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Madre Teresa de Calcutá canonizada a 4 de Setembro

15 mar, 2016 - 09:55

"A santa das sarjetas", como era conhecida pelo trabalho em Calcutá, morreu em 1997, com 87 anos. Não foi ainda divulgado se a cerimónia terá lugar em Roma ou na Índia.
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Madre Teresa de Calcutá vai ser canonizada no dia 4 de Setembro, anunciou o Papa Francisco esta terça-feira durante o consistório ordinário convocado em Roma para votar cinco causas de canonização. A partir dessa data será elevada aos altares como santa da Igreja Católica.

A data não foi escolhida ao acaso, já que é o dia da morte de Madre Teresa. A jornalista da Renascença Aura Miguel esteve no funeral em Calcutá em 1997, e recorda “uma experiencia absolutamente inesquecível e que significava a própria personalidade daquela mulher”.

“O que testemunhei”, lembra, “foi que Calcutá saiu para rua para prestar homenagem a esta ‘santa’, já que quando ela morreu já tinha fama de santidade e, inclusivamente, o próprio Estado da Índia reconheceu essa santidade, esse serviço aos mais pobres, e organizou um funeral de Estado”.

Existe uma esperança por parte da Igreja indiana de que a canonização seja feita justamente em Calcutá, no meio dos pobres que Madre Teresa tanto amava e que o Papa Francisco também, mas as fontes do Vaticano não o confirmam. Também se considera a hipótese de o Papa integrar uma etapa ou uma espécie de escala na Arménia antes ou depois de vir da Índia, mas ainda nada está confirmado.

A freira albanesa laureada com o prémio Nobel dedicou a sua vida aos mais pobres dos mais pobres e vai ser canonizada pela Igreja Católica depois da aprovação de Francisco, que reconheceu a cura de um homem que sofria de vários tumores cerebrais. As provas testemunhais durante o processo de estudo do caso referem que as pessoas próximas do doente rezaram muito a Madre Teresa, de quem a respectiva esposa era especialmente devota.

Madre Teresa morreu com 87 anos e era conhecida como "a santa das sarjetas" pelo trabalho que desenvolveu em Calcutá. Não foi ainda divulgado se a cerimónia de canonização terá lugar em Roma ou na Índia.

Além de Madre Teresa, são assinados esta terça-feira os decretos para a canonização de Estanislau de Jesus Maria da Polónia (1631-1701), fundador da Congregação dos Marianos da Imaculada Conceição da Beatíssima Virgem Maria; José Sánchez del Río, mexicano (1913-1928), martirizado aos 14 anos durante a perseguição religiosa no México; José Gabriel del Rosario Brochero (1840-1914), conhecido como o ‘Cura Brochero’, que percorreu a Argentina numa mula para levar a mensagem do Evangelho no século XIX; a sueca Maria Elisabeth Hesselblad (1870-1957), fundadora da Ordem do Santíssimo Salvador de Santa Brígida.

Uma mulher apaixonada

O confessor de Madre Teresa esteve em Lisboa em 2012, altura em que, em entrevista à Renascença, fez uma descrição da mulher heróica e explicou o processo para a causa de canonização.

O sacerdote canadiano Brian Kolodiejchuk conheceu Madre Teresa de Calcutá no final dos anos 70 quando se juntou a um grupo de contemplativos que a freira tinha acabado de fundar. Acabou por integrar também o ramo sacerdotal da ordem dos Padres Missionários da Caridade e tornou-se confessor e confidente da superiora.

Tendo-a conhecido tão profundamente, não duvidou em descrevê-la como uma mulher apaixonada: “Uma breve descrição de Madre Teresa pode ser de uma mulher fortemente apaixonada por Jesus. Considerava-se esposa de Jesus. Pude constatar isso em 20 anos de convívio com ela."

"Ela vivia mesmo este amor apaixonado por Jesus e agora descobrimos que o viveu de modo puro e despojado, ou seja, estava tão profundamente unida a ele que ele partilhou com ela a sua dor e sofrimento", lembrou.

Inés Gonxha Bojaxhiu, nome de Madre Teresa, nasceu a 26 de Agosto de 1910 em Skopje, capital da actual república da Macedónia, no seio da comunidade albanesa, e foi beatificada em 2003 depois de o Vaticano ter reconhecido como um milagre a cura de um tumor no abdómen de uma mulher indiana depois de colocar um medalhão com uma foto da freira.

Durante meio século levou a cabo um trabalho social em Calcutá com as Missionárias da Caridade, a congregação que fundou depois de uma experiência mística e, em 1979, foi distinguida com o Nobel da Paz.

As Missionárias da Paz contam hoje com cerca de 4.500 religiosas que trabalham em mais de 130 países, onde têm 710 casas para assistir os mais pobres e doentes.

Comentários
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  • rosinda
    18 mar, 2016 palmela 12:56
    E aqui que a comunicacao social falha e vai sendo desacreditada a cada dia que passa !
  • rosinda
    18 mar, 2016 palmela 12:48
    Entao se carlos cruz foi o cordeiro sacrificado quem foi que ele tentou encobrir? Vamos acreditar em quem ?
  • rosinda
    18 mar, 2016 palmela 12:37
    Carlos cruz foi o cordeiro sacrificado merece ser canonizado!
  • rosinda
    17 mar, 2016 palmela 21:22
    segundo o que apurei por ai penso que carlos cruz quando morrer deve ser canonizado como madre teresa de calcuta!
  • fernando santos
    16 mar, 2016 amadora 22:25
    Esta senhora SANTA merece ser reconhecida Como Uma Santa divina que Deus a guards bem porque ela merece amen.
  • Kaganiço
    15 mar, 2016 montreal.canada 23:36
    Maria Nazaré, escuta o Raul e cultiva-te !
  • Kaganiço
    15 mar, 2016 mnea., canada 18:48
    A DIVINA COMEDIA !!!!
  • Raul
    15 mar, 2016 Lisboa 12:31
    Quem não conhece a história, toma a Madre Teresa como uma das figuras mais emblemáticas do Catolicismo e uma figura exemplar. Quem conhece a história sabe que a Madre Teresa tinha um ideal de chegar ao paraíso pelo sofrimento, implementando torturas sobre os seus seguidores e todos aqueles que estavam sob a sua jurisdição. Sofrimentos como a jejuns excessivos, tortura por chicote, sangrias e prostrar-se durante horas, fracos e imóveis sob os altares religiosos, tudo em nome de Deus. Ela foi uma figura diabólica.
  • Maria Nazaré
    15 mar, 2016 Monteiro 10:50
    Madre Teresa de Calcutá ainda era viva e para mim já era uma Santa, uma mulher que fazia da sua pessoa um instrumento para ajudar os mais pobres dos pobres, e inexplicável a sua entrega aos outros. Sou cristã mas sinto-me uma formiga muitíssimo pequenina aos pés de uma mulher que só tinha mãos para praticar as obras de Deus. Sinto-me uma pessoa privilegiada não por a ver pessoalmente, pois isso nunca aconteceu, mas sim por ter acompanhado pelos meios de comunicação a sua vida, de caridade, de dedicação, de amor, de dor, de preocupação tudo pelos. Só com um sentido amar os outros como Cristo nos Amou ontem hoje e sempre. Bendita sejas na terra como no céu Santa Madre Teresa de Calcutá.