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Português faz descoberta importante no diagnóstico e tratamento do cancro

31 jan, 2016 - 10:44 • Liliana Carona

Através de uma ferramenta molecular inovadora, Rui Lopes identificou regiões do genoma humano previamente desconhecidas, essenciais para a divisão e proliferação das células tumorais.

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Rui Lopes é um investigador português que trabalha há cinco anos no centro de investigação do Instituto Nacional do Cancro, onde contribuiu, com o seu trabalho, para uma descoberta importante no diagnóstico e tratamento do cancro.

“Uma ferramenta molecular, que identifica regiões do genoma que ainda não estavam definidas. Utilizamos uma ferramenta molecular – um nome quase chinês, o CRISPR-Cas9 – que permite alterar o DNA das células que pretendemos trabalhar, de uma forma muito fácil”, começa por explicar à Renascença.

“Usando esta ferramenta tem-se o potencial, por exemplo, para corrigir mutações que ocorrem nas células do cancro. Falando em terapia génica, ao usar esta ferramenta podemos alterar o DNA e observar um tipo de comportamento nas células que estamos a estudar”, adianta.

Rui Lopes explica ainda que, na prática, utilizou-se o CRISPR-Cas9 “para investigar regiões do genoma que ainda não tinham função definida”, descobrindo-se “que estas regiões controlam a actividade celular e a divisão celular das células do cancro”.

“O facto de termos encontrado estas regiões que ainda não eram conhecidas, abre portas para que no futuro se possa ter um melhor diagnóstico e tratamento do cancro, e ao mesmo tempo abre possibilidade para investigar todas as outras regiões do genoma que ainda não têm função conhecida”, conclui o jovem português, natural de Mangualde da Serra.

Rui Lopes trabalhava no Instituto de Patologia e Imunologia Molecular da Universidade do Porto (IPATIMUP) quando decidiu partir em busca de um sonho. Conseguiu uma bolsa da Fundação para a Ciência e Tecnologia e rumou à Holanda para fazer o doutoramento.

Hoje com 31 anos, é o único português numa equipa multinacional composta por 15 elementos. “O meu chefe é israelita, é um grupo dinâmico, multicultural, um excelente ambiente de trabalho e de investigação, com pessoas muito dedicadas”, refere.

O resultado da sua investigação foi publicado numa das mais conceituadas revistas da área. “Foi uma grande alegria ter conseguido publicar o artigo na revista britânica ‘Nature Biotechnology’, uma revista muito conceituada na área da biologia. A revista ficou classificada como número três do mundo no ‘ranking’ científico, o que quer dizer que o trabalho foi recebido com entusiasmo pela comunidade científica”, afirma.

Após a publicação do artigo, Rui Lopes garante já ter recebido contactos de investigadores espalhados nos laboratórios dos quatro cantos mundo, que pretendem utilizar o mesmo tipo de ferramenta, não só no cancro como noutras doenças, por exemplo as neurodegenerativas.

Rui Lopes revela que desde que iniciou o seu percurso académico demonstrou interesse pela área de investigação relacionada com o cancro. Licenciado em Biologia pela Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro, é mestre em Oncologia pela Universidade do Porto. A fase final do doutoramento veio comprovar que “tanto o diagnóstico como o tratamento do cancro têm evoluído imenso. Sabemos mais sobre a doença e um diagnóstico precoce é fundamental para a sobrevivência”, sublinha o investigador.

Comentários
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  • ZMC
    19 fev, 2016 Viana do Castelo 12:06
    Parabéns ao dr.e que venham mais como ele que é fundamental nos tempos de hoje.Obrigado a todos que se preocupam com a saúde . de todos nos...
  • Mafurra
    02 fev, 2016 Lisboa 11:31
    A notícia diz que ele trabalha no Centro de Investigação do Instituto Nacional do Cancro, há cinco anos. Em Portugal. Ele foi tirar o doutoramento na Holanda pago por uma Fundação portuguesa para a Ciência e Tecnologia. A descoberta foi feita na Holanda, integrado num grupo multinacional chefiado por um israelita e que é pago por uma outra Fundação qualquer holandesa. É para isso que as Fundações servem.
  • Ines S
    02 fev, 2016 Londres 01:07
    Parabens pela descoberta. Mas trabalha no Instituto Nacional do cancro de onde? Portugal? Falam muito bem que foi formado em Portugal e que depois seguiu para a Holanda, mas essa descoberta foi feita onde? E com que meios conseguiu financiar a investigacao? Duvido que seja em Portugal...
  • Manuel Rosa
    01 fev, 2016 Odivelas 20:57
    - Congratulo-me pela descoberta e gostaria de saber, se no meu caso "cancro da próstata", é possível aplicação desta descoberta !
  • Maria
    01 fev, 2016 Valença 20:50
    É com nomes como o RUI Lopes, que eu sinto orgulho do país onde nasci.Não é todos os dias que somos noticia pela positiva.!Parabéns Rui.Sorte para o futuro, e, se tiveres que sair de Portugal, que seja por um período muito curto.Precisamos de todos os bons cá dentro.
  • dos ramos maria
    01 fev, 2016 franca 16:03
    como e que un pais como poutugal nao da mais impourtancia a pourtugues de uma imteligencia extreordinaria e dar muito valour bravo e tude o que posse dizer boa comtinuacao para o futuro
  • Ana Quaresma
    01 fev, 2016 V n gaia 13:54
    Obrigada Rui Lopes. Bem-hajam pelo empenho em tão nobre trabalho.
  • correia sales
    01 fev, 2016 Souselo 10:32
    Antes de mais os meus parabens ,e, queria dizer, que os nossos Políticos se fossem mais Sérios faziam chegar mais financiamento para Estes Autores de Proezas destas, mas não, só pensam neles,e, chamam a isto Democracia.disse.
  • Orfeu
    01 fev, 2016 10:24
    Parabéns! Orgulho redobrado por seres Nortenho... sempre que venhas à tua terra vais ter que passar por Lisboa... pelo menos enquanto o Porto não arrumar com esta TAP!
  • António Gandra
    01 fev, 2016 Alenquer 09:01
    Como é que um país tão maltratado consegue dar cabecinhas destas? Porque é que na política não acontece o mesmo? É porque política corroi? Não será também possível analisar o genoma do político? Lanço daqui o desafio...