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Respostas sociais inovadoras no Centro Social Paroquial de Arroios

21 fev, 2016 - 12:00 • Ana Lisboa

As “Repúblicas Seniores” são o mais recente projecto, que visa combater a solidão dos idosos. Mas há outras valências em que este centro foi pioneiro. A Renascença conversou com o director de um centro que apoia 600 pessoas numa zona envelhecida de Lisboa.

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Chamam-lhes apartamentos assistidos ou “repúblicas seniores”. São uma solução para o realojamento de idosos que vivem em quartos, numa situação de subarrendamento, pretendendo proporcionar-lhes condições dignas de habitação.

A iniciativa é do Centro Social e Paroquial de São Jorge de Arroios, em Lisboa, uma zona envelhecida da capital, onde há muitos idosos em situação de grande fragilidade. Com reformas baixas e sem suporte familiar, não conseguem fazer face às várias despesas que implica o arrendamento de uma casa.

O projecto surge em parceria com a Santa Casa da Misericórdia de Lisboa. O protocolo prevê que a Santa Casa pague mensalmente o valor da renda pela qual o centro arrenda e negoceia a casa com o dono. Ao centro social cabe “todo o acompanhamento, sete dias por semana, 24 horas por dia, bem como toda a manutenção do espaço, o acompanhamento individualizado de cada um, as refeições, a limpeza do espaço”, esclarece Pedro Cardoso, director da instituição.

O responsável explica que as despesas fixas de uma casa, “tal e qual como para qualquer um de nós”, são suportadas pelos próprios beneficiários. “Ou seja, as contas de água e luz são divididas pelos três residentes”.

Diz Pedro Cardoso que o objectivo não passa por uma “resposta assistencial”. “O objectivo é que seja uma resposta que permita que a pessoa se sinta na sua casa”. Por isso, a casa “não tem mais do que três utentes para propiciar o espírito de solidariedade e de alguma familiaridade entre os residentes”.

A triagem destas pessoas é feita entre os utentes do centro social. A grande maioria são homens: estão sinalizados 22, mas há também a indicação de duas mulheres.


Veja a reportagem:


Actualmente estão em funcionamento duas “repúblicas seniores” (S. Jorge e Rainha D. Leonor) e em Fevereiro abrem a porta mais duas: Madre Teresa e Monsenhor José de Freitas. Em Março abrirá a de Santa Marta.

Ao longo deste ano o centro social espera ter ainda mais apartamentos para acolher todas as pessoas sinalizadas.

Mas são precisos apoios. E Pedro Cardoso dá um exemplo: para estes dois que estão prestes a receber idosos, “estamos a pintar a casa e a arranjar alguns mecenas que possam contribuir para apetrechar a casa. Vamos ter que comprar fogão, frigorífico, camas, roupeiros, televisões”.

"Sinto que tenho uma casa"

Com duas repúblicas em funcionamento, o “feedback” que o centro social tem recebido é muito bom. “Os cuidados entre uns e outros tornam-se evidentes”, diz Pedro Cardoso, que já ouviu dizer, dos utentes: “agora sinto que tenho uma casa“.

Algo que “pode ser banal para quem ouve”, diz, mas que tem um outro alcance para quem conhece estas pessoas. “Significa que a pessoa viveu anos numa casa, mas não no sentido amplo de casa, lar, morada de família. O que significa que temos aqui indicadores que já nos permitem dizer que, de facto, é um projecto bem sucedido e que tem tudo para ser bem sucedido”, diz o director.

Pedro Cardoso admite mesmo que poderá propor esta resposta inovadora à Segurança Social. “Podemos ter aqui outro tipo de respostas para a população idosa mais baratas do que um lar.” Ou seja, “pode haver aqui um espectro da própria Segurança Social instituir isto como uma resposta social em determinadas zonas do país”, diz Pedro Cardoso.

Um centro pioneiro na resposta aos idosos

Mas o Centro Social de S. Jorge de Arroios tem ainda outras propostas para o apoio aos mais velhos.

Tem um centro de dia a funcionar de segunda-feira a sábado. E o director explica porquê: “sobretudo nos últimos cinco anos, deixámos de ter um centro típico, com pessoas perfeitamente autónomas a nível intelectual. Passámos a ter pessoas com alguma dependência”.

Num futuro próximo, este responsável admite que as portas do centro estejam abertas também ao domingo, “porque estas pessoas carecem deste apoio, não como um substituto da família, mas como um complemento à família”.

Há ainda “um serviço de apoio domiciliário que funciona sete dias por semana, 24 horas por dia” e uma linha solidária que funciona também toda a semana entre as 7 horas e a meia-noite – “são os idosos que nos dão o contacto para não estarem sozinhas em casa”.

O centro conta ainda com duas cantinas sociais ao abrigo do Plano de Emergência. E funciona também com uma resposta para os sem-abrigo “única, neste momento, na cidade de Lisboa”. “Chama-se Núcleo de Apoio Local e não distribui alimentação na rua. Há um espaço no Largo de Santa Bárbara onde as pessoas vão comer e têm o apoio técnico os 7 dias da semana. Tomam o pequeno-almoço, o almoço e o jantar”, conta o director do centro de Arroios.

Em 2016, espera ainda “reformular internamente o espaço físico do Centro Social”. O objecto é criar mais um centro de noite com dez camas.

Actualmente a instituição apoia 600 pessoas, no total de todas as valências.

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