre o polémico acordo entre a União e a Turquia em matéria de migrações. O entendimento sobre a abolição de vistos para cidadãos turcos, por exemplo, até pode vir a ser vetado. Neste domínio é difícil de pronunciar a palavra consenso, reconhece o especialista da Renascença em temas europeus, Francisco Sarsfield Cabral.

Problema grego arrasta-se no tempo

A principal porta de entrada de refugiados na Europa é a Grécia, mas é uma espécie de “hall” difícil de ultrapassar. A Grécia que, nos últimos dias, voltou a viver, por outro lado, um quadro de turbulência financeira. Esta semana Alexis Tsipras apelou a uma cimeira extraordinária dos lideres europeus para desbloquear as negociações com a “troika” e há um prazo “perigoso” à vista: em Julho, a Grécia terá que fazer uma amortização significativa da sua dívida ao Banco Central Europeu.

Europa com estratégia para o reino gelado

Na edição desta sexta-feira viajamos, ainda, até ao Árctico. A Comissão Europeia apresentou esta semana a sua estratégia para o topo norte do mundo. Trata-se de um conjunto de 39 iniciativas com particular incidência nas alterações climáticas e na protecção ambiental. Que estratégia é essa, num polo que aquece a um ritmo duas vezes mais rápido que o resto do mundo, é o que explica o correspondente da Renascença em Bruxelas, Vasco Gandra.

A estratégia integrada pretende reforçar a acção da União Europeia na região à volta do Pólo Norte. O que acontece no Árctico tem consequências na Europa, a começar pelo nível dos oceanos. Mas os comportamentos dos europeus também têm consequências e influenciam o que acontece na região, como afirma a vice-presidente da Comissão Europeia, Federica Mogherini: “A União Europeia teve um papel chave no acordo sobre alterações climáticas, em Dezembro passado. Estamos comprometidos em implementar totalmente o acordo. E o nosso trabalho no Ártico é uma parte importante na forma como enfrentamos as alterações climáticas e evitamos grandes catástrofes para o mundo inteiro”, afirmou.

De acordo com estudos científicos, o Árctico está a aquecer quase duas vezes mais rapidamente do que a média mundial. Ora, como o aquecimento continua, é possível que, já nos próximos 20 a 40 anos, não haja gelo no Árctico durante o período de Verão.

Entre outras iniciativas, a Comissão quer medidas internacionais que limitem as emissões de carbono. Pretende manter o financiamento da investigação sobre alterações climáticas e desenvolver uma rede de zonas marinhas protegidas na região.

Outro aspecto central da estratégia europeia passa por garantir o desenvolvimento sustentável do Árctico e das suas comunidades locais, explica a vice presidente da Comissão: “Garantir que o desenvolvimento do Árctico, que tem um potencial económico enorme, é feito de forma sustentável. E que há uma parte social, sobretudo olhando para as condições dos povos indígenas, e a necessidade de garantir que o desenvolvimento da região é encarada de maneira sustentável”.

Nesta área, os programas espaciais e projectos de investigação selectivos da UE podem contribuir para reforçar a segurança marítima na região através da vigilância e do acompanhamento do tráfego marítimo. Outro objectivo é observar os movimentos do gelo. Mas Federica Mogherini sublinha mais um aspecto, é que a região do Árctico é crucial para a segurança mundial e para a política externa da União Europeia: “O Árctico é uma região estratégica-chave para a nossa política externa e de segurança. É o único sítio do mundo onde três continentes e principais protagonistas mundiais se encontram. São eles a Rússia, Estados Unido, Canadá, vários estados membros da União e países europeus”.

A UE tem um interesse específico até porque três Astados membros – Dinamarca, Suécia e Finlândia - são “países árcticos”. Por outro lado, potências como os Estados Unidos, Rússia, China e Japão demonstram um interesse crescente. Tendo em conta a importância e os desafios que a região enfrenta, a Comissão Europeia acredita que o Árctico pode ser um bom exemplo de cooperação internacional.

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