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​Santana Lopes receia “pela nova missão da NATO” no mar Egeu

12 fev, 2016 - 23:48

O antigo Primeiro-ministro volta a pedir capacetes azuis para a crise síria. António Vitorino diz que “a Rússia sabe o que quer e lucra com isso no terreno”.
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Oiça na íntegra o debate Fora da Caixa (12/02/2016)
Oiça na íntegra o debate Fora da Caixa (12/02/2016)

A NATO avança para uma operação de apoio à Turquia na gestão dos fluxos migratórios. Uma operação nova para a Aliança Atlântica vista com algum receio pelo antigo Primeiro-ministro Pedro Santana Lopes.

"A NATO hoje em dia é ainda uma entidade em adaptação ao mundo contemporâneo. Tenho algum receio. É uma missão não belicista mas muito difícil", afirma Santana Lopes no programa “Fora da Caixa” da Renascença.

O auxílio aos turcos é positiva no quadro da gestão de uma crise sem precedentes. " Pode ajudar mas pode também ajudar a quebrar algum sentimento de solidão dos turcos", acrescenta.

Já o antigo comissário europeu António Vitorino reconhece que está será "a mais suave" das operações militares da NATO.

"Não se trata de mandar para trás os barcos de refugiados. Trata-se de apoiar a Turquia a controlar as suas fronteiras marítimas e, no caso disso, salvar os barcos que estejam na iminência de afundamento", explica o comentador do “Fora da Caixa”.

O antigo ministro da Defesa lembra que esta é a primeira vez que a NATO se debate com um tipo de missões que já havia sido antecipado pela própria Aliança Atlântica.

"No conceito estratégico da NATO, aprovado em Lisboa em 2010, as migrações foram identificados como uma das questões que podia ser um factor de perturbação da paz e uma das áreas onde a Nato tinha que ter capacidade de intervenção. Até à data isso não se tinha verificado", assinala Vitorino.

A Turquia vai beneficiar de apoio no combate às redes clandestinas de migração, antecipa o antigo ministro da defesa.

"Todos os fluxos migratórios marítimos para as ilhas gregas oriundos da Turquia são organizados por redes clandestinas turcas de criminalidade. Quem fornece os barcos? Quem fornece as tripulações que conhecem os caminhos? É evidente que sem o combate da Turquia a essas redes não é possível travar esse fluxo de chegada de refugiados.

A presença militar da NATO pode encorajar os turcos a fazerem o que têm que fazer: lutar contra as redes que operam no Mar Egeu", argumenta o comentador da Renascença.

Cessar-fogo na Síria?

O impacto positivo do acordo de Munique entre as principais potências e países envolvidos no conflito sírio depende do cumprimento de um efectivo cessar de hostilidades no terreno. Na tese dos comentadores do 'Fora da Caixa', esta é uma forma de conter as operações russas na Síria.

" Este semi-cessar-fogo visa travar a ofensiva e garantir condições de maior equilíbrio entre as forças em presença numa eventual negociação política que está manifestamente em impasse. Se as forças do regime tomassem Aleppo, significaria uma grande vantagem na ocupação do terreno pelo regime, não em detrimento do Estado Islâmico mas das oposições moderadas ao regime", aponta António Vitorino.

Santana Lopes lembra que a Rússia " avançou e tirou proveito dessa iniciativa". O cessar-fogo " unilateral imediato, de modo mais ou menos afinado com alguma eficácia" terá que ser verificado no terreno, acrescenta o antigo primeiro-ministro.

Santana volta a pedir mais envolvimento das Nações Unidas. " Tivemos a iniciativa da Rússia, os bombardeamentos, a acção do presidente Hollande, mas ainda faltam algures os capacetes azuis", acrescenta o antigo líder do PSD.

Já António Vitorino mantém reservas sobre a contenção da estratégia russa.

"Neste momento é difícil obter garantias da Rússia. Na politica internacional, quem sabe o que quer tem vantagem. Para mal dos nossos pecados, Putin sabe o que quer", remata o antigo comissário europeu.

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  • 13 jun, 2016 20:22
    Quem consegue ainda acreditar que a Turquia, País com grande control policial não consegue detectar a movimentação de milhares de pessoas a atravessar o território em mais de mil quilómetros sem serem controladas. Sendo que o a travessia desde o continente até à ilha de lesbos é feita em mar interior e práticamente à distancia de Lisboa, Barreiro.