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Portugal e Grécia unidos contra a austeridade, mas Costa rejeita "confrontação" com a Europa

11 abr, 2016 - 16:23 • Catarina Santos , em Atenas

O primeiro-ministro grego defende uma frente comum antiausteridade e António Costa concorda, mas numa lógica construtiva e não de "confrontação".
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Costa e Tsipras juntos num "momento crucial" para a Europa
Costa e Tsipras juntos num "momento crucial" para a Europa

António Costa e Alexis Tsipras estão em sintonia com um discurso antiausteridade, sustentando que persistem demasiadas assimetrias entre Estados-membros da União Europeia. De visita à Grécia, o primeiro-ministro português diz que seria um erro ver a conclusão do programa de ajustamento português como prova de que a austeridade funcionou.

“Portugal concluiu o programa de ajustamento e tem sido apontado pelas instituições europeias como o país que cumpriu mais escrupulosamente todo o programa de ajustamento. Ficamos muito contentes com esse reconhecimento por parte da União Europeia, mas não ignoramos que a execução desse ajustamento não evitou que a dívida tivesse subido de 97% do PIB para 130%, que tenhamos uma taxa de desemprego extremamente elevada, que tenha aumentado significativamente a pobreza em Portugal”, disse.

O primeiro-ministro grego defende uma frente comum antiausteridade e António Costa concorda, mas numa lógica construtiva e não de "confrontação".

"Portugal e Grécia podem e devem trabalhar em conjunto, não numa lógica de confrontação com a União Europeia, mas numa lógica construtiva, procurando alargar alianças para sensibilizar com o nosso ponto de vista outros Estados-membros com uma situação económica distinta. Só com uma visão sobre o futuro da União Económica Monetária poderemos ter algo mais do que uma moeda comum, tendo efectivamente uma Europa que seja comumente partilhada por todos", advogou.

Para Costa, persiste na Europa um “problema estrutural da assimetria das economias”. A redução dos juros da dívida em vários países, incluindo Portugal, foi alcançada sobretudo devido à acção do Banco Central Europeu (BCE). A “aspirina” “baixou a febre”, "mas a doença está lá”.

"Não nos devemos deixar iludir no sentido de que essa redução dos juros significou que o problema estrutural da assimetria das economias ficou ultrapassado e que não necessitamos de um novo impulso para a convergência económica. Seria um erro pensar-se isso", advertiu Costa.

Tsipras elogia Portugal

Alexis Tsipras diz que os efeitos sociais do caminho seguido só alimentam os radicalismos e as correntes de extrema-direita. António Costa assina por baixo. “O cruzamento destas crises só tem favorecido a emergência do populismo, do radicalismo e da extrema-direita, ou seja, todos aqueles que representam os valores contra os quais a Europa se construiu no pós-guerra”, disse Costa.

Tsipras elogiou o exemplo português a vários níveis, afirmando que o novo Governo, suportado pela maioria de esquerda parlamentar, constitui uma “esperança” para a Grécia na União Europeia.

O primeiro-ministro grego sublinhou ainda que Portugal está a dar um exemplo fundamental na questão dos refugiados, apontando que há países com população idêntica a Portugal e com níveis de riqueza superior que “não estão disponíveis para acolher tantos refugiados” como o Estado português.

Os refugiados têm uma grande importância na agenda da visita de António Costa à Grécia. Costa e Tsipras visitam esta segunda-feira um campo de refugiados em Eleonas, na capital grega.

Comentários
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  • Jose Gomes
    11 abr, 2016 Lisboa 21:28
    Dois atrasados a consolarem-se um so outro, Para se autoconvecerem que têm razäo.
  • João Lopes
    11 abr, 2016 Viseu 19:34
    Juntou-se o roto com o esfarrapado...
  • Luis B.
    11 abr, 2016 Mirandela 16:40
    Ambos unidos contra a austeridade, mas na realidade o grego já cumpre um rigoroso programa de austeridade e o Costa vai a caminho de novo resgate. A esquerda vive de chavões porque sabe o alcance mediático nos votantes incautos... a ideia é mentir, fazendo crer que se está a caminhar em sentido contrário aquilo que foi diabolizado (austeridade), quando na realidade alteraram os esquemas para sacar o dinheiro aos cidadãos.. mais honestos os governos de centro direita, cortaram aos que ganhavam mais e assumiram porque cortavam. Estes da esquerda dizem que não cortaram, mas vão-lhe buscar a massaroca pelo lado dos combustíveis e impostos de crédito ao consumo. Ou seja, no final é bem possível que os rendimentos líquidos dos cidadãos, agora seja menor do que no governo anterior... Mas existe esta estratégia mediática da esquerda para fazer crer que não...