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Uma Páscoa solitária, com o coração no Paquistão

26 mar, 2016 - 10:30 • Filipe d'Avillez

Enquanto a maioria dos cristãos em Portugal e na Europa celebra a Páscoa em paz e junto com as suas famílias, nem todos têm essa sorte. A Renascença falou com um católico paquistanês que teve de sair do seu país para salvar a vida.
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É casado e pai de dois filhos. Por razões de segurança prefere não divulgar o nome –

chamemos-lhe “João”. Sente ainda mais a solidão que lhe aperta desde que saiu da sua terra natal, procurando refúgio em Portugal. A família ficou para trás.

Católico, “João” não esconde a difícil situação que atravessam os cristãos no seu país. “A situação no terreno não é boa. O Governo está um bocado melhor, mas há fanáticos muçulmanos que não gostam de nós.”

A memória leva-o a tempos difíceis. “Recentemente houve um incidente em Lahore, em que um casal cristão foi queimado vivo num forno por fanáticos muçulmanos. Qualquer alegação contra cristãos leva-os a atacar os nossos bairros, as nossas casas, a queimar-nos com petróleo e outras coisas do género.”

Há pouco tempo as ameaças viraram-se mesmo contra “João”. Foi obrigado a fugir do país.

“Recentemente houve um incidente famoso na capital, Islamabad, em que a polícia assassinou um cristão. Eu, o nosso padre e alguns amigos tentámos fazer alguma coisa por ele e pela sua família, erguendo a voz contra a polícia”, conta. “Depois disso, a chefia da polícia que matou o rapaz ameaçou-nos e disse-nos que se continuássemos a falar do assunto que me matavam a mim e à minha família. No Paquistão deixei de falar do assunto, porque se o fizesse podia ter problemas com a minha família.”

A perseguição a que os cristãos do Paquistão são sujeitos é indiscriminada e nem os amigos muçulmanos lhes valem quando se instala a revolta. “Tenho muitos amigos muçulmanos, mas quando surgem estas questões nos nossos bairros, na nossa rua, até os nossos amigos nos atacam. Se houver algum problema eles não pensam se nós somos amigos deles ou não”, lamenta.

“A minha fé é a minha esperança”

O contacto de duas famílias cristãs que já se encontravam em Portugal, e a tranquilidade do país que elas testemunhavam, bastaram para o convencer. Chegou sozinho e está a tentar regularizar a sua situação, mas esta Páscoa será passada sem a família.

“A minha fé é a minha esperança e sobretudo durante a Páscoa vou rezar a Deus para poder resolver a minha situação o mais depressa possível, poder reencontrar-me com a minha família, trazê-la para Portugal e podermos assentar e estarmos descansados.”

Os cristãos são uma pequeníssima minoria no Paquistão, um país esmagadoramente islâmico, e há muitos relatos de violência, incluindo violações, raptos e assassinatos, contra esta comunidade.

A entrevista com este cristão será transmitida no domingo, no programa Princípio e Fim. Para ouvir a partir das 23h30


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  • António Costa
    26 mar, 2016 Cacém 11:47
    "A perseguição a que os cristãos do Paquistão são sujeitos é indiscriminada". Infelizmente não é só no Paquistão. As minorias religiosas vivem em relativa paz nos países de maioria cristã. No Paquistão e nos países onde o Islão é a Lei os cristãos são perseguidos e mortos. Em França ou na Bélgica as vitimas dos atentados são iguais a outras pessoas de que mal se fala, na Ásia, no Médio Oriente ou na África. Quer vivam em Molenbeek, na Bélgica ou no Paquistão o objetivo destas pessoas é sempre o mesmo, acabar com o modo de vida cristão.