O site da Renascença usa cookies. Ao prosseguir, concorda com o seu uso. Leia mais aqui.
A+ / A-
Visto de Bruxelas

​Aumenta a tensão entre Cameron e a União Europeia

18 dez, 2015 - 14:33

Como é habitual às sextas-feiras, olhamos para os temas que marcam os últimos dias na Europa. Esta semana fica claramente marcada pelo Conselho Europeu que ontem começou e que acaba de terminar em Bruxelas.
A+ / A-
Visto de Bruxelas (18/12/2015)
Visto de Bruxelas (18/12/2015)

Na agenda dos Chefes de Estado e de Governo dos 28 estava a situação dos refugiados, a criação de uma guarda costeira e de fronteira comum e as condições impostas pelo Reino Unido para se manter na União Europeia.

A decisão sobre a guarda fronteiriça comum foi adiada para Julho, num Conselho onde os parceiros foram confrontados com as exigências do Primeiro-ministro britânico.

David Cameron exige condições mais favoráveis em quatro grandes áreas e, apesar de algum optimismo no final do dia, ficou claro que o diálogo sobre a permanência do Reino Unido na União Europeia vai ser muito difícil.

Cameron fez exigências em quatro áreas: governação económica, soberania, competitividade e imigração. Juncker diz que, apesar de se pensar que só a imigração divide os 28, é errado: “Quero deixar-vos prevenidos perante esta ilusão que consiste na crença de que há três questões fáceis e uma questão mais complicada. Mas não. Há quatro questões complicadas”, afirmou o presidente da Comissão.

Juncker diz que não, mas o Reino Unido admite negociar as três primeiras áreas. Não admite é que os trabalhadores estrangeiros com menos de 4 anos de permanência no Reino Unido possam ter acesso aos mesmos direitos sociais e Donald Tusk, presidente do Conselho Europeu, responde que “para alguns Estados-membros, a questão dos subsídios sociais é a mais delicada e difícil. Significa que temos de respeitar o que o Reino Unido e David Cameron pediram, mas também temos de respeitar as necessidades dos outros Estados-membros”.

De resto, a opinião do Primeiro-ministro português, também vai contra o que Camero veio exigir: “É inaceitável não só para os portugueses, mas para qualquer um. A Europa assenta em princípios fundamentais como a liberdade de circulação, o princípio da não-discriminação, e seria absolutamente inaceitável que trabalhadores, por serem estrangeiros ou por residirem há menos tempo que os nacionais que residem no seu país, tivessem um tratamento discriminatório”, afirmou António Costa.

Ainda assim, David Cameron falou de progressos assinaláveis, fala de “avanços, mas que as negociações serão difíceis”, enquanto Donald Tusk lembrou que há limites para tudo: “Temos a certeza absoluta que temos de ser duros quando falamos de alguns limites e valores fundamentais. Posso prometer-vos que não desistiremos da livre circulação ou do combate à discriminação”, afirmou.


Krugman deixa recados em Lisboa

Esta semana esteve de visita a Portugal o vencedor do Prémio Nobel da Economia de 2008. 20 anos depois da criação da moeda única, Paul Krugman considera que ainda há muito para fazer no caminho para uma verdadeira União Bancária. O economista norte-americano considera, de resto, que, se em 1992 fosse possível adivinhar o futuro, o euro não teria chegado a nascer.

“Penso que é justo dizê-lo... ninguém podia prever o que ia acontecer no sul da Europa. Ninguém anteviu que teríamos grandes fluxos de dinheiro nalgumas economias europeias que, subitamente, desapareceriam. Se os “arquitectos” da moeda única soubessem que isto ia acontecer, se em 1992, em Maastricht, todos soubessem que este seria o desfecho, provavelmente não teriam avançado com a moeda única. A questão, agora, é saber como é que se faz funcionar o sistema, pelo menos melhor que actualmente. E acontece que o funcionamento da moeda única é pior do que previam os próprios cépticos”, afirma Krugman. E acrescenta um próximo passo: “Algo que é absolutamente evidente que deve ser feito (e seria uma loucura não o fazer) é a verdadeira união bancária. Se temos uma moeda única, a ideia de que a responsabilidade de apoiar os bancos em tempos complicados deve estar ao nível de cada Estado-membro é, basicamente, uma loucura”.

Questionado pelos jornalistas à margem de uma cerimónia no banco de Portugal, Paul Krugman falou também da situação no nosso país. O Nobel considera que, em comparação com a Grécia, a nossa situação económica é bastante melhor: “Portugal foi sempre considerado como sendo ‘o próximo a cair a seguir à Grécia’ na lista dos mais problemáticos e dos mais prováveis para sair do euro, mas não é... Já aconteceram coisas na Grécia que, nem de perto, se assemelham ao que aconteceu aqui. Portugal está numa classe própria. A Grécia é um caso extremo. Em Portugal as coisas estão más, mas o PIB per capita caiu 6% desde 2007 quando, na Grécia, a queda foi de 26%. Portanto, a Grécia está numa situação muito pior, numa situação desesperada, e está a ser forçada a tomar medidas ainda mais austeras. Ao menos aqui isso está mais equilibrado.

Comentários
Tem 1500 caracteres disponíveis
Todos os campos são de preenchimento obrigatório.

Termos e Condições Todos os comentários são mediados, pelo que a sua publicação pode demorar algum tempo. Os comentários enviados devem cumprir os critérios de publicação estabelecidos pela direcção de Informação da Renascença: não violar os princípios fundamentais dos Direitos do Homem; não ofender o bom nome de terceiros; não conter acusações sobre a vida privada de terceiros; não conter linguagem imprópria. Os comentários que desrespeitarem estes pontos não serão publicados.

  • Aumenta a tensão
    21 dez, 2015 pt 11:07
    entre Cameron e a União europeia e a foto é do Antonio Costa! Os media que temos!...