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​António Vitorino: "Crise de migrações só será estancada com controlos na Turquia"

04 mar, 2016 - 23:54

Na antecipação da Cimeira UE/Turquia, o antigo comissário europeu alerta para a proposta de recolocação de refugiados em países europeus. Santana Lopes chama a atenção para a natureza "explosiva" da questão turca.
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A Turquia é a chave para travar a crise migratória. A opinião de António Vitorino antecipa a cimeira UE/Turquia que se realiza esta segunda-feira. "Só há maneira de estancar esta situação se as pessoas forem impedidas de sair das praias da Turquia. Não é o local de destino, não é nas ilhas gregas que se pode resolver o problema. O problema está na origem, nas praias da Turquia, no controlo dos embarques e no acolhimento dessas pessoas na Turquia", defende o antigo comissário europeu que em Bruxelas ocupou a pasta das migrações.

António Vitorino diz que é preciso que da Cimeira surja algo " que possa mudar significativamente o registo" do diálogo entre a União Europeia e a Turquia. O antigo ministro socialista espera que os turcos coloquem em cima da mesa a possibilidade de colocar as pessoas que estão em campos de refugiados em alguns países europeus.

Já Pedro Santana Lopes defende uma consolidação dos mecanismos de confiança e coordenação política entre ambas as partes.

"A questão turca tem dimensões estratégicas de negociação permanente e observação por parte dos aliados. É uma situação explosiva a outros níveis - não só em termos sociais - e que exige uma atenção e um trabalho da União Europeia muito diferente. E dos nossos aliados, daqueles que pretendem assegurar a paz naquela região. Não nos esqueçamos do que se passa entre a Turquia e a Rússia. Há muitas dimensões na relação com a Turquia que exigem trabalho para além da questão dos refugiados", observa o antigo primeiro-ministro no programa "Fora da Caixa", da Renascença.

Fecham-se as fronteiras? "As pessoas vão continuar a tentar passar"

Não é fechando as fronteiras que o problema se resolve, adverte António Vitorino. "As pessoas vão tentar continuar o seu percurso de toda a maneira até à Europa Central, dificultado pelo fecho das fronteiras. Isso não se vai traduzir na contenção das pessoas. As pessoas vão continuar a tentar passar. E vamos ter problemas humanitários não apenas na Grécia mas vamos também encontrar problemas humanitários em todos os Balcãs Ocidentais", antecipa o comentador da Renascença.

António Vitorino lembra que um número significativo de pessoas vai ficar bloqueado na Grécia, o que justifica um apoio de emergência libertado por Bruxelas. "Há cerca de 30 mil pessoas num campo não organizado na fronteira entre a Grécia e a Macedónia. Essas pessoas vão precisar de comer, de apoio sanitário básico. É para essas pessoas que este fundo foi agora criado", acrescenta o antigo ministro socialista.

A criação de um mecanismo de ajuda humanitária urgente, recentemente adoptado pela Comissão Europeia, dá sinal de uma acção mais firme de Bruxelas nesta crise. Santana Lopes considera que a União Europeia está a fazer o que pode num problema que manifestamente veio para ficar.

"Há acção nos gabinetes e no terreno, num trabalho de proximidade que deve ser reforçado através dos principais responsáveis políticos. Mas já não tem nada a ver com essa inacção do ano passado algo confrangedora", afirma o antigo primeiro-ministro.

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