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​Madeira: a ultra-periferia da Europa

09 dez, 2015 - 15:00

Programa Euranet Especial, feito no Funchal, na ilha da Madeira. Hoje olhamos para as infra-estruturas na Madeira, onde foram investidos muitos milhões de euros em betão e asfalto.
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Trabalho Sem Fronteiras (09/12/2015)
Trabalho Sem Fronteiras (09/12/2015)

A ilha é muito acidentada, é precioso vencer os declives, as escarpas, as montanhas e uma das formas encontradas foi escavar. Por isso, há dezenas de túneis na ilha. Certo é que, depois de décadas de obras, hoje a circulação de bens e pessoas é muito mais fácil e mais rápida... e muito graças aos milhões enviados por Bruxelas.

A jornalista Teresa Almeida pediu uma boleia e fez o percurso entre o Funchal e Porto Moniz. São menos de 50 quilómetros que hoje já se fazem em menos de uma hora. Mas nem sempre foi assim.

Armando Lucas, nascido e criado em Porto Moniz, taxista de profissão, está habituado a percorrer vários quilómetros e descreve como era antes dos túneis e das vias rápidas. Hoje é bem diferente. De Porto Moniz ao Funchal já não são precisas as 4 horas de outros tempos. Também o actual presidente da Câmara de Porto Moniz, Emanuel Câmara, reconhece que “as vias rápidas e os túneis foram importantes para o concelho”, mas agora “é preciso criar estruturas que atraiam e mantenham população e turistas”.

Uma das condições de atracção do concelho passa, precisamente, pela Estrada Regional 101, que liga São Vicente a Porto Moniz e que está nesta altura fechada ao trânsito. Recortada pelas escarpas desta zona da ilha, lado a lado com o Atlântico, esta ligação tem uma beleza especial e é por lá que gostariam de andar os turistas. Por isso Emanuel Camara quer recuperá-la e fazer dela património regional.

As estradas são o exemplo mais visível do que mudou, mas quem vai à Madeira também vê outro tipo de obras gigantescas. Neste caso, para tentar evitar que a tragédia se repita. Os fundos comunitários ajudaram a reconstruir o que a enxurrada levou em Fevereiro de 2010. Foram feitas obras de fundo em toda a ilha, sobretudo na parte sul, no Funchal. Mas ainda há intervenções que ficaram por fazer.

O repórter Paulo Ribeiro Pinto foi conhecer as levadas, com a ajuda de Raimundo Quintal, que há vários anos estuda as levadas da Madeira. São estruturas que começaram a surgir na segunda metade do século XV e que são um testemunho de engenharia “de fazer inveja às obras mais recentes”.

Ao todo, os canais de levadas da Madeira têm mais de 3.000 quilómetros de extensão. Em linha recta, era o mesmo que ir até Paris.

As obras estão feitas, mas há ainda muitas para fazer e Bruxelas tem sempre um papel fundamental. Por isso, falámos com Marco Teles, coordenador do Centro Europe Direct, ele que reconhece que “podemos falar de uma Madeira pré e pós-União Europeia.

Em termos europeus, a Madeira e os Açores são aquilo a que se convencionou chamar “regiões ultraperiféricas” e este responsável explicou o que é este conceito, quais as hipóteses de a Madeira manter o estatuto e quais as consequências se o perder.

Marco Teles faz um trabalho de divulgação da União da Europeia na Madeira e explicou à Renascença que tipo de trabalho faz o Centro Europe Direct.

A Região Autónoma da Madeira beneficiou de um montante total de 2.147 milhões de euros entre 1994 e 2013. Agora que está aí o programa Horizonte 2020, o que está previsto para a Madeira são 844 milhões de euros. Resta saber quais as principais apostas no que toca à distribuição de fundos.

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