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Centeno defendeu que forte aumento do salário mínimo prejudica emprego

10 dez, 2015 - 07:05 • Sandra Afonso

Em 2011, o economista, hoje ministro das Finanças, apontou algumas consequências negativas nos aumentos significativos do SMN. Tema é discutido esta quinta-feira pelos parceiros sociais.
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O actual ministro das Finanças defendeu, em 2011, que aumentos significativos do salário mínimo nacional (SMN) prejudicam o emprego.

Em 2011, Mário Centeno escreveu, com outros dois economistas do Departamento de Estudos Económicos do Banco de Portugal, um estudo no qual concluiu que fortes aumentos no SMN têm como resultado “pequenos ganhos salariais”, um impacto reduzido ou mesmo nulo na distribuição do rendimento e uma redução do emprego.

O artigo "O impacto do salário mínimo sobre os trabalhadores com salários mais baixos” analisa o impacto de um aumento significativo da remuneração mínima (como os que aconteceram entre 2006 e 2010) no emprego, salários e rendimentos.

A subida do salário mínimo, hoje fixado nos 505 euros, estará em cima da mesa na primeira reunião dos parceiros sociais com o novo Governo do PS. O Executivo defende uma subida para 530 euros em 2016 e para 600 euros até ao final da legislatura.

Impacto “perverso”

Embora o salário mínimo possa beneficiar o emprego, o resultado mais esperado é o oposto, dizia o artigo. “Ninguém contesta que reduzimos o consumo de maçãs quando o seu preço aumenta”, escreveram Centeno, Cláudia Duarte e Álvaro A. Novo.

Segundo os autores, "nos casos em que o aumento do salário mínimo absorve a margem de lucro das empresas, o impacto pode ser perverso”. O que acontece é que se “retira dinheiro de alguns cidadãos” para o entregar a outros. O que não significa que chegue ao destinatário, já que podem ser destruídos empregos que deixaram de ser produtivos face ao novo salário mínimo.

Se houver "aumentos significativos do salário mínimo", há também redução de empregos para os salários mais baixos, defendem os economistas. "Por cada ponto percentual de aumento nos salários [mínimos], o emprego diminui pouco mais de um ponto percentual.”

Por outro lado, a subida acentuada da remuneração mínima poderá implicar aumentos mais baixos para os salários imediatamente acima.

Podem ainda ser afectados negativamente "os retornos salariais para a antiguidade e os períodos de emprego longos e estáveis”. A medida traz ainda mais instabilidade ao mercado de trabalho e prejudica a produtividade.

“Pequenos aumentos do salário mínimo são certamente muito mais amigáveis para o emprego", referia o trabalho.

“Em Portugal, a desigualdade na aba inferior da distribuição salarial diminuiu acentuadamente desde 2007. Este resultado pode ser visto como a conjugação de um impacto directo positivo sobre os salários dos indivíduos de baixas remunerações e de um efeito de ‘spillover’ negativo sobre os salários medianos. No entanto, os indivíduos remunerados com o salário mínimo sofreram também uma diminuição na estabilidade do emprego.”

“Os aumentos do salário mínimo deverão sempre ter em conta a evolução dos ganhos de produtividade e serem definidos no conjunto de políticas que interferem com o custo do trabalho”, concluía Centeno e os outros dois economistas.

Comentários
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  • 15 dez, 2015 16:39
    O Centeno político sobrepor-se-á ao Centeno técnico?... Provável e irresponsavelmente, sim.
  • Vera
    11 dez, 2015 Palmela 18:21
    Olá Dr. Centeno, a minha mãe tinha uma frase muito engraçada, que eu me fartava de rir! era, quando nós modificávamos qualquer coisa, que não saía certo, ela dizia sempre: "- Afinal, ficámos cagados na mesma?!" Mensagem para a minha mãe: Pois é Mãe, afinal, tinhas razão!
  • Vasco
    10 dez, 2015 Santarém 23:19
    Por outras palavras estamos mais uma vez em presença de um vendedor de banha da cobra que fala consoante a cara do cliente; já veio também afirmar que terá de manter contenção nas despesas destes últimos dias do ano para que este termine no mínimo com um défice de 3% como se qualquer analfabeto não percebesse que assim terá mesmo que ser devido à situação do país, quanto ainda ao pretender como também afirmou de reduzir o défice de 2016 para 2,8% terá que aplicar a mesma receita, contenção nas despesas e incentivos à exportação, precisamente o contrário de que afirmam pretender fazer para governar o país, agora basta aguardar para ver em que vão dar tantas promessas.
  • Nãosecompreende
    10 dez, 2015 Port 16:32
    Esta RR deixa muito a desejar, por um lado permite que alguém venha para aqui com o direito de chamar a todos de ignorante s dos que comentam, por outro quando alguém manifesta o seu desagrado, deixam de publicar, mas isto é um espaço para todos ou só para alguns???'
  • ohdaverdade
    10 dez, 2015 port 15:33
    Oh na verdade mostra lá a tua sabedoria, já que os outros são ignorantes, na verdade não dizes nada
  • Pois. pois na verdad
    10 dez, 2015 Port 15:28
    Pelo teu falar deves ser algum empresário de meia tigela, que se calhar criaste emprego que nem suporta mais 15 ou vinte euros, ou então algum daqueles que diz que não tem rendimentos para umas migalhas de aumento, mas se for preciso aparece com um ferrari, olha houve um aumento da compra destes carros de 24%, a crise dá para isto. Vá mas é plantar batatas, e isto para não te dizer mais, é porque depois não publicam...Infelizmente este país nunca mais levanta com gente como tu...De certeza que não vives com o salário minimo. Oh pá tem vergonha nesta cara por teres esta mentalidade de (...)
  • Na verdade és (...)
    10 dez, 2015 Port 15:19
    Este aqui armado em inteligente, que usa o nome "na verdade" vem para chamar de ignorante aos outros, mas é como aqueles burros que quando abrem a boca só serve para zurrar...
  • Na verdade!
    10 dez, 2015 port 13:50
    Este tipo de noticias vão mesmo ao encontro dos ignorantes! Aliás, não têm outra finalidade! E os media sabem bem disso! Quanto mais alarmarem os ignorantes deste país, melhor será!...A desonestidade na informação é caso muito serio!...Principalmente para os que não sabem raciocinar, nem situarem-se nos contextos temporais!
  • politicosdatreta
    10 dez, 2015 nojo 11:56
    Ele tá se vendo ao espelho e vendo que não passa de um mentiroso e hipócrita
  • Contribuinte
    10 dez, 2015 Porto 11:02
    O importante é chegar (assaltar) o poder depois tudo se desdiz. Viva o Portugal dos sonhos cor de Rosa