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Papa compara paixão de Jesus ao sofrimento dos refugiados

20 mar, 2016 - 09:40 • Filipe d'Avillez

Na celebração do Domingo de Ramos, em Roma, o Papa Francisco disse que a maior tentação que Jesus sofreu foi de descer da Cruz e mostrar a face de “um deus poderoso e invencível”.
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Papa compara paixão de Jesus ao sofrimento dos refugiados

O Papa Francisco comparou este domingo o sofrimento dos refugiados com a paixão de Jesus quando foi detido e crucificado, na homilia da misssa de Domingo de Ramos, no Vaticano.

Falando de tudo o que Jesus sofreu, com o abandono a que foi sujeito e a falta de justiça de quem tinha obrigação de a administrar, o Papa desviou-se do texto escrito para estabelecer um paralelo com a situação actual dos oprimidos e refugiados. "Enquanto Lhe é negada toda a justiça, Jesus sente na própria pele também a indiferença, porque ninguém quer assumir a responsabilidade do seu destino. Penso em tanta gente, tantos marginalizados, tantos migrantes, tantos refugiados, por cujo destino também ninguém quer assumir responsabilidade."

Na sua homilia Francisco enfatizou ainda o contraste entre Jesus, que se “aniquilou” totalmente pela humanidade e os homens a quem custa tanto renunciar a algo por Ele.

“Pode parecer-nos muito distante o modo de agir de Deus, que Se aniquilou por nós, quando vemos que já sentimos tanta dificuldade para nos esquecermos um pouco de nós mesmos: Ele renunciou a Si mesmo por nós; quanto nos custa renunciar a algo por Ele e pelos outros!”

Contudo, se os fiéis se quiserem aproximar de Deus é este o caminho que devem percorrer, diz Francisco. “O caminho do serviço, da doação, do esquecimento de nós próprios. Podemos aprender este caminho detendo-nos nestes dias a contemplar o Crucificado, para aprender o amor humilde, que salva e dá a vida, para renunciar ao egoísmo, à busca do poder e da fama”, diz.

A maior tentação

Francisco falou das muitas tentações a que Jesus foi sujeito durante a paixão, mas deteve-se naquela que considera ter sido a maior das tentações. “A provocação para descer da cruz, vencer o mal com a força e mostrar o rosto dum deus poderoso e invencível.”

“Mas Jesus, precisamente aqui, no ápice da aniquilação, revela o verdadeiro rosto de Deus, que é misericórdia. Perdoa aos seus algozes, abre as portas do paraíso ao ladrão arrependido e toca o coração do centurião.”

“Se é abissal o mistério do mal, infinita é a realidade do Amor que o atravessou, chegando até ao sepulcro e à morada dos mortos, assumindo todo o nosso sofrimento para o redimir, levando luz às trevas, vida à morte, amor ao ódio”, concluiu o Papa.

O Domingo de Ramos assinala a entrada triunfante de Jesus em Jerusalém, mas que acabará por levar à sua detenção e morte no espaço apenas de alguns dias. No calendário litúrgico, este dia assinala o início da Semana Santa.

No final da missa, Francisco fez a oração do angelus, como é habitual aos domingos. Antes de rezar com os presentes, o Papa aproveitou para incentivar os muitos jovens presentes a participar na Jornada Mundial da Juventude, no verão. "Envio uma saudação especial aos jovens aqui presentes, que se estende a todos os jovens do mundo. Espero que possam ir em grande número a Cracóvia, pátria de São João Paulo II, que deu início às Jornadas Mundiais da Juventude. Confiamos à sua intercessão os últimos meses da preparação desta peregrinação que, no quadro do ano Santo da Misericórdia, será o jubileu dos jovens ao nível da Igreja Universal."

Francisco referiu que na Praça de São Pedro se encontravam vários jovens polacos que iriam levar de volta para o seu país ramos de oliveira colhidos em Jerusalém, Assis e Montecassino e que serão entregues aos líderes políticos, como símbolo de paz.

[Notícia actualizada às 11h00]


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